Urupês, de Monteiro Lobato: o resumo do livro de contos do Jeca Tatu novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 7 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Monteiro Lobato. A obra é dele e está em domínio público no Brasil; o autor morreu em 1948. O texto que lemos e citamos é o da quinta edição, de 1919, da editora da Revista do Brasil (veja A edição, no fim). Vários contos terminam em morte, alguns com violência, e um deles com a morte de uma criança; o resumo conta essas mortes sem detalhe. Os dois artigos descrevem o caipira com desprezo, e o resumo diz isso com essas palavras.
O livro
Urupês reúne doze contos e, no fim, dois artigos.
Os contos se passam quase todos no interior de São Paulo, entre fazendas, sítios, vilas e estradas, e muitos terminam mal.
Os dois artigos, Urupês e Velha Praga, são os textos em que aparece o Jeca Tatu, o caipira que ficou mais famoso do que o livro.
O título vem da imagem com que o artigo fecha: o caipira comparado ao urupê de pau podre, quieto no fundo das grotas.
Os contos
Os pharoleiros. Num navio, de noite, Eduardo conta ao narrador uma temporada num farol, onde o faroleiro Gerebita acusava o ajudante, Cábrea, de ser louco. Os dois brigam no escuro e Cábrea morre. Só depois Eduardo descobre que Cábrea tinha levado Maria Rita, a mulher de Gerebita.
O engraçado arrependido. Pontes vive de fazer a cidade rir e, cansado disso, quer um emprego sério, mas ninguém o leva a sério. Ele mira a coletoria do major Bentes, homem doente do coração, e consegue fazê-lo rir até a morte. A vaga já tinha sido preenchida, e Pontes acaba com a própria vida; a cidade acha graça até disso.
A colcha de retalhos. Uma avó costura há catorze anos uma colcha com os retalhos dos vestidos da neta, para lhe dar quando ela se casasse. A menina foge de casa, e a velha, sozinha, mostra a colcha ao narrador e diz que agora ela será a sua mortalha.
Chóó... Pan... Um sitiante briguento constrói um monjolo só para provocar os vizinhos, e o engenho sai torto. O conto termina com a morte do filho pequeno dele, no monjolo; o resumo não conta a cena.
Meu conto de Maupassant. Num trem, um homem que foi delegado conta o caso do assassinato de uma velha e das suspeitas erradas que ele levantou, até a revelação de quem tinha sido o culpado.
Pollice verso. O caçula de um coronel, que desde menino maltratava bichos, forma-se médico e volta para a cidade sonhando com Paris. Calcula quanto ganharia se um paciente rico morresse, o paciente morre, e ele cobra 35 contos de réis, que a Justiça lhe dá. Vai para Paris e escreve ao pai que estuda na Sorbonne, o que o narrador desmente.
Bucolica. Um passeio pela roça, numa manhã bonita, termina com a história de uma menina doente que morreu abandonada pela mãe; o resumo não conta a cena.
O mata-páu. O mata-pau é uma árvore que cresce em volta de outra e a mata. Um capataz conta a história de um casal que criou um menino enjeitado, e de como esse menino, já homem, destruiu a família que o recolheu. O narrador conclui que não é só no mato que há mata-paus.
Boccatorta. Um conto de horror sobre um homem de rosto deformado que vive escondido no mato e é tratado como um monstro, embora o dono da fazenda diga que o crime dele é só ser feio. Termina com a morte de uma moça e com a morte dele, nas mãos dos homens da fazenda. O conto usa contra ele palavras racistas, que o resumo não reproduz.
O comprador de fazendas. Moreira quer vender a fazenda arruinada e a disfarça para enganar compradores. Aparece Trancoso, que parece rico, elogia tudo e namora a filha, mas era um malandro sem dinheiro. Quando Trancoso ganha na loteria e volta para comprar de verdade, a família o expulsa a pancadas, e Moreira perde o único bom negócio da vida.
Supplicio moderno. Lobato compara o cargo de estafeta do correio, o homem que leva a correspondência de cavalo pelas estradas, às torturas antigas. Izé Biriba, cabo eleitoral, ganha esse cargo como prêmio e vira o carregador de toda a cidade, até fugir para sempre.
