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A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães: o resumo do romance da fazenda de Campos

Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Bernardo Guimarães. A obra é dele, saiu em 1875, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1955, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 1884, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1875 (Rio de Janeiro, B. L. Garnier), uma página por capítulo. A grafia é a de 1875, com formas como "Leoncio", "Alvaro" e "meo pae", e nós não a atualizamos. O romance fala de escravidão, que foi crime e violência contra pessoas, amparada pelas leis da época; o resumo conta isso sem descrever cenas de violência. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

Uma canção numa fazenda

O livro começa assim:

Era nos primeiros annos do reinado do Sr D. Pedro 2º.

A Escrava Isaura, capítulo 1

O lugar é uma fazenda grande no município de Campos dos Goytacazes, à beira do rio Paraíba, no Rio de Janeiro.

Numa tarde de outubro, a casa parece vazia, e só se ouve um piano e uma voz de mulher.

Ela canta uma cantiga triste, que começa assim:

Desd’o berço respirando Os ares da escravidão, Como semente lançada Em terra de maldição, A vida passo chorando Minha triste condição.

A Escrava Isaura, capítulo 1

Quem canta é Isaura, uma moça escravizada desde que nasceu.

A sinhá, Malvina, proíbe a cantiga, para que não pensem que Isaura é maltratada, e ameaça fechar o piano.

Isaura responde que a educação que recebeu não muda o que ela é naquela casa.

Essa educação, que me derão, e essa belleza, que tanto me gabão, de que me servem?... são trastes de luxo collocados na senzala do africano. A senzala nem por isso deixa de ser o que é; uma senzala.

A Escrava Isaura, capítulo 1
Quem é quem em A Escrava Isaura. Isaura, a heroína, nascida escravizada na fazenda, que no Recife usa o nome de Elvira. Miguel, o pai, português, antigo feitor, que no Recife usa o nome de Anselmo. Juliana, a mãe, escravizada, que sofreu a violência do comendador e morreu dos maus-tratos. A mulher do comendador, que criou Isaura, a manteve escravizada e morreu sem testamento. Leôncio, o senhor, filho do comendador. O comendador Almeida, que pediu dez contos pela liberdade de Isaura. Malvina, a mulher de Leôncio. Henrique, irmão de Malvina. Belchior, o jardineiro. Rosa e André, na fazenda. No Recife, Álvaro, o Dr. Geraldo e Martinho.
Quem é quem em A Escrava Isaura. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

De onde vem Isaura

A mãe de Isaura, Juliana, era escravizada na mesma fazenda.

O dono, o comendador Almeida, a forçou com ameaças e violência.

Depois, como ela não cedia mais, mandou-a para a roça e a maltratou até a morte, com a filha ainda pequena.

O pai é Miguel, um português que era o feitor da fazenda e foi mandado embora pelo comendador.

A mulher do comendador criou a menina dentro de casa.

Ensinou a ler e a escrever, pagou mestres de música, de dança, de italiano, de francês e de desenho.

Mas não a libertou.

Dizia que queria Isaura por perto enquanto vivesse, e prometia:

Por minha morte ficará livre, e eu terei o cuidado de deixar-lhe um bom legado.

A Escrava Isaura, capítulo 2

O testamento foi sendo adiado pelo comendador e pelo filho, e ela morreu de repente, sem deixar nada escrito.

Isaura continuou escravizada.

Leôncio

O filho do comendador, Leôncio, voltou de Paris depois de gastar boa parte da fortuna do pai, casou com Malvina, filha de um negociante rico da corte, e recebeu do pai a fazenda para administrar.

Ele passa a perseguir Isaura.

O narrador diz o que Leôncio pensa:

Isaura era propriedade sua, e quando nenhum outro meio fosse efficaz, restava-lhe o emprego da violencia.

A Escrava Isaura, capítulo 3

Isaura resiste a ele.

Na mesma manhã, o cunhado dele, Henrique, também a assedia, e o jardineiro Belchior insiste em casar com ela.

Malvina vê o marido ir para Isaura de braços abertos.

Exige que ele liberte ou venda Isaura, e que ela saia daquela casa.

