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Ubirajara, de José de Alencar: o resumo da lenda do senhor da lança novo

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2.935 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 4 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de José de Alencar. A obra é dele, saiu em 1874 com o subtítulo Lenda tupy e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português de uma edição de 1913, uma página para cada um dos nove capítulos, sem as notas do autor que a primeira edição trazia. Ubirajara é um romance indianista: a representação dos povos indígenas, das leis e das falas do livro é uma construção literária de Alencar, marcada pelo seu tempo, e não um retrato documental deles. Este resumo conta a lenda como Alencar a escreveu, separa o que é dele do que se pode afirmar como fato e não repete os rótulos depreciativos com que o livro chama os inimigos dos heróis. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

O caçador que queria um nome

O livro abre na margem do "grande rio", com Jaguarê, jovem caçador araguaia, filho do chefe Camacan.

Ele já é o maior caçador da sua gente, e quer outra coisa:

Jaguarê chegou á idade em que o mancebo troca a fama do caçador pela gloria do guerreiro.

Ubirajara, capítulo 1

Para ganhar um nome de guerra, precisa de uma grande façanha; por isso deixou a taba e a noiva, Jandyra, e há três dias procura um inimigo digno dele.

Encontra, em vez disso, uma caçadora: Aracy, a "estrella do dia", filha de Itaquê, o chefe dos tocantins, senhores daquelas margens.

Ela conta que cem guerreiros servem na cabana do pai para merecê-la e o convida a ser mais um; ele recusa e manda que ela desafie por ele os cem guerreiros.

Aparece Pojucan, o "matador de gente", guerreiro chefe tocantim.

Os dois atravessam a noite lutando, e nenhum derruba o outro.

Pojucan propõe uma corrida até a lança de duas pontas que Jaguarê inventou; os dois a alcançam juntos, mas a arma fica na mão de Pojucan.

Quando Pojucan ataca, a lança roda, e é ele quem recebe a ponta no peito.

Jaguarê põe a mão no ombro do vencido e grita o nome novo:

Eu sou Ubirajara, o senhor da lança, o guerreiro invencível que tem por arma a serpente.

Ubirajara, capítulo 1

Pojucan pede que o vencedor não o deixe viver na vergonha da derrota.

Ubirajara recusa: vai levá-lo prisioneiro para a festa da vitória.

A festa e o grande arco

No capítulo 2, a taba araguaia celebra o novo guerreiro.

Diante do conselho dos anciãos, ele canta a história do combate, e Pojucan, ferido e de pé, fala do valor de quem o venceu.

A multidão aclama Ubirajara, e Camacan lhe oferece o grande arco da nação, insígnia do chefe na guerra.

O filho não aceita o arco como presente:

Ubirajara não o recebe de ti e nenhum outro guerreiro, pois o ha de conquistar pela sua pujança.

Ubirajara, capítulo 2

Joga o arco no meio da ocara e desafia quem quiser disputá-lo; ninguém avança, e ele dispara a primeira seta como chefe.

Jandyra acompanha a festa de longe, atrás da estacada; mais tarde as mulheres entram para servir o cauim, mas ela, como as outras virgens, continua do lado de fora.

A noiva deixada

Na manhã seguinte, no capítulo 3, Jandyra, filha do ancião Magé, prepara a rede do casamento e espera Ubirajara, que não vem.

Ele sonhou com Aracy e, depois de acordar, não conseguiu tornar a dormir; agora vaga pela mata, para os lados do grande rio.

Jandyra o procura e o encontra; ele diz que ainda não escolheu esposa.

Pojucan, sozinho na cabana, teme que o vencedor lhe recuse a morte gloriosa e o mantenha cativo.

Não foge, porque a lei da guerra, como o livro a descreve, o prende ao vencedor desde que este lhe pôs a mão no ombro.

Quando Ubirajara volta, Pojucan pede a morte em combate, e Ubirajara a concede para quando a ferida fechar.

Pelo costume que o livro atribui às duas nações, o prisioneiro recebe uma esposa até o suplício, e Ubirajara entrega Jandyra a Pojucan como "esposa do tumulo".

Jandyra recusa:

Mas no amor de Jandyra, ninguém manda, nem Tupan.

Ubirajara, capítulo 3

Pojucan responde que não precisa do amor dela e a aconselha a fugir da cólera dos anciãos; ela foge para a floresta.

Ubirajara anuncia ao conselho que vai partir e que volta na próxima lua para o suplício de Pojucan; se chegar a flecha da guerra, devem tocar o trocano onde os grandes rios se encontram.

Quem é quem em Ubirajara. Jaguarê, depois Ubirajara, o herói: jovem caçador araguaia, filho de Camacan. Ganha o nome de Ubirajara, o senhor da lança, ao vencer Pojucan, e entre os tocantins se chama Jurandyr. Aracy, a estrela do dia: filha de Itaquê, caçadora tocantim. Prefere o hóspede sem nome e, na prova da virgem, se deixa alcançar. Jandyra, a noiva araguaia: filha do ancião Magé. Deixada por Ubirajara, recusa ser dada a Pojucan, tenta matar Aracy e termina como segunda esposa. Pojucan, o vencido: guerreiro chefe tocantim, filho de Itaquê e irmão de Aracy. Prisioneiro dos araguaias, é libertado por Ubirajara. Itaquê, o chefe tocantim: pai de Aracy e de Pojucan. Mantém a hospitalidade diante de quem venceu o filho; cego na batalha, entrega a Ubirajara o arco e a nação. Jacamim, a esposa de Itaquê: mãe de Pojucan e de Aracy. Camacan e Magé, os anciãos araguaias: Camacan, pai de Ubirajara, lhe oferece o grande arco; Magé é o pai de Jandyra. Canicran e Agniná, os inimigos: irmãos, chefes da terceira nação do livro. Canicran morre lutando com Itaquê; Agniná é vencido por Ubirajara. Pahan, o menino: filho de Canicran. Fere os olhos de Itaquê, é capturado por Tubim, enviado a Itaquê e libertado por Itaquê. Nomes como a transcrição de 1913 os escreve; Jaguarê, Ubirajara e Jurandyr são a mesma pessoa.
Quem é quem em Ubirajara. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O hóspede sem nome

No capítulo 4, Ubirajara chega sozinho à grande taba dos tocantins, quebra uma seta em sinal de paz e entra como estrangeiro.

Ninguém lhe pergunta quem é:

A lei da hospitalidade não consentia que se perguntasse o nome ao estrangeiro que chegava nem que se indagasse de sua nação.

Ubirajara, capítulo 4

Itaquê o recebe, com a esposa, Jacamim.

Os anciãos propõem nomes para o hóspede, e o mais velho, Guaribú, sugere que se pergunte a ele como quer ser chamado.

Ele escolhe Jurandyr, "aquelle que veio trazido pela luz do céo".

Aracy chega, reconhece o caçador araguaia, que deixou em casa o cocar da sua nação, e guarda o segredo.

Jurandyr conta aos anciãos o que viu nas viagens: a pororoca, a terra das mulheres guerreiras, as praias dos Tupinambás.

Os mais velhos chegam a pensar que ele é filho de Sumé.

À tarde, pelo rito da hospitalidade que o livro descreve, as moças livres da taba vêm se oferecer ao hóspede; ele as afasta e diz que veio buscar uma esposa.

O servo do amor

No capítulo 5, Jurandyr se apresenta a Itaquê para servir ao pai de Aracy e disputá-la aos outros guerreiros.

Desde esse momento, Jurandyr não foi mais estrangeiro na taba dos tocantins. Pertencia á oca de Itaquê, e devia, como servo do amor, trabalhar para o pai de sua noiva.

Ubirajara, capítulo 5

Arpoa um manati, segura um tapir velho pela pata, caça, pesca e trabalha nas roças do chefe.

Aracy e ele se encontram no rio, longe da vista dos outros pretendentes.

Uma manhã, na floresta, Jandyra, que veio atrás dele, tenta matar Aracy com uma macana.

Jurandyr a detém, ata-lhe as mãos e a entrega a Aracy como cativa.

As duas ficam sozinhas.

