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Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano: o resumo do romance do padre que volta à guerra novo

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1.491 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Alexandre Herculano. A obra é dele e está em domínio público; o autor morreu em 1877. Os trechos citados vêm da quarta edição, de 1859, impressa em Lisboa (veja A edição, no fim). O romance tem batalhas, mortes e a ameaça de um chefe árabe contra uma prisioneira, e o resumo conta tudo isso sem detalhe.

O livro

Eurico, o Presbítero se passa no começo do século oitavo, quando o reino dos visigodos na Península se desfaz e os árabes atravessam o estreito vindos da África.

O narrador começa pela decadência dos godos: o clero se corrompeu, Ruderico tomou a coroa, e os filhos do rei anterior, Witiza, ficaram na corte, com cargos militares.

O livro conserva os nomes antigos dos lugares, e numa nota o autor explica por quê: Hispalis é Sevilha, e o rio Chryssus é o Guadalete.

Na quarta edição, antes do romance, há um texto em primeira pessoa sobre o celibato do sacerdote, a solidão a que a igreja condenou os seus ministros.

É esse o assunto do livro.

O gardingo que virou padre

Eurico é o presbítero da pobre paróquia de Carteia, junto ao Calpe.

De família antiga, ele tinha sido gardingo na corte de Witiza, rico e poderoso, e vivera a mocidade em Toletum.

Depois de uma campanha na Cantábria, ao lado do amigo Theodemiro, Eurico conheceu em Tárraco Hermengarda, filha de Favila, duque de Cantábria, e irmã de Pelágio, e se apaixonou.

Quando Favila veio à corte, Eurico pediu a mão da filha, e o orgulhoso Favila recusou o gardingo de menos linhagem.

Hermengarda pareceu ceder sem resistência à vontade do pai.

Eurico caiu numa longa doença e, quando se levantou, foi buscar abrigo na religião.

Siseberto, o bispo de Hispalis, o fez sacerdote e lhe deu a paróquia de Carteia.

Eurico é poeta.

Os hinos que ele escreve são cantados nos templos da Hespanha, e ele vive entre a fama e a solidão.

Uma parte do livro é feita de páginas escritas pelo próprio presbítero no ermo, em que ele se acusa de não ter conseguido matar o amor:

Hermengarda, Hermengarda, eu amava-te muito!

Eurico, o Presbítero, quarta edição, 1859, página 44

Nessas páginas está também um sonho em que ele vê a ruína da pátria.

A traição e a batalha do Chryssus

Os filhos de Witiza, Sisebuto e Ebbas, Oppas, que sucedeu a Siseberto na sé de Hispalis, e Juliano, conde dos domínios godos na costa da África, conspiram contra Ruderico.

Os árabes desembarcam.

Eurico espia o acampamento de Tarik e do conde Juliano e escreve a Theodemiro, duque de Córduba, para avisar do perigo.

Os dois exércitos se encontram nas margens do Chryssus.

No meio da batalha, Sisebuto, Ebbas e Oppas passam para o lado dos invasores.

Um cavaleiro de armadura negra, que ninguém conhece, combate como nenhum outro e salva Theodemiro de Juliano e de Mugueiz, um chefe árabe.

Ruderico é achado morto no campo, e o exército godo foge.

O cavaleiro negro luta até o fim e se atira ao rio, e ninguém sabe se ele sobreviveu.

O mosteiro da Virgem Dolorosa

Os árabes avançam e chegam a um mosteiro de monjas, o da Virgem Dolorosa.

Junto da abadessa está uma moça vestida de branco, que não é monja.

As monjas, com a abadessa Chrimhilde, preferem morrer a cair nas mãos dos invasores, e Abdelaziz, filho do chefe árabe Musa, invade a cripta.

A abadessa é morta, as monjas também, e Abdelaziz leva a moça de branco para a sua tenda.

A moça é Hermengarda.

Covadonga

Pelágio se refugiou com os godos que não aceitam a derrota nas montanhas das Astúrias, em Covadonga.

Theodemiro, ao contrário, fez paz com os árabes para salvar os seus súditos.

Um guerreiro desconhecido chega a Covadonga com uma carta de Theodemiro, e Pelágio descobre que ele é o cavaleiro negro do Chryssus.

O cavaleiro se oferece para resgatar a irmã de Pelágio e parte com um pequeno grupo de guerreiros.

