Transforma-se o amador na cousa amada novo
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Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar:
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nella está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente póde descansar,
Pois com elle tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semidea,
Que como o accidente em seu sojeito,
Assi com a alma minha se confórma;
Está no pensamento como idea;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a materia simples busca a fórma.
Para conferir
- Luís de Camões, Obras completas de Luis de Camões, correctas e emendadas pelo cuidado e diligencia de J. V. Barreto Feio e J. G. Monteiro, tomo segundo (Lisboa, 1843; acha-se tambem em Pariz, na Livraria Europea de Baudry), Sonetos, X, p. 6: o texto do poema na página impressa digitalizada (página 80 do arquivo), com a grafia da edição preservada.
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