Livro de uma Sogra, de Aluísio Azevedo: o resumo do romance de Olímpia, Palmira e Leandro
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 22 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Aluísio Azevedo. A obra é dele e está em domínio público. Este resumo não reproduz passagens do livro.
O livro
Livro de uma Sogra é um romance de Aluísio Azevedo, de 1895 segundo a lista de obras do autor na Wikisource.
Tem 25 capítulos e uma moldura: um narrador lê o manuscrito deixado por uma sogra.
O manuscrito ocupa quase tudo e é uma mistura de memória, ensaio sobre o casamento e relato de uma campanha familiar.
A moldura
O narrador, Leão, tem 35 anos e volta da Europa.
Visita o amigo Leandro de Oviedo, que mora na Tijuca.
Leandro casou com uma moça rica e teve como sogra uma mulher que o mantinha sob regras duras.
Hoje fala dela com respeito, quase com devoção, e entrega a Leão o manuscrito que ela escreveu.
O manuscrito de Olímpia
Olímpia casou aos 18 anos com o médico Virgílio.
Tiveram dois filhos: Palmira, que cresceu, e um menino que morreu ainda criança.
O casamento esfriou entre brigas e tédio, os dois se afastaram, e Virgílio morreu na Itália.
Olímpia conclui, a partir da própria vida, que a convivência diária gasta o desejo e a ilusão entre marido e mulher.
Decide que Palmira não terá esse destino e se põe a estudar o assunto como quem prepara uma campanha.
Um ensaio no meio do romance
Dos capítulos V ao IX, o livro vira quase um tratado.
Olímpia compara marido e amante, fala do celibato, da Bíblia e dos mórmons.
Chega a uma conclusão: o casal precisa de afastamentos periódicos para que o desejo dure.
Pelo caminho, repete opiniões do século XIX sobre mulheres, raças e hereditariedade que hoje soam preconceituosas.
Vale ler essas partes com distância crítica, como um retrato das ideias da época e da personagem.
O amigo César
Olímpia tem no Dr. César Veloso um amigo e confidente, médico viúvo, mais velho, que mora com a irmã, D. Etelvina.
César duvida da felicidade, mas aceita ser o ajudante dela.
Ele examina os pretendentes de Palmira e dá seu parecer de médico.
O genro
Depois de um ano de recepções às quartas-feiras, Palmira, aos 19, ama Leandro, um amanuense pobre que toca piano e bandolim.
Olímpia o investiga por quatro meses, com a ajuda de César.
Quando ele pede a mão da moça, ela impõe as condições.
Depois de casados, Leandro morará sozinho, em casa que ela lhe dará, e Palmira ficará com a mãe.
Os dois só se verão quando Olímpia consentir, e ela poderá reclamar a filha quando quiser.
Ela ainda exige dele um papel dirigido à polícia sobre a própria morte e o ameaça de mandar matá-lo se faltar à palavra.
A ameaça é dela, e o rapaz aceita por amor.
O casamento sob regime
Olímpia o põe no comércio, com dinheiro dela e de Palmira por trás da firma.
Não há lua de mel tradicional: ela leva os noivos a uma fazenda, com quartos separados.
Ao fim de pouco tempo, cita regras bíblicas de afastamento e os separa de novo.
Leandro se revolta algumas vezes e a chama de sogra no sentido pior da palavra.
Quando Palmira engravida, Olímpia manda o genro sozinho para a Europa e fica com a filha.
Palmira chora e protesta, mas cede, e nasce um menino saudável.
César e Olímpia
D. Etelvina morre, e Olímpia vai à casa de César.
Na madrugada do velório, ele a abraça e confessa que lamenta não terem sido marido e mulher.
Olímpia responde com a tese dela: o amor dos sentidos e a amizade da alma não se misturam.
César propõe que casem, vivendo como irmãos.
Olímpia hesita, por medo do ridículo, e decide aceitar.
Ela adoece logo depois, e o casamento é feito em casa, com licença da Igreja.
O genro ri da ideia.
Com o tempo, o casal jovem passa a seguir o regime sem imposição e diz ser grato.
O fim
A doença do fígado se agrava, e Olímpia vai a Caxambu, viaja à Europa e fica cada vez mais frágil.
Sabendo que vai morrer, pede aos filhos que cada um tenha, além do cônjuge, um amigo do espírito.
Morre nos braços de César.
Leão termina a leitura com admiração por ela e pelo que ela fez.
O que o livro mostra
É um romance de tese, irônico, que dá voz a uma mãe amorosa, autoritária e convencida de que sabe o que é melhor.
O livro não obriga o leitor a concordar com ela.
O contraste entre a ternura e o controle, entre o discurso sobre liberdade e a vida do genro, é o que mais rende conversa.
Na leitura de hoje, pesam a ameaça, a vigilância sobre o casal e as ideias de eugenia e de hierarquia entre os sexos.
Cuidados de leitura
O livro trata de casamento e vida íntima com franqueza e sem cenas gráficas.
Este resumo não repete as passagens mais explícitas.
A edição
Lemos os 25 capítulos na Wikisource em português, que cita como edição de referência a de Domingos de Magalhães Editor, Rio de Janeiro, 1895.
O enredo é do livro, e a interpretação e o contexto são da casa.
Leia o romance inteiro, na Wikisource em português. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Cortiço, Casa de Pensão, O Mulato e O Primo Basílio.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é de Aluísio Azevedo. Este resumo não reproduz passagens do livro, nem em bloco nem entre aspas.
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