Quem Casa, Quer Casa, de Martins Pena: o resumo do provérbio em um ato novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Martins Pena. A peça é dele e está em domínio público. Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna publicadas pelo Jornal do Brasil em 1927, e cada citação em bloco traz a página e quem fala.
Um provérbio em cena
A edição chama a peça de provérbio em um ato: uma comédia curta, em prosa, que mostra na prática um ditado popular.
O ditado é o título, e a peça inteira serve para prová-lo.
A edição escreve os nomes como no tempo dela, Olaya, por exemplo; no nosso texto usamos a grafia de hoje.
Na casa de Fabiana e do marido dela, Nicolau, moram também dois casais.
Sabino, filho de Fabiana, casou com Paulina e trouxe a mulher para a casa da mãe.
Olaia, filha de Fabiana, casou com Eduardo, irmão de Paulina, e ele também veio morar ali.
O pai de Paulina e de Eduardo aparece na edição com dois nomes: a lista de personagens o chama de Anselmo e diz que Paulina é filha de Anacleto, e no fim da peça ele entra como Anacleto.
Duas senhoras numa casa
A peça começa com Paulina e Fabiana gritando uma com a outra.
Uma diz que vai mandar na casa, a outra diz que não vai.
As duas brigam para ver quem manda na casa.
Fabiana se queixa a Olaia de cada um.
Paulina é atrevida, Eduardo é um preguiçoso que só toca rabeca, o violino, e não procura emprego, Olaia não tem coragem de chamar o marido à razão, e Nicolau só cuida de missas, terços e procissões.
Eduardo e a rabeca
Eduardo entra despenteado, de chinelos, com a rabeca, e chama Olaia para virar as folhas da partitura.
Fabiana quer conversar, e ele obriga as duas a ouvi-lo tocar antes.
Na confusão, ele acerta o estômago de Olaia com o braço do arco e os queixos de Fabiana com a rabeca, sem parar de tocar.
Só então Fabiana consegue falar e manda que ele procure um emprego e uma casa.
Depois Eduardo lembra a Fabiana que, quando quis casar, ela mesma disse que todos podiam morar juntos e que onde comiam dois comiam quatro.
Agora que já é genro, diz ele, ela só sabe mandar que ele procure casa.
A carta
Fabiana resolve escrever ao pai de Paulina e Eduardo e dita a carta em voz alta.
Se o senhor hoje mesmo não procura casa para elles se mudarem da minha, leva tudo a breca.
Quem Casa, Quer Casa, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 164, fala de Fabiana
O criado João leva a carta.
Nicolau, Sabino e a paz que não dura
Nicolau está ocupado com a procissão do dia: os dois filhos pequenos dele vão sair vestidos de anjinhos.
Fabiana briga com ele, e ele não quer ouvir.
Sabino é muito gago e, quando fica nervoso, só consegue falar cantando.
Ele concorda que Paulina tem mau gênio, mas acha que a mãe também deveria ceder, e pede à mulher que faça as pazes.
Nicolau pede a Fabiana os brincos e as joias dela para enfeitar os anjinhos.
Paulina vem, pede perdão a Fabiana e promete obedecer.
As duas se abraçam.
Mas, conversando, Paulina diz que numa casa quem deve governar é a mais velha, e repete "a mais velha" até Fabiana explodir.
As duas se agarram, e Sabino separa a briga jogando o hábito da procissão, a roupa religiosa que ia vestir, por cima da cabeça da mulher e trancando-a no quarto.
Todos contra todos
Eduardo conta a Paulina, que é irmã dele, o que pensa da família: a sogra grita o dia inteiro, o sogro só quer saber de procissão, o cunhado é gago e a mulher chora por qualquer coisa.
E fala do seu sonho de artista.
senti-me outro... conheci que tinha vindo ao mundo para artista rabequista... comprei uma rabeca...
Quem Casa, Quer Casa, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 173, fala de Eduardo
Ele diz que os artistas estrangeiros vêm ao Brasil por pena do povo daqui, e Paulina responde falando da algibeira, que é o bolso.
E depois da algibeira cheia safa-se para as suas terras e, comendo o dinheiro que ganhou no Brasil, falla mal d'elle e de seus filhos...
Quem Casa, Quer Casa, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 173, fala de Paulina
Eduardo ainda mostra a sua grande invenção: tocar a rabeca no arco, e não o arco na rabeca.
Fabiana chega e briga com ele por ter batido com o arco nos dedos de Olaia, e ele bate também nos dedos dela.
Fabiana pede a Sabino que dê uma lição no cunhado, e os dois rapazes brigam; as duas moças brigam também.
Nicolau chega com os anjinhos, Fabiana o acusa de ser o culpado de tudo, e até os dois anjinhos acabam se empurrando.
As duas chaves
Nessa hora entra o pai de Paulina e Eduardo.
Todos falam ao mesmo tempo para se queixar.
Ele diz que recebeu a carta de Fabiana e que o erro foi casar os filhos sem lhes dar casa para morar.
Então entrega uma chave a Eduardo e outra a Paulina, para que ela dê ao marido: são as chaves de duas casas que ele alugou.
No fim, todos se oferecem a casa uns aos outros, e o pai pede à plateia que lembre a lição, que todos dizem juntos: "Quem casa quer casa".
Uma nota de leitura
A comédia ri da convivência apertada: a sogra que manda, a nora que não aceita, o genro que se acha artista, o sogro que foge para a igreja.
As brigas são pancadaria de comédia, com golpes de arco, empurrões e um hábito jogado na cabeça, e tudo acaba em paz.
A moral é a do ditado: cada casal precisa da sua casa.
A edição que lemos
Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna, o número 8 do Supplemento Romantico do Jornal do Brasil, impresso nas oficinas gráficas do jornal, no Rio de Janeiro, em 1927.
A peça vai das páginas 159 a 181.
A edição de 1927 não dá a data da peça, e por isso este resumo também não dá.
Lemos o texto nas imagens do exemplar da Universidade da Carolina do Norte digitalizado no Internet Archive.
O texto reconhecido por máquina dessa edição tem muitos erros, e por isso cada trecho citado foi copiado da imagem da página e só entrou quando a imagem e esse texto coincidiam.
Por que ler hoje
Porque quem já dividiu casa com a família pode reconhecer ali conflitos da convivência.
E porque é curta, rápida e cheia de personagens fáceis de imitar.
Leia a peça, nas imagens das Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927), no exemplar da University of North Carolina digitalizado no Internet Archive. A peça vai das páginas 159 a 181. O acervo da Net Love tem este resumo, não a peça inteira. A peça está em domínio público.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Judas em Sábado de Aleluia, O Juiz de Paz da Roça, O Noviço e A Moreninha.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui a peça. A obra é de Martins Pena. Os trechos citados vêm das Comedias de Martins Penna, Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927: os trechos em bloco saíram das páginas 164 e 173, e as frases curtas entre aspas na prosa vêm também das páginas 170 e 181, todas copiadas da imagem da página e conferidas no texto reconhecido por máquina. A grafia da edição não foi mexida. As citações não trazem fala com travessão. A nota de leitura foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.



