Dar-se Enfim
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O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava escarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há perigo do coração livre!
Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio-pleno: gastá-lo.

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