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Hórus e Set, a disputa pelo trono

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Depois da morte de Osíris, quem seria rei do Egito? A resposta mais completa que chegou até nós é a história das Contendas de Hórus e Set, escrita num papiro do tempo de Ramsés V, por volta de 1147 a.C. É o Papiro Chester Beatty I, da XX dinastia.

Os dois rivais são Hórus, filho de Osíris e de Ísis, e Set, o deus que na tradição matou o irmão. O caso é levado ao tribunal dos deuses, a Enéade, e a narrativa tem várias provas e batalhas.

Numa delas, os deuses já estavam cansados de oitenta anos de disputa. Os dois resolvem fazer uma corrida de barcos de pedra. Hórus usa um barco de madeira pintado para parecer pedra. O de Set, pesado, afunda. Em outro momento do conflito, segundo os resumos, Hórus tem o olho arrancado. O olho de Hórus, o wedjat, era um importante símbolo egípcio de proteção, também ligado à realeza.

No fim, os deuses dão razão a Hórus, e o trono passa de pai para filho: Osíris, o rei morto, Hórus, o rei vivo, e Ísis, a mãe do rei. A história é importante para a ideia egípcia de rei divino.

As leituras do mito divergem. Gwyn Griffiths defendia uma origem política, ligada a lutas anteriores à unificação do Egito. Outros estudiosos não aceitam essa leitura histórica, e Antonio Loprieno vê na narrativa sátira política. Este verbete conta só o que as fontes de consulta confirmam; o papiro tem episódios que ficaram de fora.

Veja também: Osíris e Ísis; Ísis e o nome secreto de Rá; Rá, o sol de muitos nomes; Ptah e a criação de Mênfis.

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