Numa e a Ninfa, de Lima Barreto: o resumo do romance do deputado e da ninfa novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 7 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Lima Barreto. A obra é dele e está em domínio público no Brasil; o autor morreu em 1922. O texto que lemos e citamos é o da edição de 1915 das Officinas d'A Noite, do Rio de Janeiro (veja A edição, no fim). O romance fala de traição no casamento e de violência política, e o resumo conta isso sem detalhe.
O deputado que não falava
A folha de rosto diz que o romance foi escrito especialmente para o jornal A Noite, e o livro saiu em 1915, nas oficinas desse jornal.
Numa Pompílio de Castro é deputado federal e, na Câmara, é conhecido sobretudo como o genro do Cogominho, o senador Neves Cogominho, chefe político do estado de Sepotuba.
Passou os primeiros tempos de mandato calado:
Passou todos esses longos mezes a dormitar na sua bancada, pouco conversando
Numa e a Ninfa, edição de 1915, página 4
Filho de um pequeno funcionário de hospital, Numa tinha estudado com sacrifício, por apostilas, porque o seu único objetivo era o diploma.
Foi promotor e juiz no interior e casou com Edgarda, a filha do chefe político, de olho na carreira.
O próprio Numa, num momento de dúvida, se pergunta o que sabe de fato:
Que é que sabia ao certo? E’ que era formado.
Numa e a Ninfa, edição de 1915, página 9
A ninfa
Um dia, para surpresa de todos, Numa pede a palavra num debate sobre a criação de um novo estado e faz um discurso erudito e bem construído.
Os jornais o elogiam.
Antes disso, um colega já tinha brincado que "o Numa ainda não ouviu a Nympha".
O título vem daí: no fim do livro, o mesmo colega lembra que o Numa de Roma também acertava quando consultava a ninfa.
O casamento de Numa e Edgarda é morno, sem ódio e sem paixão:
Viviam um ao lado do outro, sem grandes ternuras, sem odio
Numa e a Ninfa, edição de 1915, página 12
É Edgarda quem quer o marido célebre, quem o empurra a falar e quem entrega a ele os discursos, passados a limpo pela mão dela.
O leitor descobre, no meio do livro, que ela tem um amante, o primo Benevenuto, um homem extravagante e avesso à política, e que os dois se encontram às escondidas.
A República por dentro
Em volta do casal, Lima Barreto monta uma galeria de figuras da política da época.
Há o chefe Bastos, que decide sem dizer o que pensa; há o diretor de jornal que vem pedir o voto de Numa num negócio do governo; há as mulheres de militares que tramam a promoção dos maridos.
O grande assunto é a sucessão presidencial: o candidato oficial perde força, e os militares impõem o general Bentes.
Cogominho luta para não perder o comando do seu estado, e Numa trabalha nos bastidores por ele.
Duas figuras atravessam o livro.
Lucrécio, apelidado Barba de Bode, é um carpinteiro que virou capanga político e acaba com emprego na polícia.
Bogoloff, um russo imigrado que vive de favor na casa de Lucrécio, promete criar porcos do tamanho de bois e bois do tamanho de elefantes e, por isso mesmo, é nomeado diretor da pecuária nacional.
No meio do romance, o narrador interrompe a história para criticar quem tinha vergonha da população negra do país e celebrava o seu desaparecimento.
A política do livro também mata: eleições decididas à força, uma emboscada num colégio eleitoral e tropas federais para garantir a vitória de um aliado de Bentes; o resumo não descreve esses episódios.
O discurso que não saiu
Já perto do fim, a oposição faz um discurso duro na Câmara, e Numa pede a palavra para responder.
Fala cinco minutos, gagueja e fracassa diante de todos.
Em casa, conta o fiasco à mulher, e Edgarda promete escrever um discurso completo para o dia seguinte.
Ela se tranca na biblioteca, e Numa vai dormir.
Durante a noite, ele se levanta para agradecer, olha pela fechadura e vê o primo e a mulher se beijando: é Benevenuto quem escreve as folhas, e Edgarda as passa a limpo.
Numa pensa no que fazer e decide pela carreira:
Que descoberta! Que devia fazer? A carreira... o prestigio... senador... presidente... Ora bolas!
Numa e a Ninfa, edição de 1915, página 73
E volta para a cama, onde dorme tranquilamente.
Nossa leitura
Esta parte é a nossa leitura do romance, não um fato do texto.
O alvo de Lima Barreto não é só Numa.
É uma política em que o diploma vale mais do que o saber, o parentesco mais do que o voto e a palavra bonita mais do que o que ela diz.
Numa aceita tudo, até a traição, para continuar subindo, e o romance encerra a cena sem punição para Numa, Edgarda ou Benevenuto.
A edição
O texto lido aqui é o de Numa e a Nympha, romance da vida contemporânea, de Lima Barreto, Rio de Janeiro, Officinas d'A Noite, 1915, segundo a folha de rosto; o romance, impresso em duas colunas, ocupa as páginas 3 a 73.
Lemos o romance nas imagens do exemplar digitalizado pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina do mesmo arquivo.
A grafia é a da edição ("Nympha", "odio", "prestigio").
Leia o romance inteiro, na edição de 1915 das Officinas d'A Noite, digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Triste Fim de Policarpo Quaresma, O Homem que Sabia Javanês, A Nova Califórnia, Clara dos Anjos e Recordações do Escrivão Isaías Caminha.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é de Lima Barreto. Os trechos citados vêm da edição de 1915 das Officinas d'A Noite: os trechos em bloco saíram das páginas 4, 9, 12 e 73, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo nem os termos de cor que o livro usa.
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