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As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis: o resumo do romance das duas irmãs da aldeia novo

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2.338 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 7 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Júlio Dinis. A obra é dele e está em domínio público; o autor morreu em 1871. Os trechos citados vêm de uma edição de 1867, impressa no Porto (veja A edição, no fim). O romance tem uma noite de ciúme com uma espingarda na mão e um momento de desespero de um personagem, e o resumo conta os dois sem detalhe.

O livro

Júlio Dinis é o nome com que assinava Joaquim Guilherme Gomes Coelho, segundo o catálogo da biblioteca que guarda o exemplar lido aqui.

Na folha de rosto da edição de 1867, o nome vem escrito Julio Diniz, e o livro traz o subtítulo Chronica da aldeia.

A história se passa numa aldeia de Portugal que o romance não nomeia, de onde Daniel vai estudar no Porto.

Pupila, no título, é a moça que está sob a tutela de alguém, e as pupilas são as duas irmãs de quem o reitor é tutor.

Os dois filhos de José das Dornas

José das Dornas é um lavrador rico e alegre, viúvo, que aos setenta anos ainda trabalha mais do que muito rapaz.

Tem dois filhos.

Pedro, o mais velho, é forte como o pai, e o pai o prepara para cuidar das terras.

Daniel é franzino e de saúde fraca, e o pai tem medo de que o trabalho do campo acabe com ele.

O reitor da aldeia, o padre António, é um padre velho e bondoso, amigo de todos.

Ele aconselha o pai a pôr Daniel nos estudos e passa a ensinar latim ao menino, para fazer dele padre.

A pastora do monte

Daniel tem doze para treze anos quando começa a chegar atrasado às lições, e o pai reclama que ele só chega em casa ao anoitecer, às vezes de noite fechada.

O reitor segue o menino e o encontra num monte, deitado aos pés de uma pastorinha de uns doze anos, que guarda ovelhas e cabras com um cão enorme.

Ela se chama Margarida, e Daniel a chama de Guida.

Daniel está ensinando a menina a ler, e ela canta para ele a cantiga da cabreira, uma pastora que era filha de rei.

Daniel diz a ela que não quer ser padre, porque gosta dela e vai casar com ela, e dá um beijo na testa da menina.

O cão, que se chama Gigante, descobre o reitor escondido no centeio, e o padre vai embora sem dizer palavra.

No domingo, depois da missa, o reitor conta ao pai que viu o menino com uma namoradinha, sem dizer quem era, e diz que ele não tem vocação para padre.

Aconselha mandar Daniel para o Porto, longe da aldeia, para estudar cirurgia.

Menos de uma semana depois, Daniel parte para o Porto chorando, sem ter podido se despedir de Margarida.

Margarida e Clara

Margarida é a única filha do primeiro casamento de um carpinteiro, e perdeu a mãe aos cinco anos.

O pai casou de novo com uma mulher rica e virou lavrador.

A madrasta teve outra filha, não gostava de Margarida e a mantinha longe de casa, no monte, com o gado.

Depois que o pai morreu, a madrasta passou a jogar na cara dela que era pobre e que comia o pão da outra filha.

A outra filha é Clara, alegre e generosa, que gosta muito da irmã.

Numa noite de inverno, a madrasta obriga Margarida a fiar sozinha até terminar uma tarefa.

Margarida adormece de cansaço, e Clara se levanta escondida da mãe e termina o trabalho por ela.

Margarida pensa primeiro que foi um milagre, e de manhã descobre que foi a irmã.

Em outra ocasião, Clara faz o próprio padrinho, o cônego Arouca, comprar a fruta que Margarida não conseguia vender no mercado.

Quando a madrasta adoece, é Margarida quem cuida dela.

Na hora da morte, a madrasta a chama pelo apelido carinhoso pela primeira vez e pede perdão:

Só agora conheço a minha maldade e as tuas virtudes.

As Pupilas do Senhor Reitor, edição de 1867, página 47

Pede também que Margarida olhe por Clara, que fica sozinha.

O reitor fica tutor das duas órfãs.

Clara entrega a casa a Margarida, mas Margarida não quer viver sem trabalhar.

Ela aprendeu muito com os livros que o reitor lhe dava e com um velho arruinado que voltou para a aldeia, o senhor Álvaro, a quem as duas irmãs ajudam.

Decide ensinar meninas, e o narrador explica o que isso era para ela:

Ensinar era aprender, ensinar era amar; e estas duas necessidades d'aquelle espirito generoso, aprender e amar, se satisfaziam assim.

As Pupilas do Senhor Reitor, edição de 1867, página 50

Clara não gosta da ideia, mas o reitor decide a favor de Margarida.

O noivado de Pedro e Clara

Pedro já tem vinte e sete anos quando, cortando milho perto do rio, ouve Clara cantar entre as lavadeiras.

Os dois travam um desafio de quadras, e dali começa o namoro.

O reitor fica contente, porque gosta das duas famílias.

José das Dornas aceita o casamento, mas pede que se espere a volta de Daniel, que terminava naquele ano o curso na escola de medicina do Porto.

Margarida aprova o noivo da irmã, mas o nome da família de Pedro a faz pensar em Daniel, de quem nunca se esqueceu.

Daniel volta à aldeia

Daniel volta formado, com vinte e três anos.

Antes da chegada dele, o pai já tinha se gabado da tese do filho na venda de João da Esquina, e as ideias da tese escandalizaram o merceeiro.

O velho cirurgião da aldeia, João Semana, tem oitenta anos, não acredita nas novidades da ciência e responde a todas que o rapaz ainda vai ver como é a prática.

No Porto, Daniel viveu de amores passageiros, e já quase não se lembra de Margarida.

Quando Pedro o leva à casa das irmãs, Daniel cumprimenta Margarida sem a reconhecer, e ela sofre em silêncio.

Clara, ao contrário, o encanta logo, e ele diz ao irmão que não há na aldeia noiva mais bonita.

O doente, a filha do merceeiro e os versos

Margarida escreve a João Semana pedindo que visite o velho mestre, que está morrendo.

Daniel vai no lugar dele e encontra Clara à cabeceira do doente.

Ele percebe que está começando a se apaixonar pela noiva do irmão e se repreende.

No mesmo dia, vai atender a família de João da Esquina e passa a cortejar Francisca, a filha do merceeiro, uma moça triste por ter a pele morena, a quem chega a escrever versos.

Os pais de Francisca querem casar a filha com o rapaz rico, e o merceeiro vai à casa de José das Dornas exigir o casamento, com os versos na mão.

José das Dornas recusa, o reitor repreende Daniel, e a história corre a aldeia.

Daniel promete se emendar, mas fica com fama de estouvado e de homem perigoso.

A esfolhada

O casamento de Pedro e Clara vai sendo adiado.

Numa noite de lua cheia, a casa de José das Dornas faz a sua esfolhada, o serão em que a vizinhança tira a palha das espigas de milho.

Quem acha uma espiga vermelha, o milho-rei, tem de abraçar todos os presentes.

Daniel chega com o serão já começado, ninguém abre lugar para ele, e Clara lhe oferece o lugar ao lado dela.

Ele a abraça mais do que o costume manda e fala com ela de um jeito que a perturba.

Clara pede para ir embora, chorando, e Pedro e Daniel a levam para casa.

Nos dias seguintes, Daniel passa todo dia diante da casa das irmãs, e Clara conversa com ele da janela.

A aldeia começa a comentar, um trabalhador canta quadras de deboche quando Daniel passa, e o reitor pede a Margarida que vigie a irmã.

Margarida avisa Clara, e Clara pede a Daniel que não passe mais por ali.

A fonte

Daniel não passa mais pela rua, mas espera Clara à noite, escondido perto da fonte onde ela vai buscar água.

Clara o repreende e pede que, se ele é homem de bem, vá embora ou a deixe ir.

O velho João Semana chega a cavalo, e Clara foge para casa.

O reitor, que tinha visto tudo escondido no pinhal, aparece e diz que estava ali conversando com Daniel e com Clara, para proteger o nome da moça.

Daniel passa boa parte da noite acordado, acusando a si mesmo.

A noite no quintal

Daniel insiste com bilhetes, e Clara acaba aceitando falar com ele uma última vez, de noite, no quintal, para encerrar o assunto.

Margarida desconfia e segue a irmã sem ser vista.

Pedro sai de noite para vigiar um pinhal da família onde andavam roubando árvores, passa pela casa da noiva, ouve vozes no quintal e espera com a espingarda.

Quando Daniel sai, Pedro o detém.

Clara, ouvindo a voz do noivo, fecha a porta e desmaia, e Margarida a leva para longe.