O resgate e a ponte

No acampamento árabe, Hermengarda recusa Abdelaziz, e ele a ameaça.

O cavaleiro negro entra na tenda, fere Abdelaziz e foge com ela, levando junto o guerreiro Sancion.

Os árabes perseguem o grupo pelas montanhas, e alguns dos companheiros morrem na fuga, entre eles Viterico e Liuba.

Os fugitivos chegam a umas ruínas sobre o Sallia, que só se atravessa por um tronco de carvalho estendido de uma margem à outra.

Para convencer os companheiros a levar Hermengarda adiante, o cavaleiro fala de um antigo chefe militar de Witiza que deixou de viver, e diz que ele se chamava Eurico.

Ao ouvir esse nome, Hermengarda cai como morta.

O cavaleiro a toma nos braços e atravessa o tronco.

Os godos derrubam o tronco quando os árabes já avançam sobre ele, e a perseguição para ali.

Impossível

Em Covadonga, Pelágio prepara a defesa, e o cavaleiro negro vela por Hermengarda numa gruta.

Ele a olha dormir, pálida e abatida, e o narrador diz:

Era bella; mais bella que nos tempos da primeira mocidade!

Eurico, o Presbítero, quarta edição, 1859, página 277

Hermengarda acorda e confessa que amava Eurico, o gardingo que o pai tinha repelido.

Ele responde que Eurico vive, que é ele mesmo.

Quando ela fala do presbítero de Carteia, o poeta dos hinos, como de outra pessoa, ele diz que o guerreiro e o presbítero são um desgraçado só.

Hermengarda desmaia.

Ouve-se então o grito de que os árabes chegaram.

Eurico beija a mão dela, veste a armadura e sai da gruta.

A conclusão

Os godos de Pelágio vencem os árabes junto ao monte Auseba, e os invasores fogem para além de Cangas de Onis.

No fim do dia, o cavaleiro negro encontra Oppas, Juliano e Mugueiz juntos.

Ele diz ser um soldado e um sacerdote do Cristo e enfrenta os três.

Oppas e Juliano caem, e Eurico morre em combate com Mugueiz.

Naquela noite, Pelágio volta à gruta e adormece perto da irmã, que parece dormir.

Na manhã seguinte, ele acorda ouvindo Hermengarda cantar um dos hinos de Eurico, e o romance termina dizendo que ela perdeu a razão:

A desgraçada tinha de feito enlouquecido!

Eurico, o Presbítero, quarta edição, 1859, página 301

Uma nota sobre a história no livro

O romance mistura história e lenda, e o autor diz isso nas notas do fim.

Ele avisa que Pelágio viveu provavelmente um pouco depois da conquista árabe, e que a morte de Oppas e Juliano em Cangas de Onis, contada por alguns escritores, tem muito de fábula.

O autor explica também que quis pintar os homens de uma época de passagem, e que o seu herói do Chryssus é como o último semideus que combate na terra.

O texto sobre o celibato que abre a edição ajuda a ler o fim: o padre e a moça são destruídos por uma lei que os separa e pelo orgulho de um pai.

A edição

O texto lido aqui é o de Eurico o presbytero, quarta edição, Lisboa, Imprensa Nacional, 1859, que no exemplar vem depois de uma folha com O Monasticon, por A. Herculano, tomo I, Lisboa, em casa da viúva Bertrand e filhos.

O romance ocupa as páginas 1 a 301, em dezenove capítulos, e depois vêm as notas do autor.

O exemplar é o da Universidade de Toronto, digitalizado e publicado no Internet Archive.

A página não diz em que ano o romance saiu pela primeira vez, porque isso não foi conferido aqui.

Lemos o enredo no texto reconhecido por máquina desse arquivo, página por página, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido nesse texto.

A grafia é a da edição ("presbytero", "Hespanha").

O texto reconhecido por máquina tem erros de acento e de letra em muitas páginas, e por isso só citamos frases em que ele bate letra por letra com a imagem.

Leia o romance inteiro, na quarta edição, de 1859, impressa em Lisboa pela Imprensa Nacional, no exemplar da Universidade de Toronto digitalizado e publicado no Internet Archive. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. A obra está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Os Lusíadas, Amor de Perdição, A Cidade e as Serras e Os Maias.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é de Alexandre Herculano. Os trechos citados vêm da quarta edição, de 1859, da Imprensa Nacional de Lisboa: os trechos em bloco saíram das páginas 44, 277 e 301, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo.