Sigurd e o dragão Fáfnir novo
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A história está na Völsunga saga, a saga dos Volsungos, que Eiríkr Magnússon e William Morris traduziram do islandês para o inglês; este verbete segue a edição de 1888, organizada por H. Halliday Sparling, capítulos XII a XV, XVIII e XIX. Sigurd é filho do rei Sigmund, que, ferido de morte na última batalha, disse a Hjordis, grávida, que guardasse os pedaços da espada partida. O menino cresce na casa do rei Hjalprek, e o seu mestre é Regin, filho de Hreidmar, que lhe ensina o xadrez, as runas e muitas línguas. Regin o provoca: por que não pede um cavalo aos reis? No bosque, um velho de barba longa, que Sigurd não conhece, o ajuda a escolher, tocando os cavalos para dentro de um rio; todos voltam nadando para a margem menos um, e é esse que Sigurd escolhe, um cavalo cinzento e jovem. O velho diz que o cavalo vem da linhagem de Sleipnir e desaparece; Sigurd dá ao cavalo o nome de Grani, e a saga diz que o velho era o próprio Odin. Então Regin lhe fala de muito ouro, guardado por Fáfnir no ermo de Gnita. Sigurd responde que conhece a fama do dragão, a quem ninguém ousa enfrentar; Regin diz que ele não é maior que outros dragões e que Sigurd não tem o ânimo dos antepassados. Quando o rapaz pergunta por que tanta insistência, Regin conta uma história.
Hreidmar teve três filhos: Fáfnir, o maior e o mais feroz; o que a tradução chama de Otter, lontra, que passava os dias no rio em forma de lontra pescando; e o próprio Regin, ferreiro. Odin, Loki e Hœnir passam pela cachoeira do anão Andvari, que vive ali em forma de lúcio. Loki mata a lontra com uma pedra, e os deuses mostram a pele a Hreidmar, que os prende e exige como resgate encher a pele de ouro e cobri-la toda. Loki pega a rede de Ran, a deusa do mar, captura o lúcio e toma de Andvari o ouro e, por fim, o último anel; o anão amaldiçoa o anel e todo o ouro: será a perdição de quem o possuir. Coberta a pele, Hreidmar ainda vê um pelo do focinho, e Odin o cobre com o anel. Na versão de Regin, Fáfnir mata o pai e fica com tudo, e, de tão mau, sem querer dividir nada com ninguém, vira o pior dos dragões, deitado sobre o tesouro; Regin vai ser ferreiro do rei. Por isso, diz a saga, o ouro se chama resgate da lontra. A Edda em Prosa de Snorri, na tradução de Brodeur, conta de outro modo: os dois irmãos matam o pai pelo ouro, Fáfnir expulsa Regin, leva o elmo do terror e a espada Hrotti e, no ermo de Gnita, se transforma em serpente.
Sigurd pede a Regin uma espada sem igual. Regin faz duas, e Sigurd quebra as duas na bigorna. Vai então à mãe e lhe pede os pedaços da espada Gram, que Sigmund lhe deixara. Com eles Regin forja uma espada que, ao sair da forja, parece ter fogo correndo pelos fios. Sigurd golpeia a bigorna e a racha até a base, sem que a espada se parta; depois vai ao rio, joga um floco de lã correnteza acima, e a lã se parte ao encontrar a espada. Regin cobra a promessa de ir contra Fáfnir, e Sigurd diz que vai, mas antes precisa vingar o pai. Em Snorri, a prova da lã vem antes da prova da bigorna, e não há espadas quebradas antes: Regin faz Gram de uma vez.
No capítulo XVIII os dois sobem o ermo pelo caminho que Fáfnir faz para ir beber, e o rastro é tão grande que Sigurd duvida do que Regin dissera. Regin manda cavar um buraco, esperar dentro dele e ferir o dragão no coração quando ele passar; Sigurd pergunta o que será dele diante do sangue, Regin o chama de medroso e vai embora, ele mesmo com muito medo. Enquanto cava, Sigurd recebe a visita de um velho de barba longa, que lhe diz para cavar muitas covas, para o sangue escorrer, e ficar numa delas. O dragão vem, a terra treme e ele sopra veneno à frente; quando passa sobre as covas, Sigurd crava a espada sob o ombro esquerdo dele. Ferido de morte, Fáfnir pergunta quem ele é. Sigurd primeiro não diz o nome, e a nota da edição de 1888 explica que se acreditava que um moribundo podia amaldiçoar o inimigo; depois diz: Sigurd, filho de Sigmund. Fáfnir o avisa de que o ouro será a perdição dele, e Sigurd responde que todo homem morre uma vez. Mais adiante, o dragão diz que Regin, o irmão, que causou a sua morte, vai causar também a de Sigurd, e volta a avisar que o ouro será a perdição de quem o tiver; depois de uma última resposta de Sigurd, Fáfnir morre. Em Snorri há uma só cova e não há velho nenhum.
Regin volta, louva a vitória e, depois de olhar muito tempo para o chão, diz que Sigurd matou o irmão dele e que ele mesmo não está sem culpa no feito. Sigurd tira o coração do dragão com a espada Ridil; Regin bebe do sangue e pede que ele asse o coração para lhe dar de comer. Assando-o, Sigurd toca o coração com o dedo para ver se está pronto e leva o dedo à boca: quando o sangue lhe toca a língua, entende a voz das aves. Os pássaros, que na tradução de Morris são pica-paus e na de Brodeur são trepadeiras, dizem que Regin quer traí-lo, que ele deveria matá-lo, ficar com o ouro e seguir até Hindfell, onde dorme Brynhild. Sigurd diz que os dois irmãos vão pelo mesmo caminho e mata Regin com Gram. Os versos que os pássaros cantam em seguida, avisa a nota da edição, os tradutores tomaram de outro poema, o Reginsmál. Sigurd come um pouco do coração e guarda o resto; segue o rastro até a toca de Fáfnir, de portas de ferro, cavada fundo na terra, e encontra ouro em quantidade, a espada Rotti (Hrotti em Snorri), o elmo do terror e a cota de ouro. Põe todo o ouro em duas arcas no lombo de Grani, que não sai do lugar até Sigurd montar; então o cavalo parte como se não levasse carga.
Para conferir
- Völsunga saga, tradução de Eiríkr Magnússon e William Morris, edição de H. Halliday Sparling, Londres, Walter Scott, 1888, capítulo XIII, no Wikisource: o nascimento de Sigurd, Regin como mestre, o cavalo Grani e o velho que era Odin, e a conversa sobre Fáfnir no ermo de Gnita.
- Völsunga saga, mesma tradução, capítulo XIV e notas: os três filhos de Hreidmar, Andvari em forma de lúcio, a morte da lontra, o resgate, a rede de Ran, o anel e a maldição, o pelo do focinho, Fáfnir que mata o pai e o nome resgate da lontra.
- Völsunga saga, mesma tradução, capítulo XV: as duas espadas quebradas, os pedaços de Gram, a bigorna rachada, a lã no rio e a vingança do pai antes de tudo.
- Völsunga saga, mesma tradução, capítulo XVIII e notas: o caminho de Fáfnir, o conselho de Regin e o do velho, as covas, o golpe sob o ombro esquerdo, o nome escondido e a nota sobre a maldição do moribundo, as últimas palavras de Fáfnir.
- Völsunga saga, mesma tradução, capítulo XIX e nota: Regin que se diz não sem culpa, a espada Ridil, o coração assado, a voz das aves, a morte de Regin, os versos tomados do Reginsmál, a toca, o tesouro e Grani.
- Völsunga saga, mesma tradução, capítulo XII, no Projeto Gutenberg (ebook 1152, texto da edição de 1888): Sigmund ferido na última batalha, a recusa de ser curado, Hjordis grávida e os pedaços da espada guardados para o filho.
- Snorri Sturluson, Edda em Prosa, Skáldskaparmál, seções XXXIX e XL, tradução de Arthur Gilchrist Brodeur, 1916, no Wikisource: a outra versão: os dois irmãos matam o pai, o elmo do terror e Hrotti, Fáfnir que se transforma em serpente, a lã antes da bigorna, uma só cova e as trepadeiras.



