O Caso da Vara, de Machado de Assis: o resumo do conto do seminarista e da menina escravizada novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Páginas Recolhidas, da casa H. Garnier, nas páginas 3 a 14, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa. O conto é sobre a escravidão e o castigo de uma menina escravizada; o resumo diz pessoas escravizadas onde o livro usa as palavras da época, e conta o fim sem a cena.
A fuga
Numa sexta-feira de agosto, antes de 1850, Damião foge do seminário às onze horas da manhã.
Não quer ser padre, e não pode ir para casa, porque o pai o mandaria de volta depois de um castigo.
O padrinho, João Carneiro, foi quem o levou ao seminário, e é um homem sem vontade própria.
Damião resolve pedir ajuda a Sinhá Rita, uma viúva de quem o padrinho gosta, e que mora no largo do Capim.
Sinhá Rita vive de ensinar renda, crivo e bordado.
Na sala dela trabalham meninas escravizadas, da casa e de fora, cada uma diante da sua almofada de renda.
Damião se ajoelha, beija as mãos dela e pede que o salve.
Ela hesita, até ele dizer que o padrinho não atende ninguém; ferida no orgulho, manda chamar João Carneiro.
A menina
Enquanto esperam, Damião conta histórias engraçadas, e uma das meninas, Lucrécia, ri de uma delas.
Sinhá Rita a ameaça: se a tarefa não estiver pronta ao anoitecer, ela será castigada.
Lucrécia é uma menina escravizada de onze anos, magra, que tosse baixinho para não atrapalhar a conversa.
Damião tem pena dela e decide que, se ela não acabar a tarefa, vai pedir por ela, porque foi ele que a fez rir.
João Carneiro chega, e Sinhá Rita lhe diz que o rapaz não volta para o seminário.
O padrinho tem medo do compadre e medo de Sinhá Rita, e acaba saindo para falar com o pai de Damião.
Não teve remedio. O barbeiro metteu a navalha no estojo, travou da espada e saiu á campanha.
O Caso da Vara, em Páginas Recolhidas, página 9
O narrador compara João Carneiro a um barbeiro mandado comandar uma batalha.
A carta
A tarde passa com café, vizinhas, modinha e a repetição da anedota que tinha feito Lucrécia rir.
Ao anoitecer chega uma carta do padrinho: o pai ficou furioso, a questão não está resolvida, e ele vai tentar de novo no dia seguinte.
Não tenho outra taboa de salvação, pensou elle.
O Caso da Vara, em Páginas Recolhidas, página 12
Sinhá Rita responde na mesma folha: "Joãosinho, ou você salva o moço, ou nunca mais nos vemos."
Diz a Damião que o negócio agora é dela.
O fim
É a hora de recolher os trabalhos, e só Lucrécia não terminou a tarefa.
Sinhá Rita pede a Damião a vara para castigá-la; a menina pede ajuda a ele, mas Damião, que tinha decidido defendê-la e precisa de Sinhá Rita para sair do seminário, entrega a vara.
O conto termina aí, e o resumo conta o fim sem a cena.
Por que o conto é lido assim
Damião foge de uma vida que não escolheu e pede liberdade para si.
No fim, para tentar sair do seminário, ele entrega a vara que Sinhá Rita vai usar para castigar uma menina que não tem liberdade nenhuma.
O conto não diz o que Damião sentiu depois, nem o que aconteceu com Lucrécia.
Nesta leitura, o título fala do caso, mas a pergunta que fica é a de quem pagou por ele.
A edição
O conto é o primeiro do livro Páginas Recolhidas, de Machado de Assis, Rio de Janeiro e Paris, H. Garnier, Livreiro-Editor.
A folha de rosto não traz data; o Wikimedia Commons registra 1899 entre colchetes, como data atribuída, e a Wikisource registra 1899.
As citações preservam a grafia da edição, como em "Joãosinho", "remedio" e "taboa".
Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons.
Cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.
A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.
A nota da Wikisource diz que o conto saiu antes no jornal Gazeta de Notícias, em 1891; não conferimos essa primeira publicação.
Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Páginas Recolhidas. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Páginas Recolhidas, H. Garnier: os trechos em bloco saíram das páginas 9 e 12, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.
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