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O Mandarim, de Eça de Queirós: o resumo da novela do funcionário que tocou uma campainha e herdou uma fortuna

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899 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 21 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Eça de Queirós. A obra é dele e está em domínio público. Este resumo não reproduz passagens do livro e trata com sobriedade o adultério e os estereótipos da época.

O livro

O Mandarim é uma novela satírica de Eça de Queirós, publicada em 1880, segundo a Wikipédia em português.

O texto da Wikisource tem um prólogo e oito capítulos, e a edição de referência é a terceira, do Porto, de 1889.

No prólogo, dois amigos conversam num terraço e combinam contar uma fantasia com uma moral discreta.

O resto é a história de Teodoro, que narra em primeira pessoa.

Teodoro, o amanuense

Teodoro é funcionário do Ministério do Reino, em Lisboa, e ganha vinte mil réis por mês.

Mora numa casa de hóspedes, administrada por D. Augusta, viúva de um major, com dois companheiros de mesa: o Cabrita e o tenente Couceiro.

Vive pobre, compra livros velhos na feira da Ladra e tem fama de azarado.

A campainha

Num desses livros velhos, ele lê uma pergunta: se bastasse tocar uma campainha para matar, no fundo da China, um mandarim riquíssimo e ficar com a herança dele, você tocaria?

Aparece então um homem vestido de preto, de chapéu alto e guarda-chuva, que o convence a tocar.

O livro nunca diz o nome desse visitante, mas todos os sinais o mostram como uma figura do Diabo.

Teodoro toca, o mandarim Ti-Chin-Fú morre, e o visitante some.

A fortuna e o remorso

Um mês depois, uma firma de Lisboa traz a herança: letras de 106 mil contos, sobre bancos de várias capitais da Europa.

Teodoro vira milionário de um dia para o outro.

Compra um palacete, vive no luxo e no deboche, e a fama dele corre a Europa.

Mas a imagem do velho mandarim o persegue, e ele passa a se ver como quem matou um inocente.

Pensa na família do morto, que ele imagina na miséria, e reza, manda dizer missas e ergue uma catedral de mármore.

Nada acalma o remorso, e ele decide ir à China, achar os parentes do mandarim e casar com uma descendente, para devolver o dinheiro.

Embarca em Marselha num paquete para o Oriente.

Na China

Desembarca em Xangai e segue para Tien-Tsin e Pequim.

Em Pequim, conhece o embaixador russo, o general Camiloff, a mulher dele e um intérprete chamado Sá-Tó.

O general lhe explica que a lei chinesa pune quem faz um pedido assim ao Imperador e que a distribuição de dinheiro entre o povo seria suspeita.

Teodoro passa a viver à chinesa e se envolve com a mulher do general, numa relação que o livro conta sem cena.

O governo imperial abre uma busca pela família do mandarim e demora um verão inteiro até apontar uma aldeia na Mongólia, Tien-Hó.

A aldeia de Tien-Hó

Teodoro parte para lá com uma escolta de cossacos.

A população cerca a estalagem para saquear a riqueza do estrangeiro, e o próprio governador parece estar por trás.

A escolta é morta, e Teodoro foge a cavalo, ferido, e cai desmaiado num lugar de caixões abandonados.

Missionários lazaristas o recolhem num convento.

Lá, uma carta do general avisa que a família do mandarim talvez esteja em outro lugar, que a aldeia fora extorquida por um príncipe e que o intérprete voltou ferido.

Teodoro desiste da busca, doa dinheiro ao convento e volta à Europa, sempre seguido pela visão do velho.

De volta a Lisboa

Em Lisboa, tenta largar a riqueza e voltar à vida de antes.

Retoma o emprego, mas a pobreza o humilha, e ele volta ao luxo.

Reencontra o homem de preto e lhe pede que ressuscite o mandarim, e a resposta é que isso não pode ser.

Doente e entediado, deixa um testamento em que lega os milhões ao Demônio.

O livro fecha com uma moral dirigida ao leitor, sobre o valor do que se ganha com o próprio trabalho e sobre o preço de uma riqueza que custou a vida de outra pessoa.

O que a novela mostra

É uma sátira da cobiça: a pergunta do livro velho trata o dinheiro como algo que se ganha sem ver quem paga.

O humor vem do contraste entre o remorso sincero de Teodoro e a facilidade com que ele continua a gastar.

A China do livro é imaginada por um autor português do século XIX e traz estereótipos da época, que convém ler com olhar crítico.

O adultério e o deboche aparecem como parte da sátira, sem cena explícita.

A edição

Lemos o prólogo e os oito capítulos na Wikisource em português, na edição de referência do Porto, de 1889.

O enredo é do livro, e a interpretação e o contexto são da casa.

Leia o livro inteiro, na Wikisource em português. O acervo da Net Love tem este resumo, não o livro inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Os Maias, O Primo Basílio, A Relíquia e A Cidade e as Serras.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui a novela. A obra é de Eça de Queirós. Este resumo não reproduz passagens do livro, nem em bloco nem entre aspas.