O estigma. Anos depois de uma visita à fazenda do amigo Fausto, o narrador ouve dele a história da prima Laurita, que Fausto amava em segredo e que foi achada morta com um tiro, como se tivesse se matado. O filho que Fausto teve depois com a mulher nasce com uma marca igual ao ferimento de Laurita, e Fausto entende nisso que foi a mulher quem a matou.
O artigo Urupês e o Jeca Tatu
O artigo começa atacando a literatura que idealizava o índio, como a de José de Alencar, e diz que essa moda voltou com outro nome: agora o herói é o caboclo.
Lobato responde com o seu caboclo, que fica de cócoras diante de tudo, da Independência à República.
É aí que ele apresenta o "Geca Tatu", como o nome está grafado nesta edição, um caipira do vale do Paraíba.
O Jeca do artigo mora numa casa sem móveis, planta o mínimo, vive da mandioca, tem medo do recrutamento, trata as doenças com simpatias, e o artigo desvaloriza o que ele faz de arte e diz que ele só canta rezas tristes.
Ao lado dele, o artigo põe um compadre mais esperto, dono da terra, que no dia da eleição vota no governo sem saber em quem; mas a regra, diz Lobato, é o Jeca.
O artigo termina comparando o caboclo ao urupê, o fungo do pau podre:
Só elle não fala, não canta, não ri, não ama. Só elle, no meio de tanta vida, não vive.
Urupês, edição de 1919, página 176
Velha Praga
O último texto do livro é um artigo escrito em 1914, no tempo da guerra europeia, sobre as queimadas que destruíam a serra da Mantiqueira.
Lobato acusa o caboclo de pôr fogo no mato, chama-o de parasita da terra e diz que a única pena que se costuma aplicar a ele é tocá-lo dali, como se toca um cachorro.
O caboclo é uma quantidade negativa.
Urupês, edição de 1919, página 182
O artigo termina propondo que os inspetores de quarteirão fiscalizem os aceiros, as faixas limpas em volta das roças que impedem o fogo de se espalhar, e apela às Câmaras municipais.
Como ler o Jeca hoje
Os dois artigos descrevem o caipira com desprezo: chamam-no de preguiçoso, de parasita, de incapaz.
Na nossa leitura, os dois textos põem no próprio caipira a culpa da pobreza em que ele vive.
Anos depois, o próprio Lobato escreveu sobre o caipira de outro modo.
Em Zé Brasil, livreto dele, na edição de 1948 da Editorial Vitória, o caipira Zé Brasil guarda em casa o livrinho do Fontoura com a história do Jeca Tatu, e o texto critica os doutores, os deputados e os escrevedores de jornal que o chamavam de vadio e indolente:
Mas ninguém punha atenção nas doenças que derreavam aquele pobre homem
Zé Brasil, edição de 1948, página 7
O trecho não fala em revisão nem em arrependimento; o que ele mostra é o mesmo tipo de homem visto pelas doenças e pela pobreza, e não pela preguiça.
A edição
O texto lido aqui é o da quinta edição de Urupês, de Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. da Revista do Brasil, 1919, com o livro nas páginas 1 a 184.
Lemos o livro nas imagens de um microfilme da Universidade de Illinois publicado no Internet Archive, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina do mesmo arquivo.
Não achamos digitalizada a primeira edição, e por isso não afirmamos o ano dela.
A grafia é a da edição ("elle", "Geca Tatu").
O trecho de Zé Brasil vem da edição de 1948 da Editorial Vitória, do Rio de Janeiro, com ilustrações de Percy Deane, digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP.
Leia o livro inteiro, na quinta edição, de 1919, da Revista do Brasil, num microfilme da Universidade de Illinois publicado no Internet Archive. É dessa digitalização que saem os trechos do livro citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o livro inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Vidas Secas, Macunaíma, Brás, Bexiga e Barra Funda, Inocência e Triste Fim de Policarpo Quaresma.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Monteiro Lobato. Os trechos citados vêm da quinta edição de Urupês, de 1919: os trechos em bloco saíram das páginas 176 e 182, e as aspas de grafia ("elle", "Geca Tatu") aparecem em várias páginas; o trecho de Zé Brasil vem da página 7 da edição de 1948. Todos foram copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo nem os termos de cor que o livro usa.
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