Nessa hora aparece Miguel, com os dez contos de réis que o comendador tinha pedido pela liberdade da filha.

Leôncio diz que só o pai pode decidir, e senta para escrever a ele.

Antes que termine, chega uma carta de luto: o comendador morreu de repente.

Leôncio fica com tudo, e adia a liberdade.

A fuga

Malvina volta com o irmão para a casa do pai, no Rio de Janeiro.

Isaura é mandada trabalhar no salão das fiandeiras, onde Rosa, que tinha sido amante de Leôncio, a trata com raiva, e o pajem André também a assedia.

Leôncio volta a insistir, e ela responde:

o coração é livre; ninguem póde escravizal-o, nem o próprio dono.

A Escrava Isaura, capítulo 9

Ele manda trazer ferros para prendê-la e dá a ela o resto do dia para pensar.

Miguel chega nessa hora.

O dinheiro que não serviu para a liberdade serve para a fuga: os dois descem o rio de canoa até Campos e embarcam de madrugada num navio negreiro comandado por um amigo de Miguel.

O navio segue para a costa da África e deixa pai e filha no Recife.

O caminho de Isaura em seis passos, com os capítulos. A fazenda à beira do Paraíba, capítulos 1 a 9. A fuga de canoa pelo rio até Campos, capítulo 9. O navio negreiro comandado por um amigo de Miguel, que deixa os dois no Recife, capítulo 12. O Recife, com a chácara de Santo Antônio, Álvaro, o baile e o anúncio, capítulos 10 a 18. De volta, presa, dois meses num quarto escuro e o plano do casamento com Belchior, capítulos 18 a 20. O fim, na fazenda, capítulos 21 e 22.
Da fazenda de Campos ao Recife, e de volta. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Elvira, no Recife

Mais de dois meses depois, no Recife, pai e filha moram numa chácara do bairro de Santo Antônio, com outros nomes: Anselmo e Elvira.

Álvaro, um moço rico de vinte e cinco anos, se apaixona por ela.

Ele tinha libertado as pessoas que herdou como escravas, e organizado para elas, numa fazenda dele, uma colônia de trabalho, com arrendamento e disciplina comum.

Ela se apaixona por ele, e não conta quem é.

Álvaro pressiona os dois a ir a um baile, inventando que a vida escondida deles já despertava suspeitas da polícia.

Isaura pede para não cantar, mas Álvaro insiste na "canção da escrava" que já tinha ouvido, e ela acaba cantando ao piano, aplaudida pelo salão inteiro.

Num canto, um estudante chamado Martinho confere o rosto dela com um papel que tirou do bolso.

É um anúncio que começa assim:

Fugio da fazenda do Sr. Leoncio Gomes da Fonseca, no municipio de Campos, provincia do Rio de Janeiro, uma escrava por nome Isaura, cujos signaes são os seguintes:

A Escrava Isaura, capítulo 13

O anúncio oferece cinco contos de réis a quem prender Isaura e levá-la ao dono.

Martinho a denuncia diante de todos, e Isaura mesma confirma.

Senhores, o que esse homem diz, é verdade. Eu sou... uma escrava!...

A Escrava Isaura, capítulo 14

Álvaro e Leôncio

Álvaro fica como fiador de Isaura, e ela e o pai voltam para a chácara.

Numa conversa com o amigo, o advogado Geraldo, que acha tudo aquilo uma loucura, Álvaro diz:

A escravidão em si mesma já é uma indignidade, uma ulcera hedionda na face da nação, que a tolera e protege.

A Escrava Isaura, capítulo 15

Geraldo explica que, pela lei, o dono tem o direito de levar a escrava de volta.

Quando Martinho aparece com a polícia, Álvaro oferece a ele o dobro da recompensa, dez contos, para ele desistir.

Martinho aceita, e vai à polícia dizer que se enganou de pessoa.

Mas Leôncio já está a caminho e chega em pessoa ao Recife, com uma carta do ministro da Justiça e uma ordem de prisão contra Miguel.

Álvaro agarra Leôncio pela gola, e Isaura se apresenta ao senhor para interromper a briga.

Pai e filha voltam presos para Campos, e Martinho fica sem dinheiro nenhum.

O preço da liberdade, o dinheiro que o livro conta. Capítulo 6: o comendador pede a Miguel dez contos de réis em um ano. Capítulo 13: o anúncio promete cinco contos a quem prender Isaura. Capítulo 16: Álvaro oferece a Martinho dez contos para desistir, e Martinho não chega a receber. Capítulo 11: Álvaro tem cerca de dois mil contos. Capítulo 22: Leôncio deve de quatrocentos e tantos a quinhentos contos, e a fazenda não passaria de duzentos. Capítulo 22: Álvaro compra as dívidas pela metade do valor.
O dinheiro que o livro conta, em contos de réis. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O quarto escuro e o casamento

Na fazenda, Isaura passa dois meses presa num quarto escuro, com o pé preso a uma corrente.

Miguel é posto na cadeia e condenado a pagar as despesas da fuga.

Leôncio faz as pazes com Malvina, conta a ela mentiras sobre Isaura e arma um plano: dar a liberdade a Isaura se ela casar com Belchior, o jardineiro.

Ele mostra a Miguel uma carta com a letra de Álvaro imitada, dizendo que Álvaro se casou.

Miguel acredita na carta e, preso às dívidas e com a promessa de ter o dinheiro de volta, aceita o acordo e vai convencer a filha a casar.

Isaura se submete ao casamento imposto, e diz ao pai:

Estou morta, meo pae!... não sou mais que um cadaver;... fação de mim o que quiserem....

A Escrava Isaura, capítulo 20

Mais tarde, na conversa com um amigo, Leôncio conta o que pensa daquele casamento: ele não passa de uma farsa, e Isaura continuaria perto dele.

Leôncio também precisa de Malvina por outro motivo: está arruinado, e só o sogro pode salvar os negócios dele.

O fim

Na manhã do casamento, Leôncio espera o padre e o tabelião.

Quem entra na sala é Álvaro.

Ele tinha ido ao Rio de Janeiro, descoberto que Leôncio estava falido e comprado dos credores, pela metade do valor, as dívidas dele.

Chega com um escrivão e com a ordem de execução dos bens, e diz a Leôncio:

Essa escrava não lhe pertence mais.

A Escrava Isaura, capítulo 21

Isaura diz que casava forçada.

Álvaro diz a ela que agora é ela quem tem nas mãos o que era de Leôncio.

Isaura, tu és hoje a senhora, e elle o escravo; se não quizer mendigar o pão, ha-de recorrer á nossa generosidade.

A Escrava Isaura, capítulo 22

Isaura se ajoelha e pede perdão para eles.

Álvaro a levanta e a pede em casamento.

Leôncio entra num quarto ao lado e se mata com um tiro, e Malvina desmaia.

O livro termina aí.

Uma nota sobre 1875

O romance saiu em 1875, treze anos antes da abolição, e o narrador chama a escravidão de "instituição absurda e deshumana".

Ao mesmo tempo, o livro traz marcas do seu tempo.

O romance faz da heroína, filha de uma mulher escravizada, uma mulher branca de pele, e isso é marca do tempo em que foi escrito.

As outras pessoas escravizadas da fazenda aparecem pouco, e às vezes com palavras que hoje reconhecemos como racistas.

Registramos isso como está no texto, sem corrigir as palavras.

Duas falhas da edição de 1875

A edição de 1875 troca dois nomes, e a Wikisource marca os dois em nota.

No capítulo 12, o pai de Isaura aparece quatro vezes como "Daniel", e não como Miguel.

No capítulo 22, a fala de Álvaro que começa com "Pobre Isaura!" vem atribuída a "Leoncio".

Neste resumo, usamos o nome certo, que é o que o resto do livro dá.

Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, feita da edição de 1875, com os 22 capítulos em páginas separadas. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, na grafia da época. A Escrava Isaura não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1955.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Senhora, O Guarani, Iracema, A Moreninha e O Cortiço.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Bernardo Guimarães. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1875, e saíram dos capítulos 1, 2, 3, 9, 13, 14, 15, 20, 21 e 22. A grafia da fonte é a de 1875 e não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo. A nota sobre 1875 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.