Negrinha, de Monteiro Lobato: o resumo do livro de seis contos novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Monteiro Lobato. A obra é dele e está em domínio público no Brasil; o autor morreu em 1948. O texto que lemos e citamos é o da edição de 1920 da Revista do Brasil (veja A edição, no fim). O primeiro conto trata de maus-tratos a uma criança e da morte dela, e outro conta um crime brutal; o resumo diz o que acontece sem descrever nenhuma cena. O livro usa palavras de cor e de cativeiro e insultos racistas, que o resumo não reproduz.
O livro
O livro reúne seis contos.
O primeiro dá nome ao volume, e o título é o apelido pelo qual a menina do conto é chamada.
Os outros passam por uma hospedaria de imigrantes em São Paulo, uma fazenda de café arruinada pela geada, um sertão de Mato Grosso, um jardim antigo e uma cidadezinha do interior.
Negrinha
A menina do conto é uma órfã de sete anos que vive pelos cantos da cozinha da casa de Dona Inácia, uma viúva rica, sem filhos, que o vigário chama de senhora virtuosa e que não suporta choro de criança.
A menina nasceu de mãe escravizada, na senzala, e ficou órfã aos quatro anos.
O conto mostra que ela sofre maus-tratos e castigos o tempo todo, enquanto a patroa posa de caridosa diante do padre; o resumo não descreve esses castigos.
Num dezembro, chegam para passar as férias duas sobrinhas de Dona Inácia, com brinquedos.
A menina vê pela primeira vez uma boneca e nem sabe o nome daquilo.
As meninas lhe emprestam a boneca, e a patroa, pela primeira vez, deixa que ela brinque.
O narrador diz o que isso faz com ela:
Sentiu-se elevada á altura de ser humano.
Negrinha, edição de 1920, página 21
Quando as férias acabam, as meninas vão embora com a boneca.
A menina cai numa tristeza profunda, adoece e morre, sozinha.
No fim, ficam dela duas lembranças: a das meninas ricas, que riem da menina que nunca tinha visto boneca, e a da patroa, que sente falta de ter em quem bater.
As fitas da vida
Dois amigos passam de noite pela Hospedaria de Imigrantes, no Brás, e um deles conta um caso que ouviu de um antigo diretor do lugar.
Por volta de 1906, chega com retirantes do Ceará um velho cego, veterano da guerra do Paraguai, que perdeu a vista na guerra e tem uma filha que nunca viu.
Ele diz que só o seu antigo capitão poderia salvá-lo.
O diretor da hospedaria, também veterano, fala mal do capitão para pôr o velho à prova, e o cego defende o comandante com fúria.
O diretor então revela que é ele o capitão.
O velho é operado da catarata, volta a enxergar e parte para o Ceará para conhecer a filha.
O drama da geada
O narrador visita um major que formou do nada um grande cafezal e que depende das próximas colheitas para pagar a hipoteca da fazenda.
Frio de geada, desses que matam passarinhos e nos põem sorvete dentro dos ossos.
Negrinha, edição de 1920, página 41
Vem uma geada que queima o cafezal inteiro, e o major desaparece.
Depois de procurá-lo por dois dias, a família o encontra perto de uma bossoroca, enlouquecido, pintando de verde, uma a uma, as folhas queimadas do café.
O bugio moqueado
Num jogo de pelota, o narrador ouve um velho contar a visita que fez, anos antes, à fazenda de um coronel de Mato Grosso, homem de aspecto sinistro.
Anos depois, Estevão, contratado pelo velho, conta-lhe um crime do coronel contra o irmão dele e a violência que o coronel impôs à mulher depois de acusar os dois de envolvimento.
O castigo foi tão cruel que este resumo não o descreve.
O narrador muda de lugar e não consegue mais acompanhar o jogo.
O jardineiro Timotheo
Há quarenta anos Timóteo cuida do jardim de uma fazenda, e cada canteiro lembra uma pessoa ou um fato da família.
Ele tinha sido escravizado e recebido a alforria do velho dono muito antes da Lei Áurea, e o canteiro principal é dedicado a esse senhor.
Timotheo era feliz.
Negrinha, edição de 1920, página 83
A fazenda é vendida, e os novos donos zombam do jardim e de Timóteo, com insultos racistas, e mandam arrasar tudo.
Ele se recusa, vai embora e morre naquela noite, junto à porteira, com a mão estendida para a fazenda.
O collocador de pronomes
O conto começa apresentando o seu herói:
Martyr da grammatica, fique este documento da sua vida preposto a pedra angular da sua futura e bem cavada canonização.
Negrinha, edição de 1920, página 97
Aldrovando Cantagalo nasce por causa de um erro de gramática: o pai, escrevente em Itaóca, escreve um bilhete de amor a uma moça, e o pai dela, por causa do pronome usado no bilhete, o obriga a casar com a irmã.
Aldrovando cresce e vira professor e defensor da pureza da língua.
Fracassa em todas as campanhas pela colocação correta dos pronomes, e chega a pagar um ferreiro para corrigir a tabuleta da oficina.
Escreve um tratado sobre os pronomes, que nenhum editor quer, e o imprime à própria custa.
O tipógrafo troca a colocação de um pronome na dedicatória, e Aldrovando morre ao ver o erro impresso em todos os exemplares.
Uma nota final conta que os livros que ele deixou inéditos foram vendidos a peso.
Nossa leitura
Esta parte é a nossa leitura do livro, não um fato do texto.
O conto Negrinha denuncia a crueldade de uma senhora que se diz caridosa e mostra o que o cativeiro deixou numa casa brasileira depois da abolição.
Os outros contos vão do humor ao horror, e quase todos terminam em morte, loucura ou perda.
A edição
O texto lido aqui é o de Negrinha (contos), de Monteiro Lobato, segundo milheiro, São Paulo, Edição da Revista do Brasil, Monteiro Lobato & Cia., 1920, segundo a folha de rosto, com os contos nas páginas 9 a 125.
Lemos o livro nas imagens do exemplar digitalizado pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina do mesmo arquivo.
Nessa digitalização, duas páginas aparecem repetidas e não foram usadas.
A grafia é a da edição ("Timotheo", "grammatica").
Leia o livro inteiro, na edição de 1920 da Revista do Brasil, digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o livro inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Urupês, Cidades Mortas, Clara dos Anjos, A Escrava Isaura e Vidas Secas.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Monteiro Lobato. Os trechos citados vêm da edição de 1920 da Revista do Brasil: os trechos em bloco saíram das páginas 21, 41, 83 e 97, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo nem os termos de cor e de cativeiro que o livro usa.
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