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Lélia Gonzalez (1935-1994)

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Filha de um ferroviário negro e de uma empregada doméstica indígena, décima sétima de dezoito irmãos, Lélia Gonzalez nasceu em Belo Horizonte em 1º de fevereiro de 1935 e morreu no Rio de Janeiro em 10 de julho de 1994, aos 59 anos.

A família se mudou para o Rio em 1942, depois que um irmão, o futebolista Jaime de Almeida, entrou para o Flamengo. Lélia estudou em escolas públicas e concluiu o ensino no Colégio Pedro II, em 1954. Formou-se em História e Geografia e depois em Filosofia na então Universidade do Estado da Guanabara, hoje UERJ, fez mestrado em comunicação social, estudou antropologia no doutorado e foi professora em várias instituições, entre elas a PUC-Rio. Em 1964, casou-se com Luiz Carlos Gonzalez e adotou o sobrenome dele, que manteve pela vida toda.

Foi uma das fundadoras de instituições como o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras, o Movimento Negro Unificado e o coletivo de mulheres negras N'Zinga. Atuou no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher de 1985 a 1989 e concorreu a deputada, sem se eleger.

Entre suas obras estão Lugar de Negro (1982, com Carlos Hasenbalg), Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira (apresentado em 1980 e publicado em 1984 na revista Ciências Sociais Hoje, da ANPOCS) e Festas Populares no Brasil (1987). Em sua análise, racismo e sexismo são dimensões entrelaçadas da dominação, e as mulheres negras ficavam invisíveis nas pautas feministas dominantes. Ela falava disso antes de a palavra interseccionalidade se difundir no debate acadêmico.

Entre seus conceitos está a amefricanidade, categoria político-cultural que ela sistematizou num ensaio de 1988. Ela propõe olhar a experiência histórica e cultural das populações negras nas Américas, e sua participação na formação do continente, como uma identidade afro-latino-americana, nascida da diáspora africana. Outro é o pretuguês, nome que ela deu à marca da africanização do português falado no Brasil. O termo já existia, em geral usado de forma pejorativa. Ela criticou ainda a ideia de democracia racial, que, para ela, mascara a discriminação.

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