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Salmo 103 novo

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1.019 palavras
A Oração antes da Refeição, Jean-Baptiste-Siméon Chardin
A Oração antes da Refeição, Jean-Baptiste-Siméon ChardinDomínio público. Ver no Wikimedia Commons

Abaixo está o Salmo 103 inteiro, como foi impresso em 1819, com a grafia da época. Os itálicos reproduzem os do livro e assinalam palavras que a edição apresenta como supridas na tradução para completar o sentido. Depois do texto bíblico vêm um vocabulário das palavras antigas e o comentário da casa, que não faz parte da Escritura.

O Salmo 103 na edição de 1819

PSALMO CIII.

PSALMO de David. Louva, alma minha, a Jehovah: e todas minhas entranhas a seu santissimo nome.

2 Louva, alma minha, a Jehovah: e naõ te esqueças de nenhuns de seus beneficios.

3 Pois elle he o que perdôa todas tuas iniquidades: o que te sara de todas tuas enfermidades.

4 O que redime tua vida da perdiçaõ: o que te coroa com benignidade e misericordias.

5 O que farta tua boca de bem: e tua mocidade se renova como a da aguia.

6 Jehovah faz justiça, e juizos a todos os opprimidos.

7 Seus caminhos fez notorios a Moyses: e a os filhos de Israel seus feitos.

8 Misericordioso e piadoso he Jehovah: longanime, e grande em benignidade.

9 Naõ perpetuamente contenderá: nem para sempre retera a ira.

10 Naõ nos faz conforme a nossos peccados: nem nos paga conforme a nossas iniquidades.

11 Porque quanto estaõ altos os ceos sobre a terra: tanto prevalece sua benignidade sobre aquelles que o temem.

12 Quam longe o Occidente está do Oriente, tam longe desvia de nós nossas transgressoens.

13 Como o pae se apiada dos filhos: assi Jehovah se apiada d'aquelles que o temem.

14 Porque bem sabe elle que feitura seja a nossa: lembrando se que somos pó.

15 Os dias do homem saõ como a erva: como a flor do campo, assi florece.

16 Passando o vento por ella, logo perece: e seu lugar naõ conhece mais.

17 Porem a benignidade de Jehovah está de eternidade em eternidade, sobre os que o temem: como tambem sua justiça sobre os filhos de seus filhos.

18 A saber sobre os que guardaõ seu concerto: e sobre os que se lembraõ de seus mandamentos, para os fazerem.

19 Jehovah nos ceos affirmou seu throno: e seu Reyno domina sobre tudo.

20 Louvae a Jehovah, seus Anjos: vos valentes Herôes, que guardais sua palavra; obedecendo á voz de sua palavra.

21 Louvae a Jehovah, todos seus exercitos: vos seus ministros, que fazeis seu beneplacito.

22 Louvae a Jehovah, todas suas obras, em todas as partes de seu senhorio: louva, alma minha, a Jehovah.

A Biblia Sagrada, traduzida em portuguez pelo padre João Ferreira d'Almeida. Londres: Officina de R. e A. Taylor, 1819, página 590.

Palavras antigas desta edição

  • Psalmo: salmo
  • he: é
  • Jehovah: forma do nome de Deus usada nesta edição; outras traduções escrevem o Senhor
  • entranhas: o íntimo, tudo o que há dentro de mim
  • nenhuns: nenhum
  • perdôa: perdoa
  • sara: do verbo sarar, sanar
  • farta: sacia
  • piadoso: piedoso, compassivo
  • longanime: paciente, que demora a se irar
  • contenderá: brigará, acusará
  • retera: reterá, guardará
  • ceos: céus
  • apiada: compadece
  • feitura: o modo como fomos feitos
  • assi: assim
  • florece: floresce
  • concerto: aliança
  • Reyno: Reino
  • Louvae: louvai
  • beneplacito: vontade, o que lhe agrada

Comentário da casa

De quem é este salmo

O salmo abre com as palavras Psalmo de David, e a tradição o atribui ao rei Davi. Nas Bíblias que seguem a numeração grega e a latina, ele é o Salmo 102, e em latim é conhecido pelas primeiras palavras, Benedic anima mea Domino. É um hino de louvor do começo ao fim, sem nenhum pedido.

O que o texto diz

Quem reza começa falando com a própria alma, e dá a ela uma ordem: louva, e não te esqueças de nenhum benefício. Em seguida vem a lista do que não se deve esquecer, contado como coisa já recebida: o perdão, a vida resgatada, a mesa farta, as forças que se renovam como as da águia.

No meio do salmo estão as imagens mais lembradas. A bondade de Deus é tão alta quanto o céu sobre a terra; as transgressões ficam tão longe quanto o ocidente do oriente; e Deus se compadece de quem o teme como um pai se compadece dos filhos, porque sabe de que somos feitos, e lembra que somos pó.

Logo depois, o salmo diz sem rodeio que a vida humana é curta, como a erva e a flor do campo, que o vento leva e o lugar esquece. A resposta não é negar isso, e sim pôr ao lado a benignidade que vai de eternidade em eternidade. No fim, o louvor que começou numa só alma chama os anjos, os exércitos e todas as obras, e volta para ela: louva, alma minha.

Como é rezado

Na Igreja Católica, é salmo de resposta em vários domingos: o terceiro da Quaresma e o sétimo do tempo comum no ano C, o vigésimo quarto do tempo comum no ano A, o sétimo da Páscoa no ano B, e a solenidade do Sagrado Coração de Jesus no ano A.

Para rezá-lo, pode-se seguir o convite do verso 2 e refazer em voz alta a lista dos versos 3 a 5: ler o salmo e, depois de cada estrofe, dizer uma coisa concreta pela qual se quer agradecer naquele dia.

Sobre esta edição

Tradução de João Ferreira de Almeida (1628-1691), pastor protestante ordenado em 1656 e radicado em Batávia; o título de padre é o que a folha de rosto lhe dá. Exemplar da Princeton Theological Seminary Library, chamada BS275 1819, consultado em 07/10/2026: ver a página no Internet Archive.

Grafia: A da edição de 1819, sem modernizar nenhuma palavra. Mudanças de apresentação, todas listadas: palavras partidas no fim da linha foram juntadas; tirou-se o espaço que o tipógrafo deixava antes de dois-pontos e ponto e vírgula; o nome Jehovah, impresso em versalete, vai em caixa normal; o itálico do livro, que assinala palavra suprida na tradução para completar o sentido, foi mantido; a primeira palavra de cada salmo, aberta em letra capitular e maiúsculas, vai em maiúsculas.

Numeração: nesta edição, Salmo 103; nas Bíblias que seguem a grega e a latina, Salmo 102 (Benedic anima mea Domino).

Para conferir