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O Noviço, de Martins Pena: o resumo da comédia em três atos novo

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1.678 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Martins Pena. A peça é dele e está em domínio público. Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna publicadas pelo Jornal do Brasil em 1927, e cada citação em bloco traz a página e quem fala.

Uma comédia de família

O Noviço é uma comédia em três atos, em prosa, passada numa casa rica do Rio de Janeiro.

A edição que lemos escreve os nomes como no tempo dela: Ambrosio, Florencia, Emilia.

No nosso texto usamos a grafia de hoje.

As personagens principais são Ambrósio, Florência, que é a mulher dele, os dois filhos dela, Emília e o menino Juca, de nove anos, Carlos, sobrinho de Florência e noviço, isto é, rapaz em preparação para a vida religiosa, no convento de São Bento, Rosa, uma moça do Ceará, e o Padre Mestre dos noviços.

O plano de Ambrósio

A peça começa com Ambrósio sozinho.

Ele diz que a fortuna é de quem sabe conquistá-la, e que oito anos antes era pobre e hoje é rico.

Florência era uma viúva rica, e casou com ele.

Ambrósio a convence de que Emília deve ser freira e Juca, frade, para não ter de entregar a eles, quando crescerem, a parte da herança que lhes cabe.

Carlos, sobrinho dela, já está no convento há quase seis meses, e Ambrósio quer que ele faça os votos.

Para animar Juca, que chora com o hábito de frade, Ambrósio promete um carrinho de prata com cavalos de ouro, e o menino sai cantando "Eu quero ser frade".

Emília chora e diz à mãe que não tem vocação.

Sozinha, conta que detesta o padrasto e que ama o primo Carlos.

Carlos foge do convento

Carlos entra correndo, de hábito, e diz que fugiu.

Reclama do jejum, das rezas e da vida de frade, e diz que queria mesmo era ser militar.

Conta a Emília que acredita que Ambrósio os quer no convento para ficar com a herança deles.

Juca aparece e conta a promessa do carrinho, e Carlos jura que vai desmascarar o padrasto.

Rosa, a primeira mulher

Batem à porta.

É Rosa, que acaba de chegar do Ceará de vapor.

Achando que Carlos é um padre, ela conta a ele a sua história: casou com Ambrósio no Ceará, ele vendeu os bens da família dela, foi para Montevidéu dizendo que ia fazer negócio, e desapareceu havia seis anos.

Agora soube que ele vive no Rio e que casou de novo.

Ela traz duas certidões do casamento, e Carlos fica com uma.

Carlos esconde Rosa num quarto.

Quando Ambrósio, Florência e Emília se preparam para sair para a igreja, Carlos leva Ambrósio até a porta do quarto e mostra quem está lá.

Ambrósio se assusta e sai arrastando as duas mulheres para a rua.

Rosa desmaia ao saber que o marido casou com outra.

Para acordá-la, Carlos manda Juca buscar alguma coisa, e o menino traz um galheteiro, com vinagre, azeite, pimenta e sal.

A troca de roupa

Pela janela, Carlos vê o Padre Mestre com meirinhos, oficiais de justiça, procurando por ele.

Ele diz a Rosa que os homens vêm prendê-la a mando do marido e propõe trocar de roupa.

Rosa veste o hábito de frade, e Carlos veste o vestido, a touca e o xale dela.

Quando o Padre Mestre chega, Carlos se faz passar pela tia do noviço e diz que o rapaz está no quarto.

Assim que Rosa sai, de hábito, os meirinhos a agarram e a levam à força para o convento.

O segundo ato

Carlos, ainda vestido de mulher, espera Ambrósio.

Ambrósio volta sozinho para falar com Rosa e, sem olhar direito, fala com Carlos como se fosse ela.

Ameaça, manda que ela deixe a cidade, e Carlos o derruba no chão e ri.

Com a certidão na mão, Carlos dita as condições.

Nem eu, nem o primo Juca queremos ser frades.

O Noviço, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 106, fala de Carlos

Quer também casar com Emília e receber a herança que lhe cabe.

Ambrósio aceita tudo e se ajoelha pedindo o papel, e é assim que Florência e Emília o encontram: ajoelhado aos pés de uma mulher.

Quando descobrem que é Carlos, ele diz que era "uma comedia que ensaiavamos para sabbado de Alleluia".

Ambrósio confirma, promete que Carlos não será frade e que vai casar com a prima, e Carlos lhe entrega a certidão, que Ambrósio rasga.

Nessa hora o Padre Mestre volta com os meirinhos e leva Carlos à força.

O Mestre fica e ouve a família dizer que o rapaz não tem vocação, e diz o que pensa.

Deus, senhores, não se compraz com sacrificios alheios... Sirva-o cada um com seu corpo e alma, porque cada um responderá por suas obras.

