Busque Amor novas artes, novo engenho novo
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- 14 versos
Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não póde tirar-me as esperanças,
Pois mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vêde que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas com quanto não póde haver desgôsto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor hum mal, que mata e não se vê.
Que dias ha que na alma me tẽe posto
Hum não sei que, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e doe não sei porque.
Para conferir
- Luís de Camões, Obras completas de Luis de Camões, correctas e emendadas pelo cuidado e diligencia de J. V. Barreto Feio e J. G. Monteiro, tomo segundo (Lisboa, 1843; acha-se tambem em Pariz, na Livraria Europea de Baudry), Sonetos, XV, p. 8: o texto do poema na página impressa digitalizada (página 82 do arquivo), com a grafia da edição preservada.
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