Gilberto Freyre (1900-1987)
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Gilberto de Mello Freyre nasceu em Recife em 15 de março de 1900 e morreu na mesma cidade em 18 de julho de 1987. Escreveu ensaios de interpretação do Brasil a partir da sociologia, da antropologia, da geografia e da história, e foi também jornalista, poeta, autor de ficção e pintor.
Filho de um juiz e professor da Faculdade de Direito do Recife, frequentou na infância o Colégio Americano Batista Gilreath, que o pai ajudara a fundar. Aos dezoito anos, com bolsa da Igreja Batista, foi estudar na Universidade Baylor, no Texas, onde se formou bacharel em artes liberais. Estudou depois na Universidade Columbia, onde conheceu o antropólogo Franz Boas, referência intelectual para ele, e em 1922 publicou sua dissertação de mestrado sobre a vida social no Brasil em meados do século XIX.
Seu livro mais conhecido é Casa-Grande & Senzala, de 1933, cujo manuscrito ele trabalhou a partir de 1930, em viagem pelos Estados Unidos e por Portugal. Nele, apoiado em Boas, Freyre combate as doutrinas de branqueamento do Brasil e o determinismo racial ou climático, embora a obra também tenha sido muito criticada, como se verá adiante. Vieram depois Sobrados e Mucambos (1936) e Nordeste (1937). Ele se apresentava como escritor treinado em ciências sociais, e não simplesmente como sociólogo ou antropólogo, posição que o título de seu livro de 1968, Como e Porque Sou e Não Sou Sociólogo, já traduz.
Teve vida pública. Em 1942, foi preso e espancado, junto com o pai, depois de escrever num jornal um artigo em que acusava de racista e pró-nazista um monge de Olinda. Eleito pela UDN, participou da Assembleia Constituinte de 1946. Em 1964, defendeu a queda do presidente João Goulart e, durante o regime militar, integrou o Conselho Federal de Cultura.
Sua obra recebeu elogios e críticas. Casa-Grande & Senzala é associada à ideia de democracia racial, de relações harmoniosas entre os grupos. Há quem lembre, porém, que o conceito não foi tratado diretamente no livro. Críticos, entre eles a filósofa Djamila Ribeiro, afirmam que o chamado mito da democracia racial paralisa a prática antirracista. O livro foi criticado também pela linguagem, considerada vulgar por parte dos leitores.
Freyre também estudou os territórios de colonização portuguesa, num ramo de pesquisa que chamou de lusotropicologia, ligado ao lusotropicalismo. A visão positiva que difundiu sobre a atuação dos portugueses nos trópicos foi usada, segundo estudiosos, em defesa da presença portuguesa na África durante o regime salazarista. Recebeu prêmios como o Aspen, o Jabuti e o Machado de Assis.
Para conferir
- Wikipédia em português, verbete Gilberto Freyre (cita Djamila Ribeiro e George Reid Andrews, entre outros): Nascimento em 15/03/1900 e morte em 18/07/1987, ambos em Recife; Colégio Americano Batista Gilreath; Universidade Baylor e Columbia; Franz Boas; dissertação de 1922; Casa-Grande & Senzala (1933), Sobrados e Mucambos (1936), Nordeste (1937); prisão em 1942; Constituinte de 1946; 1964 e Conselho Federal de Cultura em 1969; Como e porque sou e não sou sociólogo (1968); queima do livro em Recife; debate sobre democracia racial e uso do lusotropicalismo.
- Wikipédia (en), verbete Gilberto Freyre: Datas e locais de nascimento e morte; formação em Baylor e Columbia; obras e prêmios.







