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Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982)

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Sérgio Buarque de Holanda nasceu em São Paulo em 11 de julho de 1902 e morreu na mesma cidade em 24 de abril de 1982, de complicações pulmonares. Historiador, sociólogo, crítico literário e jornalista, é apontado como um dos principais pensadores sociais do Brasil.

Filho de um farmacêutico pernambucano e de uma dona de casa fluminense, estudou em São Paulo, no Ginásio de São Bento, onde foi aluno de Afonso Taunay. Em 1921, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde acompanhou o Modernismo de 1922 e foi representante da revista Klaxon na cidade. Formou-se em direito em 1925, trabalhou como jornalista e foi correspondente em Berlim entre 1929 e 1931.

Em 1936, casou-se com a pianista Maria Amélia Cesário Alvim, com quem teve sete filhos, entre eles o compositor Chico Buarque. No mesmo ano, publicou Raízes do Brasil, seu escrito mais conhecido, e tornou-se professor assistente da Universidade do Distrito Federal.

Em 1946, voltou a São Paulo para dirigir o Museu Paulista, cargo que ocupou até 1956 e em que reorientou a instituição para a pesquisa acadêmica. Viveu na Itália entre 1953 e 1955, à frente da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de História da Civilização Brasileira na USP e, em 1959, publicou Visão do Paraíso. Em 1969, em protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas pelo regime militar, encerrou a carreira docente.

Entre seus livros estão Monções (1945) e Caminhos e Fronteiras (1957), coletâneas de textos sobre a expansão da colonização portuguesa para o oeste, e Do Império à República (1972), sobre a crise do Império no fim do século XIX.

Em Raízes do Brasil, desenvolveu o conceito de homem cordial. A palavra vem do latim e se liga a coração, não a bondade: indica quem age mais pela emoção do que pela razão, com passionalismo, personalismo e irreverência diante das normas, e não com submissão, ao contrário do que entenderam alguns leitores. Essa cordialidade faz o brasileiro desejar intimidade e ter horror ao formalismo, de modo que as relações familiares viram modelo para qualquer relação social, e muitos não distinguem o público do privado, ou seja, o Estado da família. O livro foi muito revisado na edição de 1948, e a leitura que tomava o homem cordial por alguém cordato e passivo vem sendo desfeita desde a década de 1980.

Em 1980, recebeu o Prêmio Juca Pato e o Prêmio Jabuti e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, com a terceira carteira de filiação, depois de Mário Pedrosa e Antonio Candido.

Para conferir

  • Wikipédia em português, verbetes Sérgio Buarque de Holanda e Homem cordial: Nascimento em 11/07/1902 e morte em 24/04/1982, ambos em São Paulo; pais e estudos; Klaxon e o Modernismo; bacharelado em 1925; Berlim de 1929 a 1931; casamento em 1936 e sete filhos; Raízes do Brasil (1936) e a revisão de 1948; Museu Paulista de 1946 a 1956; Roma de 1953 a 1955; USP em 1958 e Visão do Paraíso (1959); saída da docência em 1969; Monções (1945), Caminhos e Fronteiras (1957), Do Império à República (1972); prêmios de 1980 e fundação do PT; conceito de homem cordial e confusão interpretativa.
  • Wikipédia (en), verbete Sérgio Buarque de Holanda: Datas e locais de nascimento e morte.