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O conto dos dois irmãos

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O Conto dos Dois Irmãos é uma narrativa egípcia do reinado de Seti II (cerca de 1200 a 1194 a.C., XIX dinastia), conservada no Papiro D'Orbiney, hoje no Museu Britânico. É um conto literário, e não um texto de culto, e não se confunde com a história de Osíris. Os dois irmãos são Anpu, o mais velho, que é casado (o nome é a forma egípcia de Anúbis), e o mais novo, Bata.

Trabalham juntos, no campo e no gado. A mulher de Anpu tenta seduzir Bata. Ele recusa, e ela diz ao marido que foi Bata quem a atacou. Anpu tenta matá-lo. Bata foge e reza a Rá-Harakhti, que cria entre os dois um lago cheio de crocodilos. Do outro lado, Bata conta a verdade e, para provar que é sincero, fere a si mesmo. Avisa que irá para o Vale do Cedro, onde porá o coração sobre a flor de um cedro. Se cortarem a árvore, Anpu deve procurá-lo. Anpu volta para casa e mata a mulher.

No Vale, os deuses da Enéade têm pena de Bata, e Khnum cria uma mulher para ele. O faraó a deseja e a leva. Ela manda cortar o cedro, e Bata morre. Anpu recebe uma jarra de cerveja que espuma, entende o sinal e vai ao Vale. Procura o coração durante anos, até achá-lo. Põe-no numa tigela de água fria, e Bata revive.

Bata se torna um touro e vai ao palácio. A mulher, que o reconhece, pede ao faraó o fígado do animal. O touro é sacrificado, e duas gotas do sangue dão duas árvores. Ela as manda cortar para fazer móveis, uma lasca entra na boca dela e a deixa grávida. O filho que nasce é feito príncipe herdeiro. Quando o faraó morre, o príncipe, que é Bata renascido, vira rei e nomeia Anpu seu herdeiro. Os dois terminam a história em paz.

O verbete que serve de base lê no conto temas da realeza e da divisão do Egito em Alto e Baixo Egito. O papiro tem outras partes e outras leituras que este verbete não traz.

Veja também: Anúbis, o que cuida dos mortos; Rá, o sol de muitos nomes; Osíris e Ísis.

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