Net Love Net Love
Seções

Epicuro (341-270 a.C.)

novo
Tamanho
425 palavras

Epicuro nasceu em 341 a.C., ateniense do demo de Gargeto, filho de Neocles e Querestrata, segundo o relato de Diógenes Laércio, principal fonte biográfica. Teria crescido em Samos, onde atenienses receberam terras, e chegado a Atenas aos dezoito anos, em 323 a.C. Com a morte de Alexandre, os atenienses foram expulsos de Samos, e ele se juntou ao pai em Colofão, na costa da atual Turquia, em 321 a.C.

Em Colofão, estudou com Nausífanes, filósofo democritiano de tendência cética, embora se diga que Epicuro negava ter sido influenciado por ele. Dez anos depois, mudou-se para Mitilene, na ilha de Lesbos, e logo para Lâmpsaco, no continente vizinho. Nas duas cidades ensinou e reuniu seguidores. Voltou a Atenas em 307 ou 306 a.C., comprou ali uma propriedade, o Jardim, nome que depois passou a designar a própria escola, e permaneceu na cidade até morrer, em 270 a.C., com setenta ou setenta e um anos.

Seus opositores espalharam histórias difamatórias, mas Diógenes afirma que ele era de índole extraordinariamente humana, visão que prevalecia até entre testemunhas hostis. No testamento, deixou disposições para os filhos de seus amigos e indicou um sucessor.

Sua principal obra, Sobre a Natureza, era uma série de lições em 37 rolos de papiro, recuperados em parte, danificados, da biblioteca de uma vila de Herculano, soterrada pela erupção do Vesúvio em 79. Diógenes Laércio conservou três cartas dele, a Heródoto, sobre a física, a Meneceu, sobre a ética, e a Pítocles, sobre astronomia e meteorologia, esta de autoria discutida, além de uma coleção de máximas conhecida como Máximas Principais.

O sistema era completo e interdependente. A meta da vida humana é a felicidade, que resulta da ausência de dor física e de perturbação mental. O conhecimento parte das sensações, e a natureza é descrita por um materialismo atomista, de átomos e vazio, herdado de Demócrito. Epicuro argumentava que a alma não sobrevive à morte e, portanto, não há castigo depois dela. Via no medo da morte e do castigo a principal causa da ansiedade, e esta, por sua vez, a fonte de desejos extremos e irracionais.

Aconselhava evitar a política, quando possível, e não imaginar que os deuses se ocupem do comportamento dos humanos. A amizade era essencial. A filosofia, para ele, era antes de tudo uma terapia para a vida. Epicuro era conhecido por se contentar com pouco, e, segundo a Stanford Encyclopedia of Philosophy, para ele os desejos que não são nem naturais nem necessários são justamente os difíceis de satisfazer. Daí a distância entre o epicurismo e a busca de luxo.

Para conferir

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy: Nascimento em 341 a.C., filho de Neocles e Querestrata, do demo de Gargeto, segundo Diógenes Laércio; criação em Samos e chegada a Atenas em 323 a.C.; Colofão em 321 a.C. e Nausífanes; Mitilene e Lâmpsaco; volta a Atenas em 307 ou 306 a.C., o Jardim e a morte em 270 a.C. aos 70 ou 71 anos; testamento; fontes (Diógenes Laércio, as três cartas, Máximas Principais, Sobre a Natureza em 37 rolos, papiros de Herculano); objetivo da vida, empirismo, atomismo, mortalidade da alma, medo da morte, política, deuses, amizade, desejos naturais e necessários.