Aracy canta que, quando ela mesma não tiver mais beleza para dar ao esposo, aceitará Jandyra na rede dele; Jandyra responde que não aceita ser serva da rival.

Aracy desata-lhe os pulsos e lhe oferece combate de arco, mas Jandyra fica imóvel, de pulsos cruzados, porque foi a vontade de Ubirajara que os atou, e diz que Aracy "póde ser preferida; porém, não será mais generosa do que a filha de Magé".

O combate nupcial

No capítulo 6, a nação tocantim se reúne para ver os pretendentes disputarem Aracy.

São quatro provas: o combate de tacape, em que Jurandyr joga aos pés do último vencedor, Cory, a própria arma, apara com a mão o golpe dele e o arranca do chão; a corrida com a figura da noiva, um tronco pesado com uma cabeça de mulher entalhada, levada entre árvores derrubadas e estacadas; o "camucim da constancia", um vaso cheio de formigas famintas, onde ele deixa a mão enquanto canta para Aracy; e a "prova da virgem", uma corrida em que a moça só é alcançada se quiser.

Jurandyr sabe que nunca a alcançaria contra a vontade dela:

Disputaria Aracy não só a todos os guerreiros das nações, como a todas as nações das florestas; só á vontade da própria virgem não a disputaria, pois a queria rendida e não vencida.

Ubirajara, capítulo 6

Aracy mostra que poderia fugir dele, e depois se deixa alcançar.

Ele a leva à cabana que construiu na margem do rio e, antes de passar a porta, revela a ela que é Ubirajara.

Nesse momento chegam guerreiros: o conselho dos anciãos decidiu que o vencedor, recebido como estrangeiro, tem de dizer quem é antes de receber a esposa.

As quatro provas do combate nupcial, no capítulo 6, em que os pretendentes disputam Aracy diante da nação tocantim. Prova 1, o combate de tacape: os pretendentes lutam um a um. Jurandyr joga aos pés de Cory, o último vencedor, a própria arma, apara o golpe com a mão e o arranca do chão. Prova 2, a figura da noiva: um tronco pesado, com uma cabeça de mulher entalhada, levado na corrida entre árvores derrubadas, barrancos e estacadas, até o conselho dos anciãos. Prova 3, o camucim da constância: um vaso cheio de formigas famintas. Jurandyr deixa a mão lá dentro e canta para Aracy. Prova 4, a prova da virgem: uma corrida em que a moça só é alcançada se quiser. Aracy mostra que poderia fugir, e se deixa alcançar.
As quatro provas do combate nupcial, no capítulo 6. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

A guerra

No capítulo 7, Ubirajara se declara e conta a vitória sobre Pojucan, e que vai partir para assistir ao "combate da morte" do prisioneiro.

Itaquê responde:

Tu és Ubirajara, senhor da lança. Eu sou Itaquê, pai de Pojucan. Tenho em face o matador de meu filho; mas elle é meu hospede!

Ubirajara, capítulo 7

Pojucan tinha a taba dele do outro lado do rio e saíra para vigiar a marcha de um inimigo; o pai não sabia que ele estava prisioneiro.

Itaquê mantém a hospitalidade: troca com Ubirajara a fumaça da despedida e avisa que, com a noite, mil guerreiros partirão para matá-lo.

Ubirajara apaga na taba o rasto dos próprios passos, deixa de ser hóspede e envia a guerra com uma seta cravada na figura do tucano, símbolo da nação.

Itaquê aceita e responde com uma seta no escudo dele.

Na floresta, Aracy quer partir com ele.

Ele recusa levá-la sem a vontade do pai:

Itaquê respeitou a lei da hospitalidade no corpo de Ubirajara; Ubirajara não deixará a traição na terra hospedeira.

Ubirajara, capítulo 7

Promete que ela será o "premio da maior guerra" e volta para a sua gente.

Convoca os chefes das cem tabas araguaias e liberta Pojucan, porque não sabia que ele era filho do homem que o hospedou.

Pojucan exige a morte prometida, mas entende que a honra do vencedor pede a sua volta, e parte para lutar ao lado do pai.

O ancião Magé, irritado com o sumiço da filha, reclama que a nação foi convocada sem o voto do conselho; Ubirajara enfrenta os anciãos, e o conselho cede.

Quando a guerra araguaia desce pelo grande rio, encontra uma terceira nação, a de Canicran, pronta para atacar os tocantins: Pojucan tinha incendiado a cabana do pajé deles, que morreu no fogo, e Canicran vem vingá-lo.

Ubirajara manda o cantor Murinhem aos dois chefes: recusa a aliança de Canicran, aceita que os tocantins lutem primeiro contra ele e põe sob a sua guarda a cabana onde Aracy espera.

A batalha

No capítulo 8, tocantins e a gente de Canicran se enfrentam, e os dois chefes lutam diante de todos.

Pahan, o filho menino de Canicran, fere com duas setas os olhos de Itaquê; cego, Itaquê mata Canicran, e os guerreiros dele fogem.

Ubirajara vê o menino fugir e não atira:

A aguia não persegue a andorinha. Era indigno de um guerreiro, quanto mais de um chefe, empregar seu valor contra um menino.

Ubirajara, capítulo 8

O jovem Tubim alcança Pahan e ganha o nome de Abeguar.

Ubirajara manda o menino a Itaquê, para que ele o crie como um tocantim e o menino lhe sirva de olhos.

Pahan recusa servir; Itaquê põe a mão na cabeça dele e o liberta:

O corumim que ama seu pai é filho de Itaquê. Tu és livre, Pahan; vai caçar o ouriço.

Ubirajara, capítulo 8

Cego, Itaquê não pode mais guiar a guerra e chama a nação para que o mais forte empunhe o grande arco tocantim.

Muitos o vergam, mas nenhum o dispara como ele.

Pojucan consegue disparar, devolve o arco ao pai e diz que ele lhe pesa na mão, e que o único guerreiro capaz de brandi-lo como Itaquê não é tocantim.

A união dos arcos

No capítulo 9, a gente de Canicran volta, agora com Agniná, irmão do chefe morto.

Itaquê, guiado por Aracy, vai com a nação ao campo araguaia e oferece a Ubirajara o grande arco, a filha e o comando dos tocantins.

Ubirajara dispara com o arco de Itaquê e, em seguida, com o de Camacan; a segunda seta atravessa a primeira no ar.

Este é o emblema da união. Ubirajara fará a nação tocantim tão poderosa como a nação araguaya. Ambas serão irmãs na gloria e formarão uma só, que ha de ser a grande nação de Ubirajara, senhora dos rios, montes e florestas.

Ubirajara, capítulo 9

Os dois arcos são atados num só, e Aracy ata ao pulso de Ubirajara a liga vermelha que usava como virgem: é o casamento.

No dia seguinte, Ubirajara vai sozinho ao meio do campo, vence Agniná e os outros chefes com a lança de duas pontas, e os invasores fogem para não voltar ao grande rio.

Depois da batalha, Aracy traz Jandyra pela mão e diz que Ubirajara deve repartir o amor entre as duas.

Jandyra diz que ficará na cabana como serva da esposa; Ubirajara declara as duas suas esposas, Aracy do chefe tocantim e Jandyra do chefe araguaia.

As duas nações, dos araguayas e dos tocantins, formaram a grande nação dos Ubirajaras, que tomou o nome do heróe.

Ubirajara, capítulo 9

A última frase avança no tempo: diz que essa nação ainda dominava as margens do grande rio "quando vieram os caramurús, guerreiros do mar".

O livro não diz quem eram.

Os nove capítulos, do caçador sem nome ao chefe de duas nações. Capítulo 1, O caçador: Jaguarê encontra Aracy, vence Pojucan e passa a se chamar Ubirajara. Capítulo 2, O guerreiro: a festa araguaia; ele recusa receber o grande arco como dádiva do pai e o conquista diante de todos. Capítulo 3, A noiva: deixa Jandyra e a dá ao prisioneiro; ela recusa e foge. Capítulo 4, A hospitalidade: chega sem nome à taba tocantim e se chama Jurandyr. Capítulo 5, Servo do amor: trabalha para Itaquê; Jandyra tenta matar Aracy. Capítulo 6, O combate nupcial: vence as quatro provas e revela a Aracy quem é. Capítulo 7, A guerra: Itaquê é o pai de Pojucan; a guerra é declarada, e Pojucan, libertado. Capítulo 8, A batalha: Itaquê, cego, mata Canicran; nenhum tocantim dispara o arco como ele. Capítulo 9, União dos arcos: os dois arcos atados num só; Agniná vencido; a nação dos Ubirajaras.
Os nove capítulos, do caçador à união dos arcos. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O que é de Alencar e o que se pode afirmar

Ubirajara saiu em 1874, depois de O Guarani (1857) e Iracema (1865), que também estão na série.

Ao contrário dos dois, não tem nenhum personagem europeu: a história inteira se passa entre povos indígenas, num tempo que o livro põe antes da chegada daqueles guerreiros do mar.

Os araguaias e os tocantins têm nomes de dois rios do Brasil central, o Araguaia e o Tocantins, mas no livro são personagens da lenda.

As leis que Alencar lhes dá, como o hóspede que não diz o nome, a esposa entregue ao prisioneiro que vai morrer, as provas do casamento e o chefe que dá e recebe mulheres, são a forma como ele imaginou esses povos.

A primeira edição trazia notas do autor, que aparecem no índice dela reproduzido na Wikisource, mas a transcrição usada aqui não as traz.

Por isso este resumo não diz em que relatos Alencar se apoiou e não toma esses costumes como descrição de um povo real.

A língua também é dele: os personagens falam de si na terceira pessoa e em comparações tiradas da mata, com muitas palavras de origem tupi, numa prosa construída para a lenda.

Os heróis pertencem a duas nações a que Alencar dá nome, chefes, leis e cantos; os inimigos são designados em conjunto pelo nome genérico de tapuia, e poucos deles têm nome: os chefes Canicran e Agniná, o menino Pahan e o irmão dele, Creban.

Nesse uso histórico, tapuia não era o nome de um único povo: era o nome que falantes de tupi, e depois os colonizadores, davam de modo genérico a povos que não falavam tupi, e carregava desprezo.

O livro dá a esses inimigos ainda outros rótulos depreciativos.

O resumo usa a palavra só aqui, para explicá-la, e no resto diz a gente de Canicran.

Uma nota sobre as mulheres e a violência

No livro, Aracy é o prêmio de um combate entre pretendentes; Jandyra é dada pelo chefe a um prisioneiro, depois entregue como cativa à rival, e termina como segunda esposa.

O livro chama de lei e de rito o que hoje se lê como decisão dos homens sobre a vida delas, e essa autoridade convive, na própria lenda, com a recusa de Jandyra e com a escolha de Aracy na prova da virgem.

O resumo conta essas cenas como estão, sem endossá-las, e sem repetir as descrições do corpo das moças nem as falas em que Jandyra pede para morrer.

A cegueira de Itaquê e a morte de Canicran, no capítulo 8, vão sem os detalhes com que o livro as descreve.

A transcrição

A primeira edição saiu no Rio de Janeiro, pela casa de B. L. Garnier; a Wikisource reproduz a folha de rosto e o índice dela, mas não transcreveu os capítulos dessa edição.

O texto que lemos é o da edição de São Paulo, C. Teixeira e C.ª, de 1913, na grafia dela ("joven", "elle", "settas").

Há erros de leitura, como "Gory" por Cory, no capítulo 6, e o nome do jovem caçador do capítulo 8, que aparece como "Atjeguar" e logo depois como "Abeguar".

A transcrição da edição de 1913 não traz as notas do autor nem a errata da primeira edição.

José de Alencar tem outros livros na série: O Guarani, Iracema, Lucíola, Senhora e Til.

Leia o romance inteiro, na Wikisource em português, na transcrição da edição de 1913. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. Ubirajara não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Guarani, Iracema, Lucíola, Senhora e Til.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de José de Alencar. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português da edição de 1913: os trechos em bloco saíram dos capítulos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9, todas as citações conferidas no texto. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.