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A lenda da Boiúna

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À noite, no rio, um pescador vê uma luz forte vindo na sua direção e pensa que é um barco iluminado. Não é: são os olhos da Boiúna.

A Boiúna, também chamada de Cobra Grande, é um ser da lenda amazônica que vive em rios, lagos e igarapés. O nome vem do tupi e é lido como cobra preta. É uma serpente enorme, de corpo escuro, e que pode tomar a forma de navios, canoas e vapores para enganar quem navega. Quando se move, faz ondas e redemoinhos.

Em Belém, no Pará, conta-se que ela dorme debaixo da cidade, com a cabeça sob a Catedral da Sé e o corpo até a Basílica de Nazaré. Se acordasse, a capital afundaria no rio. Há quem ligue o sono dela ao Círio de Nazaré, e alguns moradores atribuem tremores de terra aos movimentos dela. Em Parintins, no Amazonas, também se conta que ela dorme sob a cidade.

Há várias histórias sobre a origem. Numa, uma indígena engravidou da Boiúna e deu à luz gêmeos: Maria afundava barcos, e Honorato, cansado das maldades da irmã, a matou. É o enredo que leva à lenda da Cobra Norato. Em outra, uma mulher que devorava crianças foi jogada no rio e salva por Anhangá, e o filho dos dois virou cobra e passou a assustar os ribeirinhos.

Veja também: A lenda da Cobra Norato; A lenda do Cabeça de Cuia; Iara, a mãe-d'água.

Para conferir