Pedro reconhece o irmão e manda que ele fuja, para não acontecer uma desgraça.

O reitor chega e afasta Daniel.

Pedro arromba a porta e encontra Margarida ajoelhada.

Ele pergunta quem estava com Daniel, e ela responde: "Era eu!"

O reitor entende que Margarida se acusa no lugar da irmã e aceita o sacrifício.

O sacrifício de Margarida

Clara quer contar a verdade a Pedro.

Margarida a convence de que isso faria infelizes os dois irmãos, a própria Clara e todos em volta, e o reitor concorda.

O reitor encontra Daniel desesperado numa ponte sobre um despenhadeiro, conta a ele o que Margarida fez e o leva até a casa dela.

Lá, Daniel ouve Margarida ensinar às meninas a parábola do filho pródigo.

Daniel pede Margarida em casamento, para reparar o mal que fez, e ela recusa, porque não aceita um marido por compaixão.

Pouco depois, o reitor a encontra chorando, e Clara descobre que a irmã sempre amou Daniel.

A aldeia fala

Na venda de João da Esquina, a história corre cada vez mais aumentada, e quem defende Margarida é Joanna, a criada de João Semana.

As mães tiram as filhas da escola de Margarida.

O reitor sai com ela pela aldeia e, no largo, enfrenta as mães e beija a mão da sua pupila diante de todas.

José das Dornas chega e beija a mão de Margarida também.

Ele quer mandar Daniel para o Brasil, e o reitor sugere casar os dois.

A morte do mestre

Margarida vai visitar o velho Álvaro e o encontra sozinho, morrendo.

Daniel passa pela porta, ela pede socorro, e os dois estão juntos à cabeceira quando o velho morre.

Ali Daniel diz que a ama e lembra a infância dos dois.

O reitor chega, reza pelo morto e, sem que os dois percebam, abençoa os dois.

Duas bodas

Naquela mesma manhã, antes da morte do mestre, Clara tinha ouvido de Joanna o que a aldeia dizia da irmã.

De volta a casa, jura a Margarida que conta tudo, a não ser que ela aceite Daniel.

Ela conta a Daniel que Margarida o ama.

José das Dornas pede a Margarida que aceite o filho, e diz que, se ela recusar, manda o rapaz para longe.

Margarida aceita.

João Semana chega assustado com os boatos e encontra os dois casais conversando, e o reitor o convida para duas bodas.

O romance acaba com o reitor feliz por ter cumprido a tutela:

Estou certo que deixo felizes as minhas duas pupillas.

As Pupilas do Senhor Reitor, edição de 1867, página 282

Uma nota sobre a culpa no livro

O romance não põe a culpa em Margarida: ela assume a vergonha para salvar a irmã, e o livro a trata como a pessoa mais digna da aldeia.

O narrador é severo com Daniel, e o próprio Daniel, numa noite quase sem dormir, chama de infame o que fez com Clara e com o irmão.

Clara erra por imprudência, mas não trai o noivo, e o livro mostra que ela se arrepende.

O narrador observa também que a aldeia é indulgente com o homem e severa com a mulher, e o livro mostra uma moça condenada por boato, sem prova.

A edição

O texto lido aqui é o de As pupillas do Snr. Reitor, chronica da aldeia, por Julio Diniz, Porto, Typographia do Jornal do Porto, 1867, com o romance nas páginas 5 a 282.

O exemplar é o da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, digitalizado e publicado no Internet Archive.

Lemos o enredo no texto reconhecido por máquina desse arquivo, página por página, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido nesse texto.

A grafia é a da edição ("pupillas", "snr.", "fructo").

O texto reconhecido por máquina tem erros de acento e de letra em muitas páginas, e por isso só citamos frases em que ele bate letra por letra com a imagem.

Leia o romance inteiro, na edição de 1867, impressa no Porto pela Typographia do Jornal do Porto, no exemplar da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos digitalizado e publicado no Internet Archive. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. A obra está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Amor de Perdição, A Cidade e as Serras, O Primo Basílio e Os Maias.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é de Júlio Dinis. Os trechos citados vêm da edição de 1867 da Typographia do Jornal do Porto: os trechos em bloco saíram das páginas 47, 50 e 282, e a citação curta entre aspas vem também da página 210, todas copiadas da imagem da página e conferidas no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo.