Beowulf e Grendel novo
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Beowulf é um poema em inglês antigo, de autor desconhecido. Este verbete segue a tradução em versos de Francis B. Gummere, publicada em 1909 no livro The Oldest English Epic, no texto do Projeto Gutenberg conferido com o do Wikisource, e conta as seções I a XIV do poema. O começo é dos reis dinamarqueses: Scyld Scefing, achado ainda criança e sem ninguém, que o destino recompensou e que se tornou um bom rei, e o filho dele, que na tradução também se chama Beowulf (uma nota de Gummere avisa que não é o herói). Dessa linhagem vem Healfdene, e um dos quatro filhos dele, Hrothgar, teve tanta glória na guerra que o bando de guerreiros dele cresceu, e ele resolveu erguer um salão de banquete maior que qualquer outro já visto, que chamou Heorot. Segundo outra nota do tradutor, o nome quer dizer o cervo, por causa de enfeites nas empenas que lembravam chifres. Ali o rei distribuía anéis e tesouros. O poema avisa logo que o salão esperava, um dia, o fogo, e que não estava longe o tempo em que sogro e genro se enfrentariam.
Na seção I, um espírito mau, que vivia na escuridão, sofria por ouvir todo dia a festa no salão: a harpa e o canto do poeta, que contava como o Todo-Poderoso fez a terra, o sol e a lua. Chamava-se Grendel e morava nos charcos e pântanos. O poema o põe na descendência de Caim, banida por Deus depois da morte de Abel, a mesma de onde vieram gigantes, elfos e espíritos maus. Na seção II, ele chega ao cair da noite, encontra os guerreiros dinamarqueses dormindo depois do banquete, leva trinta deles e volta para a toca. De manhã, onde houvera festa, há lamento. Na noite seguinte ele volta, e os homens passam a dormir longe dali, até que o salão fica vazio. Hrothgar sofre o ataque por doze anos. Grendel não aceita fazer as pazes nem pagar em ouro a reparação pelas mortes. Os nobres se reúnem em busca de conselho e, às vezes, prometem oferendas nos templos pagãos; o poema lamenta que eles não conhecessem o verdadeiro Deus.
Na seção III, a notícia chega à terra dos geatas, a um guerreiro do rei Hygelac, o homem mais forte daquele tempo. Ele escolhe os melhores guerreiros e atravessa o mar com catorze homens; no segundo dia avistam terra, e o guarda da costa lhes pergunta quem são. Na seção V ele diz o nome, Beowulf, e na VI Hrothgar conta que o conheceu moço, que ele é filho de Ecgtheow e que os marinheiros dizem que ele tem na mão a força de trinta homens. Beowulf pede para limpar Heorot só com os seus e, como ouviu dizer que o monstro não usa armas, promete lutar sem espada nem escudo, só com as mãos; se morrer, que mandem a Hygelac a cota de malha dele, obra de Wayland. Na seção VIII, Unferth, que se senta aos pés do rei, o provoca com a história de uma disputa de natação com Breca, que Beowulf teria perdido. Beowulf responde que nadaram juntos, de espada na mão, cinco noites (Unferth tinha falado em sete), até o mar os separar, e que matou nove monstros marinhos. A rainha Wealhtheow passa a taça, e ao anoitecer Hrothgar entrega o salão a Beowulf, dizendo que nunca o confiara a ninguém.
Na seção X, Beowulf tira a cota de malha e o elmo e entrega a espada a um servo: como Grendel não conhece a arte das armas, os dois vão lutar sem espada. Os geatas se deitam, e nenhum deles pensava que voltaria a ver a terra natal. Na seção XI, Grendel vem do pântano pela névoa; a porta, presa com ferrolhos de ferro, cede aos punhos dele, e dos olhos sai uma luz como de chama. Ele agarra um dos guerreiros que dormiam e o devora. Quando estende a mão para Beowulf, Beowulf a prende, e Grendel sente que nunca encontrou no mundo aperto mais forte: tem medo e quer fugir. A luta derruba muitos bancos, o salão por pouco não cai, e os dinamarqueses ouvem de fora o grito do monstro. Na seção XII, os companheiros de Beowulf tentam feri-lo, mas nenhuma lâmina o fere, porque ele estava protegido por encantamento contra o ferro. Grendel leva uma ferida mortal no ombro, os tendões se rompem, e ele foge para a toca no pântano, sabendo que vai morrer. Beowulf deixa sob o telhado do salão a mão, o braço e o ombro do monstro, como prova.
