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Eternidade retrospectiva

Cruz e Sousa

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14 versos

Eu me recordo de já ter vivido, 

Mudo e só, por olímpicas Esferas, 

onde era tudo velhas primaveras 

E tudo um vago aroma indefinido. 

Fundas regiões do Pranto e do Gemido 

Onde as almas mais graves, mais austeras 

Erravam como trêmulas quimeras 

Num sentimento estranho e comovido. 

As estrelas, longínquas e veladas, 

Recordavam violáceas madrugadas, 

Um clarão muito leve de saudade. 

Eu me recordo d'imaginativos 

Luares liriais, contemplativos 

Por onde eu já vivi na Eternidade! 

A Leitora, Auguste Renoir
A Leitora, Auguste RenoirArte escolhida pelo tema poesia. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons