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Os gêmeos Hunahpu e Xbalanque em Xibalba novo

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2.177 palavras

Este verbete continua o verbete A criação no Popol Vuh e segue a mesma tradução francesa do abade Brasseur de Bourbourg, publicada em Paris em 1861, agora na segunda parte do livro, capítulos I a XIV. No prefácio, Brasseur avisa que o original não tinha divisão em livros nem em capítulos: a divisão é dele, para facilitar a leitura. Os gêmeos já tinham aparecido na primeira parte, nos capítulos V a IX, contra Vukub-Cakix e os filhos dele. A segunda parte começa dizendo que vai contar também o nome do pai de Hunahpu e de Xbalanque (Xbalanqué, na grafia de Brasseur), mas que vai cobrir de mistério a história do nascimento deles e contar só a metade. Ao apresentar Hunhun-Ahpu e Vukub-Hunahpu, filhos de Xpiyacoc e de Xmucané, o texto dá a cada um o nome Ahpu, atirador de zarabatana. Xbakiyalo, chamada esposa de Hunhun-Ahpu, era a mãe de Hunbatz e de Hunchouen, que se tornaram flautistas, cantores, pintores e escultores; Vukub-Hunahpu não tinha mulher. Os dois irmãos passavam os dias jogando dados e bola. Em nota, Brasseur lembra que os missionários tomaram a palavra Xibalba no sentido de inferno, lugar dos mortos, e lê o nome como o de um império antigo e toda esta parte como a história velada de uma luta entre povos. A leitura é dele.

A mãe de Hunbatz e de Hunchouen morre. Os senhores de Xibalba, Hun-Camé e Vukub-Camé, nomes que Brasseur, em nota, traduz por Um-Morto e Sete-Mortos, ouvem o jogo e se queixam de que os de cima já não os respeitam e brigam sobre a cabeça deles. O texto dá a cada um dos outros senhores um ofício contra os homens: o fluxo de sangue, o inchaço, a magreza que só deixa o esqueleto, a morte súbita no caminho. Quatro Corujas levam o chamado para o jogo. Os irmãos penduram a bola no teto da casa, como testemunho, pedem a Hunbatz e a Hunchouen que toquem, cantem e aqueçam o coração da avó, e se despedem de Xmucané, que chora. Descem por degraus muito íngremes, passam um rio no fundo de desfiladeiros, águas que fervem, um rio de sangue, do qual não bebem, e um rio de água, até uma encruzilhada de quatro caminhos, vermelho, negro, branco e amarelo. O do caminho negro diz que é o caminho do rei, e ali eles caem na armadilha. Na sala dos reis, saúdam como Hun-Camé e Vukub-Camé um boneco e um homem de madeira, e Xibalba ri deles. Convidados a sentar no banco de honra, que é uma pedra em brasa, se queimam.

Na Casa Tenebrosa, recebem uma tocha de pinho e um charuto acesos, com ordem de devolvê-los inteiros de manhã, e o pinho e os charutos se consomem. O texto enumera as casas de prova de Xibalba, a Tenebrosa, a do vento frio, a dos Tigres, a dos Morcegos e a dos guerreiros de lança, e diz que os dois irmãos não entraram nelas. Hun-Camé e Vukub-Camé os condenam: são sacrificados e enterrados no lugar que a tradução chama de Cendrier, o das cinzas, e a cabeça de Hunhun-Ahpu, cortada, é posta numa árvore no meio do caminho. A árvore, que não dava fruto, se cobre de cabaças, e a cabeça se confunde com elas; é por isso, diz o texto, que a cabaça ainda se chama cabeça de Hunhun-Ahpu. Xibalba proíbe que alguém se sente ao pé da árvore. No capítulo III, Xquiq, filha do senhor Cuchumaquiq (no nome dela, anota Brasseur, está a palavra quiché para sangue ou goma elástica), ouve a história e vai sozinha ver os frutos. A caveira fala, diz que aquelas bolas são só caveiras e pede que ela estenda a mão; cospe nela, e a saliva desaparece. É a minha descendência, diz a cabeça, e manda a moça voltar para a terra. Ela concebe pela saliva, e o texto acrescenta que isso se fazia por ordem de Hurakan.

Seis meses depois, o pai percebe. Os reis mandam sacrificá-la longe dali, e o pai manda as Corujas levá-la e trazer o coração dela num vaso. No caminho ela convence os mensageiros a poupá-la; no vaso põem a seiva vermelha de uma árvore, que coalha como sangue, e a árvore, diz o texto, ficou chamada Sangue-de-Dragão. Os senhores põem o falso coração no fogo e se levantam espantados com o perfume. No capítulo IV, grávida, Xquiq chega à casa de Xmucané e se diz nora dela. A avó a chama de mentirosa, diz que os filhos morreram em Xibalba, e a manda colher uma rede cheia de milho na roça de Hunbatz e de Hunchouen, onde ela só encontra um pé. Xquiq invoca Xtoh, Xcanil e Xcacau, arranca com cuidado as barbas da espiga, sem arrancar o pé, e a rede se enche. A avó vai à roça, vê o pé de milho ainda de pé e aceita o sinal: Xquiq é a nora dela.

No capítulo V, os gêmeos nascem na montanha, sem a avó presente. Choram, e ela manda que os ponham para fora: deitados num formigueiro, dormem bem, e então os põem sobre espinhos. Hunbatz e Hunchouen, que os invejavam, queriam que morressem ali. Os gêmeos caçam com a zarabatana, não recebem comida e não se zangam. Um dia dizem que os pássaros ficaram presos no alto de uma árvore; os irmãos mais velhos sobem, a árvore cresce, e, quando puxam a ponta do cinto, como os gêmeos mandaram, os cintos viram caudas e eles viram macacos. Os gêmeos os chamam quatro vezes com a flauta, e a avó, que não devia rir, não consegue conter o riso; na quarta vez eles não voltam. O texto diz que antigamente os músicos, os cantores, os pintores e os escultores os invocavam. No capítulo VI, os gêmeos abrem uma roça com uma enxada e um machado que trabalham sozinhos, e de noite os animais fazem o mato voltar. Das caudas que os gêmeos arrancam ficam a cauda curta do veado e a do coelho, e o rato, que eles pegam, conta que as coisas do jogo de bola dos pais estão penduradas no teto, escondidas deles por causa da avó. Com um prato de molho, uma sede fingida e um bicho, o Xan, que fura o cântaro da avó no rio, afastam as duas mulheres de casa; o rato corta a corda, e eles escondem a bola, os anéis, as luvas e os escudos de couro no caminho do campo de jogo.

No capítulo VII, os gêmeos varrem o campo de jogo dos pais e jogam. Xibalba ouve de novo e manda dizer que eles venham dali a sete dias. O recado de Xmucané vai com um piolho que um sapo leva na boca, o sapo engolido por uma serpente e a serpente por uma ave, o Vac, que os gêmeos derrubam com a zarabatana e depois curam; no fim, descobrem que o piolho ficou nas gengivas do sapo, sem ser engolido. Antes de partir, cada um planta uma cana no meio da casa: se secar, morreram; se florir, estão vivos. No capítulo VIII, eles atravessam os rios sobre as zarabatanas e, na encruzilhada, mandam na frente um bicho que não era um Xan de verdade, mas um pelo da perna de Hunahpu. Ele pica um por um os que estão sentados, e, quando um senhor grita, outro lhe pergunta o que aconteceu, chamando-o pelo nome. Onde no capítulo II havia o caminho amarelo, o texto agora diz verde, e Brasseur anota que a lista de senhores não é a mesma do capítulo I. Os gêmeos dizem que o boneco e o homem de madeira não são o rei, saúdam os doze senhores pelo nome e não se sentam na pedra quente.

No capítulo IX, na Casa Tenebrosa, põem uma pena vermelha de arara no lugar da chama e vaga-lumes na ponta dos charutos, e devolvem tudo inteiro. No jogo de bola, os dois lados discutem com que bola jogar, num diálogo que Brasseur, em nota, chama de quase ininteligível; Xibalba, contando as próprias derrotas, pede quatro vasos de flores. Os gêmeos passam a noite na Casa das Lanças: prometem aos lanceiros a carne de todos os animais, e eles baixam as armas. Formigas cortam as flores do jardim de Hun-Camé e de Vukub-Camé sem que os guardas percebam, e os guardas são castigados com os lábios fendidos; por isso, diz o texto, os Purpuek ainda têm a boca fendida, e Brasseur explica em nota que os guardas viram ali aves noturnas. No capítulo X, os gêmeos passam pela Casa do Frio, que acaba com as pinhas que acendem, pela dos Tigres, a quem jogam ossos, e pela do Fogo, e saem vivos de todas. Na Casa dos Morcegos, casa de Camazotz, dormem sobre as zarabatanas, diz a tradução, e não são tocados; mas Hunahpu quer ver se amanhece, olha pela boca da zarabatana, e o Camazotz lhe corta a cabeça. Por ordem dos reis, a cabeça é posta no alto do campo de jogo, e Xibalba festeja.

