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Alma ferida

Cruz e Sousa

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14 versos

Alma ferida pelas negras lanças 

Da Desgraça, ferida do Destino, 

Alma, de que a amargura tece o hino 

Sombrio das cruéis desesperanças, 

Não desças, Alma feita das heranças 

Da Dor, não desças do teu céu divino. 

Cintila como o espelho cristalino 

Das sagradas, serenas esperanças. 

Mesmo na Dor espera com clemência 

E sobe à sideral resplandecência, 

Longe de um mundo que só tem peçonha. 

Das ruínas de tudo ergue-te pura 

E eternamente, na suprema Altura, 

Suspira, sofre, cisma, sente, sonha! 

A Leitora, Auguste Renoir
A Leitora, Auguste RenoirArte escolhida pelo tema poesia. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons