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A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato: o resumo do livro para crianças

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1.385 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Monteiro Lobato. A obra é dele e está em domínio público no Brasil; o autor morreu em 1948. O texto que lemos e citamos é o da edição de 1920 da Revista do Brasil, reproduzida em fac-símile (veja A edição, no fim). O livro tem lutas e castigos duros entre os bichos; o resumo diz o que acontece sem descrever nenhuma cena.

O livro

É um livro para crianças, um livro de figuras, com desenhos de Voltolino em quase todas as páginas.

Conta uma história só, dividida em partes com título, do sono da menina à beira do rio até o despertar.

Quase todos os personagens são bichos que falam, se vestem e vivem como gente.

O sono à beira do rio

Numa casinha branca, muito longe, mora uma velha de mais de setenta anos com a neta, Lúcia, órfã de pai e mãe.

Ninguém chama a menina pelo nome: o apelido dela é Narizinho Arrebitado.

Na casa vive também Tia Anastácia.

O livro a apresenta com uma expressão racista da época, ligada à cor dela, que o resumo não reproduz.

Foi Tia Anastácia quem fez a boneca de pano da menina, a Emília, que Narizinho acha feiosa e mesmo assim adora.

O outro encanto da menina é um ribeirão de águas muito claras no fundo do pomar, onde ela dá comida aos peixinhos.

Um dia, à beira do rio, Narizinho adormece com a boneca.

Acorda com cócegas no rosto e vê, na ponta do nariz, um peixinho vestido de casaco vermelho e cartola, e um besouro de sobrecasaca e óculos.

Os dois acham que o rosto dela é um morro e discutem de que terra ele é feito.

O besouro cutuca o nariz da menina com a bengala, ela espirra, e os dois caem no chão.

O besouro foge, com medo de que ali seja a toca do Escorpião Negro.

O peixinho reconhece a menina e se apresenta: é o príncipe Escamado, senhor do Reino das Águas Claras, e a convida para conhecer os seus domínios.

No Reino das Águas Claras

Os dois entram no reino por uma gruta, iluminada por um vaga-lume que o príncipe usa como lanterna.

O guarda da porta, um sapo chamado mestre Agarra, está dormindo.

Narizinho tem a ideia de uma peça: os dois vestem o sapo com a saia e a touca da Emília.

Por ter dormido no posto, o sapo recebe do príncipe um castigo.

Na sala do trono, o capitão da guarda, um gafanhoto, dá as notícias do reino: um crime, que o príncipe manda punir com a morte, o Escorpião Negro rondando a fronteira e dois bagres doentes.

O príncipe leva Narizinho ao hospital numa carruagem puxada por lambaris.

Lá trabalha o doutor Caramujo, médico famoso de quem o príncipe diz que os doentes morrem todos.

No palácio real

No palácio, Narizinho janta ao lado do príncipe, com orquestra de cigarras e bailarinos.

Um papagaio faz um discurso sobre a arte de falar:

Nesse discurso provou que os homens tinham aprendido a falar com os papagaios, e não os papagaios com os homens, como diz a sciencia destes.

A Menina do Narizinho Arrebitado, edição de 1920, página 18

Depois, Dona Aranha, a melhor costureira do reino, veste a menina com um vestido de teia enfeitado com gotas de orvalho.

No baile, todos se admiram da beleza dela, e algumas damas sentem inveja.

Narizinho dança a valsa com o príncipe e se diverte com a polca de um caranguejo e de uma taturana.

O Escorpião Negro

No meio da festa, o Escorpião Negro invade o palácio e avança contra a menina.

O príncipe luta com ele de espada e já está cansado quando aparece Emília, vinda da cozinha com um espeto, e vence o monstro.

Narizinho, que tinha esquecido a boneca desde a peça pregada no sapo, no dia da chegada, pede desculpas e promete pedir ao príncipe que a faça condessa.

O Escorpião é levado para uma prisão de pedra.

O capitão da guarda impede que batam no prisioneiro, porque bater em quem não pode se defender é covardia.

Depois da festa

No dia seguinte, Narizinho conta a Dona Aranha que está apaixonada pelo príncipe.

No passeio, as duas encontram o sapo gemendo, ainda sofrendo com o castigo.

A menina tem pena e pede ao príncipe o perdão do sapo, e o príncipe perdoa.

O doutor Caramujo cuida dele numa operação que o livro conta em tom de brincadeira e que o resumo não descreve.

Dona Aranha não perdoa o sapo, que tinha comido as filhas dela.

À noite há uma festa no jardim, com passeio de gôndola, e depois o príncipe leva a menina para voar num grilo que faz as vezes de avião:

Subiram, subiram, subiram tão alto que a terra de lá parecia uma laranja.

A Menina do Narizinho Arrebitado, edição de 1920, página 37

A trama e o castigo

Numa noite, o sapo bate na janela de Narizinho para pagar o favor.

Ele ouviu o Escorpião e o capitão da guarda combinando uma revolta para matar o príncipe, pôr o Escorpião no trono e obrigar a menina a se casar com ele.

Narizinho corre a avisar o príncipe.

O príncipe prende numa armadilha os grilos traidores que vinham atacá-lo e, com um recado falso, atrai o capitão ao seu quarto.

Os traidores e o Escorpião são castigados com a morte; o livro conta isso com detalhes que o resumo não descreve.

O despertar

O príncipe agradece a Narizinho por ter salvado o reino, põe no dedo dela um anel de noiva e diz que ela vai sentar no trono ao lado dele.

Ela vai responder quando uma voz conhecida a chama: a avó está chamando.

Narizinho acorda na relva, vê o ribeirão correndo como sempre e, na porteira, Tia Anastácia, que veio chamá-la.

Que pena! Tudo aquillo não passara dum lindo sonho...

A Menina do Narizinho Arrebitado, edição de 1920, página 43

Nossa leitura

Esta parte é a nossa leitura do livro, não um fato do texto.

É uma história de sonho, em que o mundo pequeno do ribeirão vira um reino com corte, festa, médico e guerra.

O humor vem de pôr bichos no lugar das pessoas, e o papagaio chega a fazer graça com a ciência dos homens.

Os castigos do reino são duros, como em muitos contos de fadas antigos, e o livro passa por eles depressa.

Daqui saíram Narizinho e Emília, que Monteiro Lobato levou depois para muitos outros livros.

A edição

O texto lido aqui é o de A Menina do Narizinho Arrebitado, livro de figuras por Monteiro Lobato com desenhos de Voltolino, São Paulo, Edição da Revista do Brasil, Monteiro Lobato & Comp., 1920, segundo a folha de rosto, com a história nas páginas 3 a 43.

Lemos o livro nas imagens de uma reprodução em fac-símile dessa edição, feita em 1982 e digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP.

O ensaio de outro autor que acompanha essa reprodução não foi usado.

Cada trecho citado foi copiado da imagem da página, conferido no texto reconhecido por máquina do mesmo arquivo e conferido também nas imagens de um exemplar original de 1920.

A grafia é a da edição ("aquillo", "sciencia").

Leia o livro inteiro, na reprodução em fac-símile da edição de 1920 da Revista do Brasil, digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o livro inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são A Moreninha, Urupês, Cidades Mortas, O Alienista e Iracema.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Monteiro Lobato. Os trechos citados vêm da edição de 1920 da Revista do Brasil: os trechos em bloco saíram das páginas 18, 37 e 43, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo.