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Diva, de José de Alencar: o resumo do romance da moça que não queria amar sem certeza novo

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1.884 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de José de Alencar. A obra está em domínio público no Brasil; segundo o catálogo da biblioteca que guarda o exemplar, o autor é José de Alencar, que morreu em 1877. Os trechos citados vêm da edição de 1864, impressa no Rio de Janeiro (veja A edição, no fim). Perto do fim, o romance conta uma cena em que o narrador machuca Emília e a põe de joelhos à força, e o livro apresenta isso como o momento em que ela descobre o amor; o resumo conta a cena sem detalhe e diz com clareza que aquilo é violência.

O livro e a carta

Na folha de rosto da edição de 1864, o livro se chama Diva, perfil de mulher, e aparece como publicado por G. M., sem o nome do autor.

O nome de José de Alencar vem do catálogo da biblioteca, não do livro.

O romance abre com uma carta curta, assinada só com a letra P., para uma senhora.

Quem escreve conta que, em março de 1856, viajou de navio para o Recife, ainda abatido por ter perdido, dois meses antes, uma mulher que amava.

A bordo, ficou amigo do doutor Amaral, um médico de vinte e três anos que ia estudar em Paris.

Tempos depois, Amaral mandou a ele um longo manuscrito, escrito como uma carta, contando a própria vida.

O romance é esse manuscrito: Augusto Amaral escreve ao amigo Paulo e conta a história de Emília.

A menina feia

Augusto conhece Emília quando ela é uma menina:

Emilia tinha quatorze annos, quando a vi pela primeira vez.

Diva, edição de 1864, página 9

Ela é magra, desajeitada e muito tímida, esconde o rosto e o pescoço, e a prima Júlia caçoa dela.

É filha do senhor Duarte, um negociante rico, que a chama de Mila.

Quando Augusto brinca chamando a menina de minha noiva, ela responde que ele é feio.

A doença

No verão de 1855, Geraldo, o irmão de Emília, chama Augusto, ainda médico principiante, para ver a irmã, que está com febre alta.

É uma pneumonia grave nos dois pulmões.

A mãe de Emília já tinha morrido, e a tia, Dona Leocádia, faz as vezes de mãe.

Quando Augusto tenta escutar o peito dela, Emília acorda assustada, o empurra e o chama de atrevido.

Ela passa a não deixar o médico entrar no quarto, e ele trata a doente quase às escondidas.

Numa hora ela quase morre, e Augusto chora à beira da cama.

Ele fica um mês morando na casa da família, e Emília se salva.

O pai quer pagar o tratamento, e Augusto recusa: escreve que a alegria de salvar aquela vida já era a recompensa.

Promete apenas que, se um dia precisar de ajuda, vai procurar o senhor Duarte.

Pouco depois, viaja para a Europa, onde fica quase dois anos.

A moça dos salões

Na volta, Augusto encontra na sala do senhor Duarte uma moça linda, lendo à janela, e não a reconhece.

É Emília, que, ao vê-lo, fica pálida, olha para ele com raiva e sai da sala.

Emilia teria então desesete annos.

Diva, edição de 1864, página 25

Pouco antes da volta dele, ela tinha começado a frequentar as reuniões da tia, Dona Matilde, mulher de um irmão do senhor Duarte, numa casa da rua de Matacavalos onde se reúne parte da boa sociedade do Rio.

Ali, Emília aprende a elegância à sua maneira, e o narrador explica de onde vem o nome do livro:

Ella creara o ideal da Venus moderna, a diva dos salões, como Phidias tinha creado o typo da Venus primitiva.

Diva, edição de 1864, página 27

Com Augusto, nessa fase, Emília é fria e, como ele conta, cruel.

Recusa dançar com ele, deixa cair de propósito uma xícara que ele lhe oferece, e num baile do Cassino, quando o vestido dela se rasga ao passar por ele, ela vai embora dizendo que a culpa foi de um pé.

Diz também, na frente dele, que a gratidão é um sentimento mesquinho e que há quem cobre favores como uma especulação.

Augusto se sente humilhado e passa a querer se vingar.

A conta

Geraldo conta a Augusto um segredo: Emília dá esmolas escondida e quer pôr uma menina órfã no recolhimento das órfãs, com um dote.

Ele pede a Augusto que cuide disso, e Augusto aceita.

Augusto vai à casa do senhor Duarte, lembra a promessa antiga e diz que agora precisa de dinheiro: quer cobrar pelo tratamento de Emília, para pagar o dote de uma menina órfã.

Apresenta uma conta de cem mil réis, um valor pequeno de propósito, como se a vida de Emília tivesse esse preço.

Emília lê a conta, entende tudo, diz que é ela quem deve pagar a ele e rasga o papel.

Augusto recebe o dinheiro do pai por um procurador, e a menina entra no recolhimento, com o dote.

As pazes

Dias depois, Augusto recebe um convite para jantar com a família, escrito com a letra de Emília.

Ela pede perdão a ele e, no jardim, junto a uma pequena cascata, explica o que sentia.

Diz que guardava a carta que ele escreveu ao pai depois da cura, e que é nela que embrulha os cabelos da mãe morta.

Diz que não acreditava no amor, e que tinha medo de que ele lhe tirasse também a única ilusão boa que guardava, a gratidão:

Tenho dezesete annos, e já me sinto orphã das minhas esperanças

Diva, edição de 1864, página 80

Na despedida, pede a ele: "Seja meu amigo".

Augusto passa a amá-la, e ela o trata ora com carinho, ora com frieza, sem regra.

A chácara do Rio Comprido

Augusto aluga uma casinha perto da chácara da família, no Rio Comprido, de onde vê as janelas de Emília.

Os dois fazem passeios sozinhos pelo morro, e Emília não deixa que ele a toque nem para ampará-la numa queda.

Numa noite, ela o recebe à uma hora da manhã, junto ao lago da chácara, depois de descer sozinha uma encosta de pedra.

Augusto pergunta se ela o ama, e ela responde que não, ainda não.

Explica que só vai amar quando sentir um amor inteiro, capaz de fazê-la sacrificar tudo, e que ainda não sente isso.

Numa manhã de chuva, ela pula a cerca e entra na casa dele, olha os livros e o atlas de anatomia, e pede para ver o desenho do coração.

Depois volta à frieza.

O baile e os outros

Num baile em casa de Dona Matilde, Augusto vê Emília ouvir declarações de amor do doutor Chaves, um deputado, pedir os versos do poeta Álvares e deixar cair uma violeta para o tenente Veiga.

Ele pega escondido o papel com os versos e ouve as conversas dela.

Na manhã seguinte, conta tudo a Emília.

Ela responde que despreza todos aqueles homens, que nunca amou nenhum deles e que o coração dela continua sem amor.

Augusto pede que ela os afaste, e ela recusa.

Por algum tempo, Augusto finge gostar de Júlia, a prima, uma moça boa que o consola.

Depois Emília promete afastar os admiradores e cumpre a promessa, e os dois passam dois meses felizes.

Mas numa tarde ela vai ao teatro e, quando Augusto insiste, pede que ele espere um ano para saber se ela vai amá-lo.

Augusto, ofendido, diz que já não a ama.

A violência e o fim

Um mês depois, na casa de Dona Matilde, Emília provoca Augusto, e ele aperta o braço dela com força, deixando uma marca roxa.

No jantar, ela diz que a marca foi da pulseira.

Dias depois, no jardim do Rio Comprido, Augusto diz a ela, por vingança, que só a quis pelo dinheiro do pai.

Emília responde que ele a ama e que ela nunca vai amá-lo.

Augusto então diz que agora quer obrigá-la a ser dele, mesmo contra a vontade dela.

Ela o chama de infame: "O senhor é um infame".

Ele tenta beijá-la, ela lhe dá uma bofetada, e ele a segura pelos pulsos e a põe de joelhos à força.

Emília, de joelhos, pede perdão e diz que o ama.

Augusto foge.

No dia seguinte, ela lhe escreve uma carta apaixonada, dizendo que descobriu o amor naquele momento.

Augusto vai vê-la, e ela repete que o ama e que agora pertence a ele.

O manuscrito termina com Augusto contando ao amigo que Emília é sua mulher.

Uma nota sobre o amor e a violência no livro

O que Augusto faz no fim do romance é violência: ele machuca o braço de Emília, diz que quer obrigá-la a ser dele contra a vontade dela, a segura pelos pulsos e a põe de joelhos à força.

O livro apresenta esses gestos como o caminho pelo qual Emília descobre o amor, e a carta dela chega a dizer que a dor foi uma alegria.

Não é assim que lemos: violência não é prova de amor, e ninguém deve ser obrigado a amar.

O romance também mostra Emília como uma moça que pensa por conta própria, que recusa os homens que a cortejam por interesse e que diz em voz alta o que espera do amor.

Na casa da família há pessoas escravizadas, que o livro cita só de passagem; a escravidão foi crime e violência contra pessoas, amparada pelas leis da época.

A edição

O texto lido aqui é o de Diva, perfil de mulher, publicado por G. M., Rio de Janeiro, B. L. Garnier, Livreiro Editor, rua do Ouvidor 69, 1864, com o romance nas páginas 5 a 164.

O exemplar foi digitalizado pela Brasiliana Digital, da USP, e está publicado no Internet Archive.

Lemos o enredo no texto reconhecido por máquina desse arquivo, página por página, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido nesse texto.

O texto reconhecido por máquina tem muitos erros, e por isso só citamos frases em que ele bate letra por letra com a imagem.

A grafia é a da edição ("annos", "ella").

Nessa digitalização, as páginas 114 e 115 aparecem fora de lugar, no começo do arquivo; a leitura seguiu a ordem impressa.

Leia o romance inteiro, na edição de 1864, publicada no Rio de Janeiro por B. L. Garnier, no exemplar digitalizado pela Brasiliana Digital, da USP, e publicado no Internet Archive. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Lucíola, Senhora, Cinco Minutos e Iracema.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é atribuída a José de Alencar pelo catálogo da biblioteca. Os trechos citados vêm da edição de 1864 da B. L. Garnier: os trechos em bloco saíram das páginas 9, 25, 27 e 80, e as citações curtas entre aspas vêm também das páginas 81 e 158, todas copiadas da imagem da página e conferidas no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo.