O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry: o resumo da viagem do menino de cabelo dourado novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 3 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Antoine de Saint-Exupéry. O livro foi publicado em 1943, e o autor morreu em 1944: o texto original em francês está em domínio público no Brasil desde 2015. As traduções brasileiras publicadas são outra coisa: cada uma tem direitos próprios. Por isso este texto conta o livro com as nossas palavras, e as citações são curtas, no francês do original, com a nossa tradução logo abaixo. O texto que lemos para conferir é a transcrição do Projeto Gutenberg Australia (ebook 0300771h), lida em 3 de outubro de 2026. O nome e as representações do personagem são objeto de registros de marca ligados à sucessão do autor, e o livro traz aquarelas do próprio autor. Nenhuma delas aparece aqui: as figuras deste texto e as imagens do vídeo são nossas e foram geradas por inteligência artificial em 2026. O vídeo é narrado com a voz de Rodrigo Soares, sintetizada por inteligência artificial com a autorização dele, e as cenas e as imagens do vídeo foram geradas por inteligência artificial em 2026.
Um desenho que os adultos não entendem
Quem conta a história é um aviador.
Aos seis anos, ele viu num livro sobre a floresta a imagem de uma jiboia engolindo um animal, e fez o seu primeiro desenho: uma jiboia digerindo um elefante.
Mostrou aos adultos e perguntou se o desenho dava medo.
Eles perguntaram por que um chapéu daria medo.
Ele desenhou então o lado de dentro da jiboia, para eles entenderem, e ouviu o conselho de deixar os desenhos de lado e estudar geografia, história, cálculo e gramática.
Desistiu da pintura e aprendeu a pilotar aviões.
Sobre os adultos, ele diz:
Les grandes personnes ne comprennent jamais rien toutes seules, et c'est fatigant, pour les enfants, de toujours et toujours leur donner des explications.
Na nossa tradução: os adultos nunca entendem nada sozinhos, e é cansativo, para as crianças, ter sempre e sempre de dar explicações a eles.
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 1
O menino que apareceu no Saara
Seis anos antes de contar a história, o aviador teve uma pane no deserto do Saara.
Alguma coisa quebrou no motor, ele estava sem mecânico e sem passageiros, e tinha água que mal dava para oito dias.
Dormiu a primeira noite na areia, a mil milhas de qualquer lugar habitado.
Ao nascer do dia, uma vozinha o acordou:
S'il vous plaît...dessine-moi un mouton!
Na nossa tradução: por favor... desenha um carneiro para mim!
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 2
Era um menino muito sério, que não parecia perdido nem com fome, nem com sede, nem com medo.
O aviador fez um carneiro, e o menino achou doente; fez outro, e o menino disse que aquele tinha chifres; fez um terceiro, e era velho demais.
Com pressa de desmontar o motor, rabiscou uma caixa e disse que o carneiro estava lá dentro.
O rosto do menino se iluminou: era exatamente o que ele queria.
Um planeta do tamanho de uma casa
Aos poucos, o aviador descobre de onde o menino veio: de um planeta pouco maior que uma casa.
Ele diz ter sérias razões para acreditar que é o asteroide B 612, visto uma única vez ao telescópio, em 1909, por um astrônomo turco.
Ninguém acreditou no astrônomo quando ele apresentou a descoberta vestido com roupa do seu país; em 1920, de terno à europeia, todos acreditaram.
O narrador conta o número do asteroide por causa dos adultos, que gostam de números.
No planeta do menino há três vulcões, dois ativos e um extinto, que ele limpa toda semana, inclusive o extinto, porque nunca se sabe.
Há também sementes de baobá.
Se o broto não é arrancado cedo, a árvore toma o planeta inteiro e o fura com as raízes, e muitos baobás num planeta pequeno o fazem explodir.
Por isso o menino tem uma disciplina: toda manhã, depois de se arrumar, arruma o planeta.
O planeta é tão pequeno que basta puxar a cadeira alguns passos para ver de novo o sol se pôr.
Un jour, j'ai vu le soleil se coucher quarante-quatre fois!
Na nossa tradução: um dia, eu vi o sol se pôr quarenta e quatro vezes!
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 6
Logo depois, o menino diz que, quando a gente está muito triste, gosta do pôr do sol.
O aviador pergunta se ele estava muito triste naquele dia, e o menino não responde.
A rosa
Um dia, no planeta, nasceu uma flor diferente de todas as que o menino conhecia.
Era uma rosa, bonita e vaidosa, com quatro espinhos, que pedia água, um biombo contra o vento e, à noite, uma redoma de vidro contra o frio.
O menino cuidou dela com dedicação, mas começou a duvidar dela.
Il avait pris au sérieux des mots sans importance, et était devenu très malheureux.
Na nossa tradução: ele tinha levado a sério palavras sem importância e tinha ficado muito infeliz.
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 8
Mais tarde, ele confessa ao aviador que devia ter julgado a flor pelos atos, e não pelas palavras, e que era jovem demais para saber amá-la.
O aviador acredita que o menino fugiu aproveitando uma migração de pássaros selvagens.
Na manhã da partida, ele limpou os vulcões, arrancou os últimos brotos de baobá e regou a flor uma última vez.
Na despedida, a rosa pediu perdão, disse que o amava, pediu que ele fosse feliz e dispensou a redoma.
Não queria que ele a visse chorar.

Seis asteroides, seis adultos
O menino estava na região dos asteroides 325, 326, 327, 328, 329 e 330, e começou visitando cada um.
O primeiro é de um rei, cujo manto de arminho ocupa o planeta inteiro.
Ele diz reinar sobre tudo, até sobre as estrelas, mas só dá ordens que possam ser cumpridas, porque, segundo ele, a autoridade se apoia na razão.
Quando o menino vai embora, o rei o nomeia embaixador.
O segundo é de um vaidoso, que só quer ser admirado e só ouve elogios.
O terceiro é de um bêbado, que bebe para esquecer a vergonha que tem de beber.
Depois de cada visita, o menino conclui que os adultos são muito estranhos.
O quarto é de um homem de negócios, tão ocupado que nem levanta a cabeça.
Ele conta quinhentos e um milhões, seiscentas e vinte e duas mil, setecentas e trinta e uma estrelas, que diz possuir, e diz que as põe no banco: escreve o número num papelzinho e o tranca numa gaveta.
O menino responde que possui uma flor, que rega todos os dias, e três vulcões, que limpa toda semana, e que isso é útil a eles; o homem de negócios não é útil às estrelas.
O quinto é o menor de todos, com espaço só para um lampião e um acendedor.
O planeta passou a girar cada vez mais depressa, e a ordem não mudou: hoje ele dá uma volta por minuto, e o acendedor acende e apaga o lampião a cada minuto, sem descanso.
Ao seguir viagem, o menino pensa:
Cependant c'est le seul qui ne me paraisse pas ridicule. C'est, peut-être, parce qu'il s'occupe d'autre chose que de soi-même.
Na nossa tradução: no entanto, é o único que não me parece ridículo. Talvez porque ele cuida de outra coisa que não seja ele mesmo.
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 14
O sexto planeta é dez vezes maior e é de um velho geógrafo, que escreve livros enormes e nunca sai do gabinete, porque explorar é trabalho dos exploradores.
Ele não anota flores, porque elas são efêmeras, e explica que efêmero quer dizer ameaçado de desaparecer em breve.
É a primeira vez que o menino se arrepende de ter deixado a rosa sozinha.
O geógrafo recomenda que ele visite a Terra, que tem boa fama.

A Terra, a serpente e as cinco mil rosas
A Terra é o sétimo planeta da viagem.
O narrador conta que ela tem cento e onze reis, sete mil geógrafos, novecentos mil homens de negócios, sete milhões e meio de bêbados e trezentos e onze milhões de vaidosos, cerca de dois bilhões de adultos.
O menino chega ao deserto da África e não vê ninguém.
Encontra uma serpente, que diz poder levar de volta à terra de onde veio quem ela toca, e que poderá ajudá-lo um dia, se ele sentir saudade demais do seu planeta.
Depois atravessa o deserto, conversa com uma flor de três pétalas, sobe uma montanha e só ouve o eco.
Por fim, chega a um jardim com cinco mil rosas, todas parecidas com a sua.
A flor tinha dito a ele que era a única da sua espécie no universo.
O menino pensa que tinha uma flor única e tem uma rosa comum, e que isso, com três vulcões que batem no joelho, não faz dele um grande príncipe.