O Noviço, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 111, fala do Mestre

Depois conta o que aconteceu: Carlos tinha dado uma cabeçada no Dom Abade e fugido, e o noviço que eles levaram ao convento era uma mulher vestida de frade.

Florência desconfia e cobra de Ambrósio quem era a mulher do quarto.

Ele diz que foi alguém que amou no passado, e quase a convence.

Mas Rosa entra, vestida de frade, tira o chapéu, diz que é a primeira mulher dele e entrega a certidão a Florência.

Enquanto Florência lê a certidão, Ambrósio tenta fugir, mas os meirinhos aparecem à porta e o prendem.

Florência se diz traída.

O terceiro ato

Oito dias depois, Florência está de cama, doente de desgosto.

Emília conta que Ambrósio fugiu pulando o muro do quintal, e o procurador diz que há ordem de prisão contra ele.

Florência pede ao Dom Abade que mande alguém para tratar da saída de Carlos do convento.

Carlos foge outra vez, "Não ha grades que me prendam", diz ele, e se esconde debaixo da cama da tia.

O Padre Mestre vem procurá-lo e conta que o convento vai deixá-lo sair, depois de um castigo.

José anuncia um frade que teria vindo da parte do Dom Abade.

É Ambrósio disfarçado.

Ele fecha as portas, revela quem é e exige dinheiro para fugir, ameaçando Florência.

Ela grita por socorro, a luz se apaga, e no escuro Ambrósio agarra Carlos pensando que é ela; Carlos lhe dá uma bofetada, e Ambrósio se esconde num armário.

Um vizinho, Jorge, entra com homens armados.

Florência diz que um ladrão vestido de frade a atacou, e os homens acham Carlos debaixo da cama e lhe dão uma surra.

Na fuga, Carlos derruba o armário, com Ambrósio dentro.

Rosa vem visitar Florência, e as duas, enganadas pelo mesmo homem, fazem as pazes.

Ambas fomos trahidas pelo mesmo homem, ambas servimos de degrau á sua ambição...

O Noviço, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 129, fala de Rosa

Ambrósio fica preso no armário caído.

Quando ele põe a cabeça para fora, as duas o castigam com uma vassoura e um travesseiro.

Os meirinhos voltam trazendo Carlos como o ladrão, e Florência explica o engano.

Rosa mostra a ordem de prisão, o armário é levantado, e Ambrósio é preso.

Ele ainda tenta acusar Carlos, mas o Padre Mestre traz a licença do Dom Abade para Carlos sair do convento.

Carlos e Emília ficam livres para casar.

Uma nota de leitura

A peça ri de quem usa a religião para fazer negócio.

Ambrósio fala bonito sobre o convento e sobre a virtude, mas o que quer é a herança, e o Padre Mestre diz que Deus não quer sacrifício feito à força dos outros.

Ri também da confusão de roupas, de esconderijos e de pancadas, que é o motor da comédia.

Numa fala, Florência menciona as mulheres escravizadas da casa, que não aparecem como personagens.

A escravidão foi um crime, e a página registra isso sem repetir os termos da época.

A edição que lemos

Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna, o número 8 do Supplemento Romantico do Jornal do Brasil, impresso nas oficinas gráficas do jornal, no Rio de Janeiro, em 1927.

A peça vai das páginas 83 a 134.

A edição de 1927 não dá a data da peça, e por isso este resumo também não dá.

Lemos o texto nas imagens do exemplar da Universidade da Carolina do Norte digitalizado no Internet Archive.

O texto reconhecido por máquina dessa edição tem muitos erros, e por isso cada trecho citado foi copiado da imagem da página e só entrou quando a imagem e esse texto coincidiam.

Por que ler hoje

Porque é uma comédia de enganos que ainda funciona: disfarces, portas fechadas e um vilão que cai na própria armadilha.

E porque o assunto continua sério por baixo da graça: ninguém deveria ter a vida decidida por quem só pensa no dinheiro.

Leia a peça, nas imagens das Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927), no exemplar da University of North Carolina digitalizado no Internet Archive. A peça vai das páginas 83 a 134. O acervo da Net Love tem este resumo, não a peça inteira. A peça está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Juiz de Paz da Roça, Auto da Barca do Inferno, Memórias de um Sargento de Milícias e A Moreninha.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui a peça. A obra é de Martins Pena. Os trechos citados vêm das Comedias de Martins Penna, Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927: os trechos em bloco saíram das páginas 106, 111 e 129, e as frases curtas entre aspas na prosa vêm também das páginas 93, 107 e 120, todas copiadas da imagem da página e conferidas no texto reconhecido por máquina. A grafia da edição não foi mexida. As citações não trazem fala com travessão. A nota de leitura foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.