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Ptah e a criação de Mênfis

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A Pedra de Shabaka é a estela número 797 do Museu Britânico, que a adquiriu em 1805. Foi usada como pedra de moinho, e o desgaste apagou parte da inscrição. Breasted escreve que escribas do século VIII a.C. copiaram nela um papiro roído por vermes, que se desfazia em seus dias. Para ele, é o único fragmento que sobrou do pensamento construtivo dos sacerdotes de Mênfis daquele sistema.

Na primeira parte, Hórus e Set ficam cada um com uma região, quando as Duas Terras são divididas. Geb acha ruim que a parte de Hórus seja só igual à de Set. Então dá a sua herança a Hórus, que fica na terra e a une. Breasted vê aí o ponto de vista osiriano, em que Set é deserdado e Hórus recebe todo o Egito.

Na segunda parte, Ptah está no centro. Breasted traduz que Ptah, o Grande, é o coração e a língua da Enéade de Mênfis. Segundo a tradução, todo ato divino nasce do pensamento do coração e do comando da língua. Ptah moldou os deuses, fez as cidades e os nomos, e os deuses entraram em corpos de madeira, de pedra e de metal. Breasted lembra que o egípcio usava coração para dizer mente, por não ter uma palavra para ela.

Breasted observa também que Atum, o deus-sol de Heliópolis, aparece como criador imediato do mundo, e que o sistema de Mênfis tem sua própria Enéade. Quanto à data, o debate continua: Homer Smith dataria o original na I dinastia, alguns estudiosos o puseram no Reino Antigo, e Junge e outros defendem a composição na XXV dinastia, a época da inscrição.

Veja também: Hórus e Set, a disputa pelo trono; Osíris e Ísis; Rá, o sol de muitos nomes.

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