No capítulo XI, Xbalanque chama de noite os animais, e cada um escolhe o seu alimento. A tartaruga, que vem por último, se põe no lugar da cabeça de Hunahpu, e nela se esculpem olhos. Hurakan, o Coração do Céu, vem pairar sobre a Casa dos Morcegos, e o rosto se completa devagar, com os cabelos, até falar. Quando a aurora começa a aparecer, um velho abre as pernas quatro vezes, e o escuro volta entre uma e outra; em nota, Brasseur explica que o sarigue que abre as pernas é o modo quiché de dizer que o dia nasce. Ainda de noite, Xbalanque manda um coelho esperar no alto do campo. No jogo do dia seguinte, quando a bola chega, o coelho sai pulando, todo Xibalba corre atrás dele, e Xbalanque troca a tartaruga pela cabeça verdadeira de Hunahpu. Depois quebra a tartaruga com uma pedra diante de todos. No capítulo XII, sabendo que vão morrer, os gêmeos chamam dois adivinhos, Xulu e Pacam, e lhes dizem o que responder a Xibalba: que os ossos deles não sejam jogados no precipício nem pendurados em árvores, mas moídos como milho e jogados no rio. Aqui, anota Brasseur, o nome de Hunahpu muda para Xhunahpu. Xibalba prepara uma grande fogueira e os convida a voar sobre ela quatro vezes. Os dois respondem que sabem que a morte os espera ali, se abraçam e se deitam de bruços no fogo, e morrem juntos. Os ossos, moídos e lançados ao rio, vão ao fundo e viram rapazes bonitos.

No capítulo XIII, no quinto dia, aparecem na água como homens-peixe e, no dia seguinte, como dois mendigos velhos e esfarrapados, que dançam e fazem prodígios: queimam casas, como se queimassem de verdade, e logo as fazem renascer, e um mata o outro e o faz voltar à vida. Os reis os mandam chamar, e eles se fazem de rogados; diante deles, dizem que não conheceram o rosto da mãe nem o do pai. A pedido dos reis, matam um cão e o fazem voltar, põem fogo na casa do rei sem queimar ninguém e a refazem, abrem o peito de um homem e o devolvem à vida, e Xbalanque sacrifica Hunahpu, que se levanta quando ele manda. Hun-Camé e Vukub-Camé pedem então que façam o mesmo com eles. Os gêmeos sacrificam primeiro Hun-Camé, depois Vukub-Camé, e não os fazem voltar. Os outros senhores fogem; os vassalos se amontoam numa ravina, formigas os descobrem, e eles se rendem. No capítulo XIV, os gêmeos dizem os seus nomes e os dos pais, de quem se dizem vingadores, e dão a sentença: a bola de Xibalba não vai mais rolar no campo de jogo; ficam reduzidos a fazer panelas e outras coisas de barro e a debulhar milho; os bichos dos lugares ermos serão a sua parte, só as abelhas continuarão a se reproduzir diante deles, e eles não vão mais pegar os homens de surpresa.

Em casa, as canas tinham brotado, secado e, quando os gêmeos foram queimados, reverdecido; Xmucané queima copal diante delas e lhes dá nomes, entre eles Canas-Vivas. No Cendrier, os gêmeos honram os pais: tentam refazer a figura de Vukub-Hunahpu, procurando o nome, a boca, o nariz, os ossos e o rosto, e encontram pouco mais que o nome. Prometem aos pais que serão invocados e que o nome deles não se perderá. Então sobem para a luz e, na tradução de Brasseur, que põe as palavras seus pais entre parênteses, são os pais que sobem ao céu: a um cabe o sol, ao outro a lua. Sobem também os quatrocentos rapazes mortos por Zipacna, que a tradução, de novo entre parênteses, faz companheiros de Hunhun-Ahpu e de Vukub-Hunahpu, e viram estrelas. Na primeira parte, no capítulo VII, o livro já dizia que esses rapazes tinham entrado num grupo de estrelas, que a tradução identifica, entre parênteses, com as Plêiades, e admitia que isso podia ser ficção. Em nota, Brasseur chama a subida de verdadeira apoteose e a compara a tradições mexicanas; a comparação é dele.

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