O Caixeiro da Taverna, de Martins Pena: o resumo da comédia em um ato
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Martins Pena. A peça é dele e está em domínio público. Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna publicadas pelo Jornal do Brasil em 1927, e cada citação em bloco traz a página e quem fala.
Uma comédia de balcão
O Caixeiro da Taverna é uma comédia em um ato, em prosa.
A lista de personagens diz que a ação se passa no Rio de Janeiro, em 1845.
A cena é uma sala de onde se vê a taverna, uma venda de bebidas e comida, com o seu balcão e as suas pipas.
A edição escreve os nomes como no tempo dela: Manoel, Angelica, Antonio.
No nosso texto usamos a grafia de hoje para Angélica e Antônio, e mantemos Manoel, que é como ele se chama na peça.
Caixeiro era o empregado que atendia no balcão e cuidava das contas.
As personagens são Manoel, primeiro caixeiro, Angélica, a dona da casa, viúva do antigo patrão, Deolinda, costureira, Francisco, amigo de Manoel e funileiro, e Quintino, sargento de fuzileiros e irmão de Deolinda.
Antônio e José são caixeiros da venda, e José não fala.
A ambição de Manoel
A peça começa com Manoel somando as contas dos fregueses que devem à viúva.
Ele manda José cobrar e ameaça pôr no jornal o nome de quem não pagar.
Depois manda Antônio misturar água na aguardente e encher as pipas, os barris grandes, de vinho com água, talos de cachos de banana e pau-campeche, uma madeira que dá cor, para vender a mistura como "vinho superior da companhia do Alto-Douro".
Sozinho, Manoel se queixa.
Chegou do Porto há seis anos e ainda é caixeiro, e diz que uma ambição sem fim não o deixa em paz.
Ambição! horrivel martyrio! quando te verei eu satisfeita ?
O Caixeiro da Taverna, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 137, fala de Manoel
O amigo funileiro
Entra Francisco, amigo de Manoel.
Ele diz que um funileiro já não ganha a vida, porque a cidade prefere a obra dos artistas estrangeiros, e que o pai deveria tê-lo mandado estudar leis em São Paulo.
Francisco se gaba de fazer a seringa de água que esguicha mais longe.
ás vezes custa mais fazer-se uma seringa de esguicho do que certas leis.
O Caixeiro da Taverna, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 138, fala de Francisco
Então Francisco conta o que veio dizer: quer casar com Angélica, a patroa de Manoel, viúva há oito meses.
Manoel pede que ele desista.
Francisco acha que o amigo quer a viúva para si e diz que então vai casar com a vizinha Deolinda.
Manoel responde que Deolinda já é casada, e em voz baixa conta com quem: com ele.
Francisco não entende como um homem casado pode querer casar outra vez.
Manoel explica que a sua ambição é outra: quer ser "Socio de minha ama!", e lembra a condição de empregado.
E ainda sou caixeiro!... caixeiro!... sabes tu o que é um caixeiro?...
O Caixeiro da Taverna, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 140, fala de Manoel
Ele diz que Angélica gosta dele.
Por isso esconde o casamento, que nem Quintino, o irmão de Deolinda, conhece: se a patroa souber, põe Manoel na rua antes de assinar a escritura da sociedade.
Francisco promete guardar segredo.
A patroa e o sargento
Angélica entra e trata Manoel com carinho.
Pede que ele não se canse demais, que não vá às festas dos caixeiros nem aos bailes de máscaras, e quase deixa escapar o que sente.
Chega Quintino.
Diz que na vizinhança contam que Manoel namora a irmã dele.
Manoel nega, diz que só foi buscar umas camisas que mandou Deolinda costurar, e acaba insultando o sargento, que puxa a espada.
Angélica acalma os dois.
Quintino conta que quer casar a irmã com o alferes da companhia dele, e Manoel não consegue esconder o susto.
Sozinha com Manoel, Angélica anuncia que vai dar sociedade na casa a certa pessoa, porque uma mulher sozinha pouco representa.
Diz que vai lá dentro escrever um papel e pede que ele espere.
Manoel fica certo de que vai ser sócio.
Deolinda
Deolinda chega querendo falar com o marido.
Manoel, com medo de que a patroa apareça, a manda embora com grosseria e ameaças.
Ela chora, e ele muda o tom e explica: a patroa vai lhe dar sociedade, e se souber que ele é casado desfaz tudo.
Deolinda aceita esperar.
Angélica volta com o papel e encontra Manoel de braços abertos para abraçar Deolinda.
Ele diz que estava mostrando o tamanho dos braços para as camisas.
As duas mulheres trocam insultos e quase se atracam.
Francisco chega, Angélica se queixa das costureiras de Manoel, e Manoel ameaça sair da casa.
Angélica implora que ele fique, e Deolinda percebe que a patroa ama o marido dela.
A mentira de Manoel
Quintino volta: soube que a irmã casou escondido.
Deolinda confessa que está casada e manda o irmão perguntar a Manoel quem é o marido.
Angélica, furiosa, ameaça rasgar o papel.
Manoel então inventa que foi padrinho do casamento e que o marido é Francisco.
Pedindo baixinho que o amigo o salve, abraça Francisco, que aceita a mentira.
Quintino se dá por satisfeito e sai para encomendar um jantar de festa.
Angélica desconfia e deixa Francisco sozinho com a suposta mulher.
Deolinda está zangada com o marido que a entregou a outro.
Quando Angélica e Manoel voltam, Francisco e Deolinda se abraçam para enganar a patroa, e Manoel quase estoura de ciúme.
Depois Manoel e Deolinda fazem as pazes e se abraçam, e Angélica os pega no abraço.
Manoel diz que Deolinda é afilhada dele.
A escritura
Angélica decide descobrir a verdade.
Sozinha com Francisco, diz que o amava e mostra uma escritura de casamento já pronta, só com o nome do noivo em branco.
O papel que ela foi escrever não era de sociedade, era uma promessa de casamento.
Francisco jura que é solteiro e se ajoelha aos pés dela.
Quintino entra e vê o suposto cunhado ajoelhado diante de outra mulher.
Manoel também vê e chama o amigo de falso.
Francisco diz que ama Angélica, e Quintino o agarra pela gola e o ameaça com a espada.
Ao barulho chegam Antônio e José, armados de achas de lenha, que são pedaços de lenha, e Deolinda.
Quintino conta à irmã que encontrou o marido dela aos pés de outra.
Deolinda vai até Manoel e o chama de traidor, e assim todos descobrem quem é o marido.
Angélica entrega a escritura de casamento a Francisco e diz a Manoel que ele deixa de ser caixeiro dela, porque agora ela tem um marido e um sócio.
Manoel acusa o amigo, e Francisco responde.
fui marido de tua mulher... tu és o culpado, eu não!...
O Caixeiro da Taverna, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 156, fala de Francisco
Manoel culpa ainda a mulher, o cunhado e a patroa, e Angélica o põe para fora.
O fim
Manoel perde o juízo de desespero.
Grita que será sempre caixeiro, que paga imposto como um burro, e começa a berrar como um boi.
Chega a pedir a Antônio que acabe com ele.
Todos se assustam e têm pena.
Angélica então perdoa a afronta, lembra os serviços de Manoel e anuncia que ele será sócio dela e de Francisco.
Manoel se levanta devagar, cai de joelhos de mãos para o céu e diz que a sua ambição está satisfeita.
Uma nota de leitura
A comédia ri da ambição e das pequenas fraudes do balcão: o vinho com água, a placa que engana o freguês, a conta cobrada com ameaça.
Ri também de como uma mentira puxa outra, até o mentiroso perder o que queria guardar.
O desespero do fim é exagero de comédia, e o perdão chega na hora.
A queixa de Francisco contra os artistas estrangeiros é fala de uma personagem do seu tempo, e a peça a mostra entre risos.
A edição que lemos
Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna, o número 8 do Supplemento Romantico do Jornal do Brasil, impresso nas oficinas gráficas do jornal, no Rio de Janeiro, em 1927.
A peça vai das páginas 135 a 157.
A edição de 1927 não dá a data da peça, só o ano em que a ação se passa, e por isso este resumo não diz quando ela foi escrita.
Lemos o texto nas imagens do exemplar da Universidade da Carolina do Norte digitalizado no Internet Archive.
O texto reconhecido por máquina dessa edição tem muitos erros, e por isso cada trecho citado foi copiado da imagem da página e só entrou quando a imagem e esse texto coincidiam.
Por que ler hoje
Porque é uma comédia curta e rápida, com segredos, trocas de casal e um sargento de espada na mão.
E porque a vontade de subir na vida a qualquer preço continua a ser assunto de comédia.
Leia a peça, nas imagens das Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927), no exemplar da University of North Carolina digitalizado no Internet Archive. A peça vai das páginas 135 a 157. O acervo da Net Love tem este resumo, não a peça inteira. A peça está em domínio público.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Os Irmãos das Almas, Quem Casa, Quer Casa, O Noviço e O Juiz de Paz da Roça.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui a peça. A obra é de Martins Pena. Os trechos citados vêm das Comedias de Martins Penna, Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927: os trechos em bloco saíram das páginas 137, 138, 140 e 156, e as frases curtas entre aspas na prosa vêm das mesmas páginas, todas copiadas da imagem da página e conferidas no texto reconhecido por máquina. A grafia da edição não foi mexida. As citações não trazem fala com travessão. A nota de leitura foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.



