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Os Irmãos das Almas, de Martins Pena: o resumo da comédia em um ato

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1.815 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Martins Pena. A peça é dele e está em domínio público. Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna publicadas pelo Jornal do Brasil em 1927, e cada citação em bloco traz a página e quem fala.

Uma comédia de Finados

Os Irmãos das Almas é uma comédia em um ato, em prosa.

A lista de personagens diz que a ação se passa no Rio de Janeiro, em 1844, no Dia de Finados, e durante toda a peça se ouvem ao longe os sinos dos mortos.

A edição escreve os nomes como no tempo dela: Marianna, Eufrazia, Luiza, Tiburcio.

No nosso texto usamos a grafia de hoje.

Irmãos das almas eram homens que andavam pelas ruas vestidos de opa, uma capa de irmandade religiosa, pedindo esmola para as missas pelos mortos.

Na peça, Jorge, Souza, Felisberto e Tibúrcio vestem a opa, cada um por um motivo que não é a devoção: Jorge para lucrar, Souza para ganhar o seu pagamento, Felisberto para entrar nas casas e Tibúrcio para ver a namorada.

As personagens são Mariana, a sogra, Eufrásia, filha dela, Jorge, marido de Eufrásia, Luísa, irmã de Jorge, e Tibúrcio, o namorado de Luísa.

Entram também Souza, compadre de Mariana, e Felisberto, sobrinho de Mariana e primo de Eufrásia.

O segredo de Luísa

A peça começa com Luísa sozinha.

Ela mora de favor na casa do irmão e sabe que a sogra dele e a cunhada não gostam dela.

Eufrásia se prepara para visitar as igrejas e ver as urnas dos mortos, enfeitadas para o dia, e convida Luísa, que não quer ir.

Luísa conta à cunhada por que está triste.

Descobriu que Tibúrcio é "pedreiro livre", isto é, maçom.

Na casa se acredita em histórias assustadoras sobre os maçons, como a de que falam com o diabo à meia-noite, e por isso Luísa decidiu que não pode casar com ele.

Jorge e as seis opas

Jorge chega de opa verde, com uma bacia de prata cheia de dinheiro, ovos e bananas.

Manda a irmã esconder metade do dinheiro antes que a mulher veja.

Luísa diz que tem nojo de usar esmola pedida para as almas, e Jorge responde que deixou dois cruzados para as missas e que o resto é dele.

Duvido que assim a tua se salve...

Os Irmãos das Almas, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 58, fala de Luísa

Jorge abre o armário e mostra seis opas, uma cor para cada dia da semana.

Ele não presta contas a nenhum tesoureiro de irmandade.

Nada! o santo d'estas opas sou eu!... não tenho descanço, mas tambem o lucro não é máu.

Os Irmãos das Almas, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 59, fala de Jorge

Depois Jorge se queixa do casamento.

Diz que a mulher e a sogra o maltratam, e que Felisberto, primo da mulher, entra em casa sem cerimônia e fala em segredo com Eufrásia.

Luísa pede que ele se mostre dono da casa.

Jorge marcha até a porta do quarto para expulsar Felisberto, mas para ao chegar à porta e prefere sair para buscar na botica um sinapismo, um emplastro de mostarda que a sogra encomendou.

O compadre e o sobrinho

Mariana fica sozinha e diz que vai atrapalhar a vida de Luísa até ela ir embora.

Chega o compadre Souza, também de opa.

Ele diz que é honesto e que só ganha duas patacas, moedas da época, por dia do tesoureiro da irmandade.

Jorge, escondido na porta, ouve Souza aconselhar Mariana a não deixar a filha ceder ao marido.

Felisberto aparece, e Mariana quer arranjar um emprego para ele.

Souza oferece uma opa para o rapaz pedir esmolas.

Felisberto aceita e repara, à parte, que a opa abre a porta das casas.

Jorge e Felisberto discutem.

Felisberto diz que a casa não é de Jorge, e Jorge sai batendo os pés.

A briga com o sinapismo

Jorge volta furioso e decide enfrentar a mulher.

Os dois trocam insultos, Jorge ameaça bater em Eufrásia, e ela chama a mãe aos gritos.

Mariana entra com o sinapismo na mão e, no meio da briga, acerta o rosto do genro com o emplastro.

Jorge sai correndo e gritando que não enxerga.

Mãe e filha riem e concluem que o sinapismo é o remédio para maridos.

As duas saem para a igreja de São Francisco, e Luísa fica tomando conta da casa.

Tibúrcio de opa

Ouve-se alguém pedindo esmola para as almas.

É Tibúrcio, vestido de irmão das almas para poder entrar sem levantar suspeita.

Ele conta que ganhou um conto de réis na loteria, que vai abrir um armarinho, uma loja de miudezas, e que agora pode pedir Luísa ao irmão.

Luísa recusa, chora e, por fim, confessa o motivo: ele é maçom.

Tibúrcio ri, diz que isso são histórias que puseram na cabeça dela e jura que nunca falou com o diabo.

Ouve-se a voz de Mariana voltando.

Luísa esconde Tibúrcio no armário.

O relógio

Mariana volta amparada por Souza, quase esmagada pelo aperto da igreja, e o convida para jantar.

As mulheres saem, e Souza fica descansando na sala.

De repente se ouvem gritos de pega ladrão.

Felisberto entra correndo, de opa e bacia, e põe um relógio na mão de Souza.

Diz que entrou numa casa para pedir esmola e saiu com o relógio na mão sem saber como.

Quando ouve o povo chegando, ele se esconde no armário.

Souza fica com medo de ser apanhado com o relógio, deixa-o na mesa e tenta sair, mas para ao ouvir a voz de Jorge.

Jorge entra indignado: na rua o tomaram por ladrão por causa da opa.

Vê o relógio e quatro bacias de esmola na mesa.

tenho tres homens dentro de casa?... Oh!! com os diabos!! e todos tres irmãos das almas!... e ladrões ainda em cima!!...

Os Irmãos das Almas, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 73, fala de Jorge

Jorge resolve se esconder no armário para espiar.

Eufrásia, que o viu entrar ali, tranca o armário à chave e chama a mãe para ver o canário preso.

O armário

Lá dentro há gritos e pancadas na porta.

Mariana e Eufrásia correm pela sala gritando que há ladrões em casa, e chega uma patrulha de soldados com um cabo.

O cabo abre o armário e Jorge sai dizendo que os ladrões ainda estão lá dentro.

Sai Souza, que é levado preso para o quartel apesar dos protestos da comadre.

Depois sai Felisberto, que derruba Jorge no chão e foge, com os soldados atrás.

Mariana culpa Luísa por tudo e manda que ela junte a roupa e vá embora.

Nessa hora Tibúrcio sai do armário para defender Luísa.

Eufrásia o reconhece e grita que ele é maçom, e mãe e filha fogem apavoradas.

Jorge descobre o remédio

Jorge, que olhava tudo da porta, abraça Tibúrcio como seu salvador.

Descobriu um jeito de pôr medo na mulher e na sogra.

Ele concorda com o casamento de Luísa e combina um plano: Tibúrcio se esconde outra vez no armário e, quando Jorge bater o pé e gritar "Satanaz", ele pula para fora.

Mariana e Eufrásia voltam para enfrentar Jorge.

Ele diz que entrou para a sociedade dos maçons e faz sinais estranhos com as mãos.

Tibúrcio sai do armário, e os dois homens agarram as mulheres e rodam com elas pela sala, até que elas fogem aos gritos.

Jorge entrega Luísa a Tibúrcio.

Mariana e Eufrásia tentam fugir de casa com as trouxas de roupa.

Na porta da rua dão de cara com um irmão das almas que pede "Esmolas para missas das almas!", voltam correndo, encontram Jorge e Tibúrcio e caem de joelhos pedindo que não as levem para o inferno.

Jorge comemora que agora é senhor da sua casa.

Jorge, Tibúrcio e Luísa riem às gargalhadas, e o irmão das almas repete o seu pedido de esmola enquanto o pano desce.

Uma nota de leitura

A peça ri de quem usa a opa para fazer negócio.

Jorge guarda as esmolas, Felisberto usa a opa para entrar nas casas, e até Souza, que se diz honesto, acaba preso por causa de um relógio que não roubou.

Ri também do medo feito de boato: as mulheres acreditam em histórias sobre os maçons, e é esse medo que Jorge usa para mandar na casa.

O casamento que a peça mostra é uma guerra de casa, com gritos, ameaças e um emplastro no rosto, contada como pancadaria de comédia, e o leitor de hoje pode notar que no fim Jorge troca um mando por outro.

A edição que lemos

Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna, o número 8 do Supplemento Romantico do Jornal do Brasil, impresso nas oficinas gráficas do jornal, no Rio de Janeiro, em 1927.

A peça vai das páginas 55 a 81.

A edição de 1927 não dá a data da peça, só o ano em que a ação se passa, e por isso este resumo não diz quando ela foi escrita.

Lemos o texto nas imagens do exemplar da Universidade da Carolina do Norte digitalizado no Internet Archive.

O texto reconhecido por máquina dessa edição tem muitos erros, e por isso cada trecho citado foi copiado da imagem da página e só entrou quando a imagem e esse texto coincidiam.

Por que ler hoje

Porque é uma comédia curta, feita de portas, armários, disfarces e correria.

E porque mostra, com graça, como o medo e a aparência de devoção podem ser usados por quem só pensa em si.

Leia a peça, nas imagens das Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927), no exemplar da University of North Carolina digitalizado no Internet Archive. A peça vai das páginas 55 a 81. O acervo da Net Love tem este resumo, não a peça inteira. A peça está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Caixeiro da Taverna, O Noviço, O Judas em Sábado de Aleluia e O Juiz de Paz da Roça.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui a peça. A obra é de Martins Pena. Os trechos citados vêm das Comedias de Martins Penna, Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927: os trechos em bloco saíram das páginas 58, 59 e 73, e as frases curtas entre aspas na prosa vêm também da página 80 e das páginas 57, 70, 78 e 79, todas copiadas da imagem da página e conferidas no texto reconhecido por máquina. A grafia da edição não foi mexida. As citações não trazem fala com travessão. A nota de leitura foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.