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Artur e a espada na pedra novo

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Le Morte d'Arthur foi escrito por Sir Thomas Malory e terminado, diz o epílogo segundo a nota de A. W. Pollard, no nono ano do reinado de Eduardo IV, entre 1469 e 1470. William Caxton o imprimiu e terminou a edição no último dia de julho de 1485; foi ele, conta a mesma nota, quem dividiu a obra em vinte e um livros e em capítulos e escreveu os títulos deles. Este verbete segue o texto do Projeto Gutenberg, que é o da edição de Pollard: grafia modernizada e, segundo Pollard, fiel ao texto de Caxton tal como Oskar Sommer o reimprimiu, com erros tipográficos corrigidos e algumas emendas tiradas da edição de Wynkyn de Worde. Os capítulos usados foram conferidos com a edição Everyman de Ernest Rhys, de 1906, no Wikisource, que difere dele na grafia e, em alguns trechos, também na redação. A mesma nota diz que os quatro primeiros livros vêm do Merlin de Robert de Borron e dos seus continuadores. Conta-se aqui o livro I, capítulos I a VII, com o que os capítulos IX, XXIII a XXV e o livro II dizem da espada.

Uther Pendragon, rei de toda a Inglaterra, deseja Igraine, mulher do duque de Tintagil, e ela o recusa. Nos capítulos I e II, Merlin promete ajudá-lo com uma condição: a criança nascida daquela noite lhe será entregue. Por arte de Merlin, Uther entra no castelo de Tintagil com a aparência do duque, que já tinha morrido fora dali, numa saída contra o exército do rei; é nessa noite que Artur é gerado, e depois Uther se casa com Igraine. No capítulo III, como combinado, o menino é entregue a Merlin ainda sem batismo, e Merlin o leva a Sir Ector; um santo homem o batiza com o nome de Artur, e a mulher de Ector o amamenta. No capítulo IV, Uther, doente, vai à batalha numa liteira, por conselho de Merlin, os homens dele vencem os do Norte em St. Albans e ele, à beira da morte, diante dos barões, declara Artur seu herdeiro.

Depois, o reino fica muito tempo em perigo, porque os senhores poderosos se fortalecem e muitos esperam ser rei. No capítulo V, Merlin aconselha o arcebispo de Canterbury a chamar a Londres, para o Natal, todos os senhores e cavaleiros, sob pena de excomunhão, para que Jesus mostre por milagre quem deve ser o rei legítimo. Na maior igreja de Londres (se era a de São Paulo, diz Malory, o livro francês não menciona), depois das matinas e da primeira missa, aparece no adro, diante do altar-mor, uma grande pedra quadrada, como de mármore; no meio dela, uma espécie de bigorna de aço, de um pé de altura, e nela uma espada nua cravada pela ponta, com letras de ouro em volta: quem tirar esta espada desta pedra e bigorna é, por nascimento, o rei legítimo de toda a Inglaterra. Alguns tentam, e ninguém consegue movê-la. O arcebispo põe dez cavaleiros de guarda e, para manter os senhores e o povo reunidos, os barões fazem justas e um torneio no dia de Ano-Novo.

Sir Ector vai às justas com o filho, Sir Kay, feito cavaleiro no Dia de Todos os Santos, e com o jovem Artur, criado como irmão de Kay. No caminho, Kay está sem a espada, que deixara na pousada do pai, e pede a Artur que vá buscá-la. Artur encontra a casa vazia, porque todos tinham saído para ver as justas, e, contrariado, decide levar a espada da pedra, para que o irmão não fique sem espada naquele dia. Junto à pedra não há cavaleiros, que também estavam nas justas, e ele tira a espada com facilidade. Kay a reconhece e diz ao pai que, por isso, deve ser ele o rei. Ector volta com os dois à igreja, faz Kay jurar sobre um livro e ouve a verdade. Manda Artur repor a espada e tenta tirá-la, sem conseguir; no capítulo VI, Kay também não, e Artur a tira de novo sem esforço. Ector e Kay se ajoelham, e Ector conta que não é pai dele nem do mesmo sangue. Artur sofre ao saber disso, e Ector lhe pede uma só coisa: que faça de Kay o senescal de todas as suas terras. Artur promete.

No dia de Reis, os barões tentam outra vez, e só Artur tira a espada. Muitos senhores se indignam com a vergonha de serem governados por um menino de sangue sem nobreza, e a prova é adiada para a Candelária, depois para a Páscoa e por fim para Pentecostes; enquanto isso, os dez cavaleiros vigiam a espada dia e noite, sob uma tenda, cinco sempre de guarda, e o arcebispo, por providência de Merlin, põe junto de Artur cavaleiros em quem Uther confiava. Em cada data, só Artur consegue. No capítulo VII, em Pentecostes, ele tira a espada diante dos senhores e do povo, e o povo grita que quer Artur como rei, que não aceita mais demora e que matará quem se opuser. Ricos e pobres se ajoelham e pedem perdão pela demora, e Artur perdoa. Ele oferece a espada sobre o altar, é armado cavaleiro e coroado, jura ser rei justo, devolve as terras tomadas desde a morte de Uther e faz de Kay o senescal da Inglaterra.

Nesses capítulos, Malory não dá nome à espada da pedra. No capítulo IX, na primeira guerra do reinado, Merlin aconselha Artur a não lutar com a espada que ganhou por milagre até ver que leva a pior, e só então sacá-la; derrubado e posto de novo a cavalo, Artur saca a espada que o texto, ali, já chama de Excalibur, e ela brilha nos olhos dos inimigos como trinta tochas. No capítulo XXIII, a espada de Artur se parte em duas no combate com um cavaleiro que Merlin, no capítulo seguinte, diz ser o rei Pellinore. No XXV, Artur diz que não tem espada, e Merlin o leva a um lago onde um braço vestido de seda branca ergue uma: a Dama do Lago a dá a Artur em troca de um presente que pedirá quando quiser, e Merlin diz que a bainha vale dez espadas, porque quem a traz não perde sangue, por mais ferido que esteja. No livro II, capítulo III, a Dama do Lago diz o nome da espada que deu: Excalibur, que quer dizer corta-aço. O texto dá, portanto, o nome Excalibur à espada sacada no capítulo IX, antes do lago, e depois à espada do lago, e não explica se a espada partida diante de Pellinore era a da pedra.

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