A lenda da Boiúna
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À noite, no rio, um pescador vê uma luz forte vindo na sua direção e pensa que é um barco iluminado. Não é: são os olhos da Boiúna.
A Boiúna, também chamada de Cobra Grande, é um ser da lenda amazônica que vive em rios, lagos e igarapés. O nome vem do tupi e é lido como cobra preta. É uma serpente enorme, de corpo escuro, e que pode tomar a forma de navios, canoas e vapores para enganar quem navega. Quando se move, faz ondas e redemoinhos.
Em Belém, no Pará, conta-se que ela dorme debaixo da cidade, com a cabeça sob a Catedral da Sé e o corpo até a Basílica de Nazaré. Se acordasse, a capital afundaria no rio. Há quem ligue o sono dela ao Círio de Nazaré, e alguns moradores atribuem tremores de terra aos movimentos dela. Em Parintins, no Amazonas, também se conta que ela dorme sob a cidade.
Há várias histórias sobre a origem. Numa, uma indígena engravidou da Boiúna e deu à luz gêmeos: Maria afundava barcos, e Honorato, cansado das maldades da irmã, a matou. É o enredo que leva à lenda da Cobra Norato. Em outra, uma mulher que devorava crianças foi jogada no rio e salva por Anhangá, e o filho dos dois virou cobra e passou a assustar os ribeirinhos.
Veja também: A lenda da Cobra Norato; A lenda do Cabeça de Cuia; Iara, a mãe-d'água.
Para conferir
- Wikipédia em português, verbete Boiúna (Cobra-grande): o mito amazônico, o nome do tupi mbóiuna, cobra preta (com o dicionário Houaiss e o de Aurélio, que o verbete cita), a serpente que vira barcos, a cobra de Belém sob a Sé e a Basílica de Nazaré, a versão dos gêmeos de Honorato e a de Anhangá. O verbete é marcado como precisando de melhores referências.
- Portal Amazônia, Boiúna, a cobra grande da lenda amazônica (Redação, 26/04/2025): a cobra de corpo escuro cujos olhos de luz forte confundem pescadores, as formas de navios, canoas e vapores, as ondas e redemoinhos, a cobra sob a Sé e a Basílica de Nazaré, o Círio, os tremores de terra e a cobra sob Parintins.
- Portal Amazônia, Lendas amazônicas: onde estão as cobras grandes da Amazônia? (Isabelle Lima, 17/12/2021): a Boiúna sob igrejas e cidades, a versão de Belém, a de Parintins, a mulher que devorava crianças salva por Anhangá e a versão da indígena grávida da Boiúna, com a irmã que afundava barcos e Honorato, que a matou.