Deitado na grama, ele chora.
A raposa
É então que aparece a raposa, debaixo de uma macieira.
O menino a convida para brincar, e ela responde que não pode, porque não está cativada.
Cativar, ela explica, é uma coisa muito esquecida: quer dizer criar laços.
Para ela, ele é um menino igual a cem mil outros, e ela é uma raposa igual a cem mil outras; se ele a cativar, um vai precisar do outro, e cada um será único no mundo para o outro.
Ela conta que vê o trigo e não sente nada, mas que, se for cativada, o trigo dourado vai lembrar o cabelo dele.
Para isso é preciso paciência: sentar primeiro um pouco longe, na grama, sem falar, e a cada dia um pouco mais perto.
A raposa pede também que ele volte sempre à mesma hora, porque os ritos tornam um dia diferente dos outros.
O menino a cativa.
Quando chega a hora de partir, a raposa diz que vai chorar, e manda o menino ver de novo as rosas.
Ele entende que a sua rosa é única: é ela que ele regou, protegeu com a redoma e o biombo e ouviu se queixar, se gabar e até ficar calada.
Na volta, a raposa conta o segredo:
Voici mon secret. Il est très simple : on ne voit bien qu'avec le coeur. L'essentiel est invisible pour les yeux.
Na nossa tradução: eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 21
Ela acrescenta que é o tempo que ele perdeu com a rosa que a faz tão importante, e diz mais uma coisa:
Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé.
Na nossa tradução: você se torna responsável para sempre por aquilo que cativou.
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 21

O manobreiro e o vendedor
Na Terra, o menino ainda encontra um manobreiro de trens, que separa os viajantes em pacotes de mil, e um vendedor de pílulas que tiram a sede.
Com elas, diz o vendedor, se economizam cinquenta e três minutos por semana.
O menino pensa que, se tivesse cinquenta e três minutos, andaria bem devagar até uma fonte.
O poço
Estamos no oitavo dia da pane, e o aviador acaba de beber a última gota de água.
O menino propõe procurar um poço, mesmo que pareça absurdo procurar ao acaso num deserto imenso.
Eles andam horas em silêncio, e o menino diz:
Ce qui embellit le désert, dit le petit prince, c'est qu'il cache un puits quelque part...
Na nossa tradução: o que embeleza o deserto, disse o pequeno príncipe, é que ele esconde um poço em algum lugar...
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 24
Quando o menino adormece, o aviador o carrega nos braços e pensa que o mais importante é invisível.
Ao nascer do dia, encontra o poço.
Não é um buraco cavado na areia, como os poços do Saara: parece um poço de aldeia, com roldana, balde e corda, embora não haja aldeia nenhuma.
Os dois bebem. Para o aviador, aquela água é boa para o coração, porque nasceu da caminhada sob as estrelas, do canto da roldana e do esforço dos braços.
Depois, o menino conta que no dia seguinte faz um ano que caiu na Terra, bem perto dali.
A volta
Ao lado do poço há um muro de pedra em ruínas.
Ao entardecer do dia seguinte, quando o aviador volta do trabalho no motor, vê de longe o menino sentado no muro, com as pernas pendentes, conversando com a serpente.
Pouco depois, o menino diz que fica contente por ele ter achado o que faltava na máquina, e o aviador, que tinha conseguido consertar o avião, nem tinha contado ainda.
O menino diz que naquela noite faz um ano da queda e que a sua estrela vai estar bem em cima do lugar onde ele chegou.
Ele dá ao aviador um presente para quando olhar o céu:
Tu auras, toi, des étoiles qui savent rire!
Na nossa tradução: você, você vai ter estrelas que sabem rir!
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince, capítulo 26
Naquela noite, o menino sai sem avisar, e o aviador o alcança na areia.
O menino diz que é responsável pela flor, que é muito frágil, e dá um passo sozinho.
Houve só um clarão amarelo perto do tornozelo dele, e ele caiu devagar, sem barulho, por causa da areia.
O último capítulo se passa seis anos depois.
O aviador diz que sabe que o menino voltou ao seu planeta, porque, ao nascer do dia, não encontrou o corpo dele.
Gosta de ouvir as estrelas à noite, como quinhentos milhões de guizos.
Mas lembra que se esqueceu de desenhar a correia da focinheira que fez para o carneiro, e se pergunta se o carneiro comeu a rosa.
No fim, pede ao leitor que, se um dia passar por aquele lugar do deserto da África e um menino de cabelo dourado aparecer rindo, escreva logo para ele.
Uma nota sobre os desenhos do livro
O livro é ilustrado com aquarelas do próprio Saint-Exupéry, e o narrador fala delas o tempo todo: o desenho da jiboia, a caixa do carneiro, os baobás, a paisagem do fim.
Esta página e o vídeo não reproduzem nenhuma dessas aquarelas.
As figuras são infográficos desenhados para este texto, e as cenas do vídeo foram geradas a partir de descrições escritas por nós.
Por que ler hoje
Porque o livro trata, numa história curta, de temas que voltam ao longo dela: os adultos que só se interessam por números, o cuidado com quem se ama, a amizade que se constrói com tempo e a responsabilidade por quem se cativou.
Cada leitor decide o que leva da leitura.
Leia o livro inteiro, na transcrição em francês do Projeto Gutenberg Australia, de onde saem os trechos citados aqui. O Pequeno Príncipe não está no acervo da Net Love. O original em francês está em domínio público no Brasil desde 2015; as traduções brasileiras publicadas têm direitos próprios.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outro livro da série sobre dinheiro é O Homem Mais Rico da Babilônia.
Transcrição do vídeo
Eu sou o Rodrigo Soares, e em três minutos eu te conto O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.
Quem conta a história é um aviador.
Aos seis anos, ele desenhou uma jiboia digerindo um elefante, e os adultos só viram um chapéu.
Adulto, ele sofre uma pane no Saara, com água que mal dá para oito dias.
Ao nascer do dia, uma vozinha o acorda.
Um menino de cabelo dourado pede o desenho de um carneiro.
Recusa os primeiros, mas aceita uma caixa: o carneiro está dentro.
Ele vem de um asteroide pouco maior que uma casa, provavelmente o B 612.
Lá, limpa três vulcões, dois ativos e um extinto.
Todo dia, ele arranca os brotos de baobá: se crescem, as raízes furam o planeta, e muitos baobás podem fazê-lo explodir.
Basta puxar a cadeira alguns passos para ver outro pôr do sol.
Um dia, ele viu o sol se pôr quarenta e quatro vezes.
Nasce uma rosa, linda e vaidosa.
Ele a rega e a cobre com uma redoma, mas leva a sério palavras sem importância e fica infeliz.
Na despedida, a rosa pede perdão e diz que o ama.
O aviador acredita que ele partiu numa migração de pássaros selvagens.
Primeiro, ele visita o asteroide 325, de um rei que diz reinar sobre tudo, até sobre as estrelas.
No segundo, um vaidoso só ouve elogios.
No terceiro, um bêbado bebe para esquecer a vergonha de beber.
No quarto, um homem de negócios conta estrelas que diz possuir.
No quinto, um acendedor acende e apaga o lampião a cada minuto.
No sexto, um geógrafo que não sai do gabinete não anota flores, porque duram pouco.
E recomenda visitar a Terra.
A Terra é o sétimo planeta que ele visita.
No deserto da África, uma serpente oferece ajuda, se ele sentir muita saudade do seu planeta.
Num jardim, ele vê cinco mil rosas parecidas com a sua, que dizia ser única no universo.
E ele chora.
A raposa pede que ele a cative, que crie laços.
Eles ficam amigos, e ele entende que a sua rosa é única pelo tempo que dedicou a ela.
Na despedida, a raposa conta o segredo: só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível para os olhos.
No oitavo dia da pane, sem água, eles procuram um poço.
O aviador carrega o menino adormecido e encontra o poço ao amanhecer.
Um ano depois de chegar à Terra, o menino reencontra a serpente e desaparece.
O aviador diz que ele voltou ao seu planeta, porque ao amanhecer não encontrou o corpo.
E ainda se pergunta se o carneiro comeu a rosa.
O resumo está no Net Love.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Antoine de Saint-Exupéry e o texto original em francês está em domínio público no Brasil; as traduções brasileiras publicadas têm direitos próprios e não foram usadas. Os trechos citados saíram da transcrição em francês do Projeto Gutenberg Australia, como estão lá, inclusive na grafia coeur, e as traduções logo abaixo são nossas.
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