Na seção XIII, de manhã, muita gente segue o rastro até o lago dos demônios, onde a água ferve de sangue: ali Grendel morreu, e o poema diz que o inferno recebeu a alma dele. Na volta, os cavaleiros apostam corrida, e um homem do rei, que sabia muitas histórias antigas, compõe versos sobre a façanha de Beowulf e conta a de Sigemund, filho de Waels, que matou sozinho, sob uma rocha, um dragão que guardava um tesouro. Na Völsunga saga, seguida no verbete Sigurd e o dragão Fáfnir, quem mata o dragão é Sigurd, filho de Sigmund: a tradição varia. Na seção XIV, Hrothgar olha o telhado alto e a mão de Grendel, agradece a Deus e diz que vai amar Beowulf como a um filho. Beowulf lamenta não ter conseguido segurá-lo até a morte ali mesmo; o monstro escapou, mas deixou a mão. O filho de Ecglaf, Unferth (o nome está numa nota do tradutor), fala menos de si diante dos dedos do inimigo, de unhas que pareciam de aço. Na seção XIX, a mãe de Grendel, que sobreviveu a ele, vem vingá-lo, e o poema segue com outra luta.
Para conferir
- Beowulf, tradução de Francis Barton Gummere, no Projeto Gutenberg (ebook 981): o texto inteiro, do prelúdio à seção XIX, e as notas do tradutor.
- Francis B. Gummere, The Oldest English Epic, 1909, no Wikisource: o livro em que a tradução saiu e o ano de 1909.
- Beowulf, tradução de Gummere, prelúdio, no Wikisource: Scyld Scefing achado sem ninguém, o filho dele chamado Beowulf e a nota do tradutor que avisa que não é o herói.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção I, no Wikisource: Healfdene e os quatro filhos, Heorot e a nota sobre o nome, os anéis e tesouros, o fogo que esperava o salão, sogro e genro, o canto da criação, Grendel nos pântanos e a descendência de Caim.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção II, no Wikisource: os trinta guerreiros levados, o lamento da manhã, o salão vazio, os doze anos, a recusa da paz e da reparação em ouro e as promessas de oferendas nos templos pagãos.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção III, no Wikisource: o guerreiro de Hygelac, os catorze companheiros, a terra avistada no segundo dia e o guarda da costa.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção V, no Wikisource: o nome de Beowulf dito ao arauto.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção VI, no Wikisource: Hrothgar, que o conheceu moço, Ecgtheow, a força de trinta homens, o pedido de limpar Heorot, a luta sem espada nem escudo e a cota obra de Wayland.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção VIII, no Wikisource: Unferth aos pés do rei, as sete noites que ele diz, a disputa com Breca e as cinco noites de Beowulf.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção IX, no Wikisource: os nove monstros marinhos, a taça de Wealhtheow e o salão entregue a Beowulf.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção X, no Wikisource: a cota, o elmo e a espada deixados, a luta sem armas e os geatas que não pensavam voltar.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção XI, no Wikisource: a chegada pela névoa, a porta, os olhos como chama, o guerreiro devorado, o aperto de Beowulf, o medo de Grendel, os bancos derrubados e o grito.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção XII, no Wikisource: as lâminas que não ferem por encantamento, a ferida no ombro, a fuga para a toca e a mão, o braço e o ombro deixados sob o telhado.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção XIII, no Wikisource: o rastro até o lago, a água de sangue, a alma recebida pelo inferno, a corrida e o canto de Sigemund e do dragão.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção XIV, no Wikisource: Hrothgar diante da mão, Beowulf amado como filho, o lamento de não tê-lo segurado e Unferth menos dado a se gabar diante das unhas que pareciam de aço.
- Beowulf, tradução de Gummere, seção XIX, no Wikisource: a mãe de Grendel, que sobreviveu a ele e vem vingá-lo.
- Völsunga saga, tradução de Eiríkr Magnússon e William Morris, 1888, capítulo XVIII, no Wikisource: a outra versão: Sigurd, filho de Sigmund, mata o dragão Fáfnir.



