A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato: o resumo do livro para crianças
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Monteiro Lobato. A obra é dele e está em domínio público no Brasil; o autor morreu em 1948. O texto que lemos e citamos é o da edição de 1920 da Revista do Brasil, reproduzida em fac-símile (veja A edição, no fim). O livro tem lutas e castigos duros entre os bichos; o resumo diz o que acontece sem descrever nenhuma cena.
O livro
É um livro para crianças, um livro de figuras, com desenhos de Voltolino em quase todas as páginas.
Conta uma história só, dividida em partes com título, do sono da menina à beira do rio até o despertar.
Quase todos os personagens são bichos que falam, se vestem e vivem como gente.
O sono à beira do rio
Numa casinha branca, muito longe, mora uma velha de mais de setenta anos com a neta, Lúcia, órfã de pai e mãe.
Ninguém chama a menina pelo nome: o apelido dela é Narizinho Arrebitado.
Na casa vive também Tia Anastácia.
O livro a apresenta com uma expressão racista da época, ligada à cor dela, que o resumo não reproduz.
Foi Tia Anastácia quem fez a boneca de pano da menina, a Emília, que Narizinho acha feiosa e mesmo assim adora.
O outro encanto da menina é um ribeirão de águas muito claras no fundo do pomar, onde ela dá comida aos peixinhos.
Um dia, à beira do rio, Narizinho adormece com a boneca.
Acorda com cócegas no rosto e vê, na ponta do nariz, um peixinho vestido de casaco vermelho e cartola, e um besouro de sobrecasaca e óculos.
Os dois acham que o rosto dela é um morro e discutem de que terra ele é feito.
O besouro cutuca o nariz da menina com a bengala, ela espirra, e os dois caem no chão.
O besouro foge, com medo de que ali seja a toca do Escorpião Negro.
O peixinho reconhece a menina e se apresenta: é o príncipe Escamado, senhor do Reino das Águas Claras, e a convida para conhecer os seus domínios.
No Reino das Águas Claras
Os dois entram no reino por uma gruta, iluminada por um vaga-lume que o príncipe usa como lanterna.
O guarda da porta, um sapo chamado mestre Agarra, está dormindo.
Narizinho tem a ideia de uma peça: os dois vestem o sapo com a saia e a touca da Emília.
Por ter dormido no posto, o sapo recebe do príncipe um castigo.
Na sala do trono, o capitão da guarda, um gafanhoto, dá as notícias do reino: um crime, que o príncipe manda punir com a morte, o Escorpião Negro rondando a fronteira e dois bagres doentes.
O príncipe leva Narizinho ao hospital numa carruagem puxada por lambaris.
Lá trabalha o doutor Caramujo, médico famoso de quem o príncipe diz que os doentes morrem todos.
No palácio real
No palácio, Narizinho janta ao lado do príncipe, com orquestra de cigarras e bailarinos.
Um papagaio faz um discurso sobre a arte de falar:
Nesse discurso provou que os homens tinham aprendido a falar com os papagaios, e não os papagaios com os homens, como diz a sciencia destes.
A Menina do Narizinho Arrebitado, edição de 1920, página 18
Depois, Dona Aranha, a melhor costureira do reino, veste a menina com um vestido de teia enfeitado com gotas de orvalho.
No baile, todos se admiram da beleza dela, e algumas damas sentem inveja.
Narizinho dança a valsa com o príncipe e se diverte com a polca de um caranguejo e de uma taturana.
O Escorpião Negro
No meio da festa, o Escorpião Negro invade o palácio e avança contra a menina.
O príncipe luta com ele de espada e já está cansado quando aparece Emília, vinda da cozinha com um espeto, e vence o monstro.
Narizinho, que tinha esquecido a boneca desde a peça pregada no sapo, no dia da chegada, pede desculpas e promete pedir ao príncipe que a faça condessa.
O Escorpião é levado para uma prisão de pedra.
O capitão da guarda impede que batam no prisioneiro, porque bater em quem não pode se defender é covardia.
Depois da festa
No dia seguinte, Narizinho conta a Dona Aranha que está apaixonada pelo príncipe.
No passeio, as duas encontram o sapo gemendo, ainda sofrendo com o castigo.
A menina tem pena e pede ao príncipe o perdão do sapo, e o príncipe perdoa.
O doutor Caramujo cuida dele numa operação que o livro conta em tom de brincadeira e que o resumo não descreve.
Dona Aranha não perdoa o sapo, que tinha comido as filhas dela.
À noite há uma festa no jardim, com passeio de gôndola, e depois o príncipe leva a menina para voar num grilo que faz as vezes de avião:
Subiram, subiram, subiram tão alto que a terra de lá parecia uma laranja.
A Menina do Narizinho Arrebitado, edição de 1920, página 37
A trama e o castigo
Numa noite, o sapo bate na janela de Narizinho para pagar o favor.
Ele ouviu o Escorpião e o capitão da guarda combinando uma revolta para matar o príncipe, pôr o Escorpião no trono e obrigar a menina a se casar com ele.
Narizinho corre a avisar o príncipe.
O príncipe prende numa armadilha os grilos traidores que vinham atacá-lo e, com um recado falso, atrai o capitão ao seu quarto.
Os traidores e o Escorpião são castigados com a morte; o livro conta isso com detalhes que o resumo não descreve.
O despertar
O príncipe agradece a Narizinho por ter salvado o reino, põe no dedo dela um anel de noiva e diz que ela vai sentar no trono ao lado dele.
Ela vai responder quando uma voz conhecida a chama: a avó está chamando.
Narizinho acorda na relva, vê o ribeirão correndo como sempre e, na porteira, Tia Anastácia, que veio chamá-la.
Que pena! Tudo aquillo não passara dum lindo sonho...
A Menina do Narizinho Arrebitado, edição de 1920, página 43
Nossa leitura
Esta parte é a nossa leitura do livro, não um fato do texto.
É uma história de sonho, em que o mundo pequeno do ribeirão vira um reino com corte, festa, médico e guerra.
O humor vem de pôr bichos no lugar das pessoas, e o papagaio chega a fazer graça com a ciência dos homens.
Os castigos do reino são duros, como em muitos contos de fadas antigos, e o livro passa por eles depressa.
Daqui saíram Narizinho e Emília, que Monteiro Lobato levou depois para muitos outros livros.
A edição
O texto lido aqui é o de A Menina do Narizinho Arrebitado, livro de figuras por Monteiro Lobato com desenhos de Voltolino, São Paulo, Edição da Revista do Brasil, Monteiro Lobato & Comp., 1920, segundo a folha de rosto, com a história nas páginas 3 a 43.
Lemos o livro nas imagens de uma reprodução em fac-símile dessa edição, feita em 1982 e digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP.
O ensaio de outro autor que acompanha essa reprodução não foi usado.
Cada trecho citado foi copiado da imagem da página, conferido no texto reconhecido por máquina do mesmo arquivo e conferido também nas imagens de um exemplar original de 1920.
A grafia é a da edição ("aquillo", "sciencia").
Leia o livro inteiro, na reprodução em fac-símile da edição de 1920 da Revista do Brasil, digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o livro inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são A Moreninha, Urupês, Cidades Mortas, O Alienista e Iracema.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Monteiro Lobato. Os trechos citados vêm da edição de 1920 da Revista do Brasil: os trechos em bloco saíram das páginas 18, 37 e 43, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo.
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