Net Love Net Love
Seções

A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Dinis: o resumo do romance de aldeia de Madalena, Augusto e Henrique

novo
Tamanho
1.222 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 21 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Júlio Dinis. A obra é dele e está em domínio público. Este resumo não reproduz passagens do livro e conta a morte de uma criança e a violência de uma multidão sem detalhes.

O livro

A Morgadinha dos Canaviais é um romance de Júlio Dinis, publicado em 1868, segundo a Wikipédia em português.

Tem o subtítulo Crónica da Aldeia e se passa numa aldeia do Minho, no século XIX.

A Wikisource o divide em 33 capítulos e uma conclusão, e a edição de referência é a 17.ª, de Lisboa, de 1881.

Henrique chega à aldeia

Henrique de Souzellas é um lisboeta de 27 anos, elegante e hipocondríaco, que o médico manda para o campo.

Ele vai para a quinta de Alvapenha, no Minho, onde mora a tia, D. Doroteia, uma solteira devota e tagarela, com a criada Maria de Jesus.

Na aldeia, conhece a prima Madalena, a morgadinha dos Canaviais, de 23 anos, que lê cartas para os mais pobres e os ajuda.

Ela é filha do conselheiro Manuel Bernardo de Mesquita, político liberal que vive em Lisboa, e herdou a quinta dos Canaviais de uma madrinha, a velha morgada.

A casa do Mosteiro

A família da aldeia mora no Mosteiro, um antigo convento que passou a particulares depois da extinção das ordens, em 1834.

Lá vivem D. Vitória, tia de Madalena, viúva, e os filhos dela, entre eles Cristina, de 19 anos, tímida e dedicada, e Mariana.

Todos se tratam por primos e recebem o mestre-escola Augusto.

Augusto é órfão, muito jovem, e já é mestre-escola, depois de estudar por conta própria. Recusou um legado da morgada que o obrigaria a seguir a vida de padre.

Ele ama Madalena em segredo há dez anos.

Seu grande amigo é o tio Vicente, um velho herbanário, companheiro de infância do conselheiro, que o orienta.

Os tipos da aldeia

O Cancela, apelidado Herodes, é recoveiro e ator dos autos de Reis. Sua filha, Ermelinda, de 12 anos, é afilhada de uma beata que está sob a influência de missionários.

Pertunhas é mestre de latim, correio, tocador de trompa e bisbilhoteiro.

Joãozinho das Perdizes é um morgado grosseiro e influente, que bebe na taberna de Damião Canada.

Eusébio Seabra, o Brasileiro, é um rico recém-voltado do Brasil e o grande rival do conselheiro na política local.

Os enganos do coração

Cristina gosta de Henrique, e Madalena percebe.

Madalena decide ajudar o primo a se livrar das manias de Lisboa aproximando-o de Cristina.

Henrique, por sua vez, acha que está apaixonado por Madalena e desconfia de Augusto.

Um passeio à ermida da Senhora da Saúde termina em tempestade, e Henrique zomba do tio Vicente, e Augusto o defende.

Os dois acabam em atrito, e Henrique chega a imaginar um encontro de Madalena à noite.

A estrada, o cemitério e a carta

O conselheiro conseguiu uma estrada para a região, e o traçado vai derrubar a casa do tio Vicente.

O Seabra comprou terrenos e quer negociar caro. Ao mesmo tempo, uma portaria proíbe os enterros dentro da igreja, o que irrita o povo e é atribuído ao conselheiro.

Os missionários e a beata aproveitam o descontentamento contra o conselheiro.

Uma carta do secretário de um ministro ao conselheiro, que revela um acordo (ele se ausentaria de uma votação em troca da estrada), aparece num jornal.

A carta original é achada na pasta de Augusto, e ele é acusado de ter vazado o segredo.

Por pressão do morgado Joãozinho, a vaga de professor já tinha ido para um concorrente, e agora Augusto deixa de ser recebido no Mosteiro.

O leitor sabe que quem a furtou foi Pertunhas, mas isso só se esclarece no fim.

Ermelinda

Na festa dos Reis, Ermelinda recita versos que Augusto escreveu, e é aplaudida.

Depois, sob a influência da madrinha e dos missionários, a menina tem o cabelo cortado, adoece gravemente, assustada, e depois morre.

O pai, que estava preso por ter brigado com um missionário, é solto sob fiança graças ao conselheiro.

Madalena destina à menina o jazigo da família, no cemitério.

Instigado na taberna, o Joãozinho lidera um grupo que vai ao enterro com machados, e Madalena se coloca diante do túmulo da mãe. É o pai, o Cancela, quem sepulta a filha.

A multidão só se dispersa quando o Cancela chega e vê a filha morta.

A reviravolta

Henrique, ferido na queda de cavalo que se segue a uma briga na taberna, é levado ao Mosteiro e cuidado por Cristina.

Quando melhora, Cristina vai rezar numa capela dos Canaviais, e Madalena arma para ele assistir.

Ali Henrique pede a mão dela, e Cristina aceita.

O tio Vicente, doente, vai à igreja no dia da eleição para votar no velho amigo.

Fala duramente com Joãozinho, aperta a mão do velho amigo e morre ali.

A cena abala o morgado, que muda de lado, e o conselheiro vence a eleição por 135 votos.

Augusto, que viu Madalena e Henrique à noite nos Canaviais sem ouvir tudo, acha que se amam e decide emigrar com o Cancela.

Antes de partir, ele encontra cartas de Madalena ao tio Vicente e descobre que ela o ajudava em segredo, com livros mandados pelo irmão.

O final

Madalena e o irmão Ângelo vão à casa de Augusto, esclarecem o engano e estendem a mão a ele.

O jornal do Seabra revela que o furto da carta foi de Pertunhas, e Augusto é inocentado.

O conselheiro admite o erro, mas se irrita ao saber do amor da filha por um rapaz pobre.

Um telegrama o chama a Lisboa para ser ministro, e ele cede.

Na conclusão, o autor conta que Madalena e Cristina se casaram no mesmo dia, e que Augusto e Madalena ficaram no Mosteiro.

O que o livro mostra

É um retrato de costumes da vida de aldeia no Portugal de meados do século XIX, com humor e com crítica a certas práticas políticas e religiosas.

A política local e as eleições aparecem com ironia: votos conduzidos como rebanho, jornais cheios de intrigas e promessas de emprego.

A morte de Ermelinda e o episódio do cemitério trazem um tom mais grave, de crítica ao fanatismo.

A personagem central, Madalena, é uma moça de caráter forte, que resolve os problemas dos outros e depois enfrenta o próprio pai para ficar com quem ama.

A edição

Lemos os 33 capítulos e a conclusão na Wikisource em português, na edição de referência de Lisboa, de 1881.

O texto da Wikisource tem a grafia da época; este resumo atualiza os nomes e a escrita.

O enredo é do livro, e a interpretação e o contexto são da casa.

Leia o romance inteiro, na Wikisource em português. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são As Pupilas do Senhor Reitor, Frei Luís de Sousa, O Primo Basílio e Os Lusíadas.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é de Júlio Dinis. Este resumo não reproduz passagens do livro, nem em bloco nem entre aspas.