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Lao-Tsé (Laozi)

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Lao-Tsé, em pinyin Laozi, significa em geral Velho Mestre, um título de respeito. Segundo a tradição chinesa, viveu no século VI a.C. Alguns estudiosos modernos, porém, consideram que Laozi é inteiramente lendário e que nunca houve um Laozi histórico. Em parte do daoísmo religioso, ele é venerado como divindade, até como divindade suprema.

A biografia mais antiga é a de Sima Qian, historiador da corte Han que viveu por volta de 145 a 86 a.C. A confiabilidade desse relato é questionada. Segundo ele, Laozi era natural de Chu, de sobrenome Li, nome Er, também chamado Dan, e foi guardião de registros na corte de Zhou. Confúcio o teria consultado sobre questões de ritual e o elogiado depois. Vendo a decadência de Zhou, Laozi partiu para o noroeste. Na fronteira, o guarda Yin Xi lhe pediu que pusesse seus ensinamentos por escrito, e disso resultou um livro de cerca de cinco mil caracteres, em duas partes, sobre o sentido do Dao e da virtude. Depois, ninguém soube para onde ele foi. Poucos estudiosos fora da China aceitam o relato por inteiro, e há desacordo até sobre o local de nascimento e sobre o próprio nome.

O livro é o Daodejing, também chamado Laozi. Tem 81 capítulos, divisão talvez tardia e associada à versão de Heshang Gong. A primeira parte, o Daojing, vai do capítulo 1 ao 37, e a segunda, o Dejing, do 38 ao 81. Em 1973, em Mawangdui, na província de Hunan, foram achados dois manuscritos em seda, de uma tumba selada em 168 a.C., que trazem as duas partes em ordem inversa, com o Dejing primeiro. Em 1993, em Guodian, na província de Hubei, uma tumba de cerca de 300 a.C. revelou tiras de bambu com cerca de dois mil caracteres que correspondem ao texto.

O livro trata do Dao, o Caminho, e de como ele se expressa na virtude (de), sobretudo pela naturalidade (ziran) e pela não ação (wuwei), cujo sentido é discutido. Esses conceitos são abertos à interpretação. Alguns leitores veem na obra um texto profundamente espiritual, outros destacam sua contribuição à ética e à política.

Antes dos achados arqueológicos do século XX, o acesso ao texto se fazia sobretudo pela versão transmitida com os comentários de Wang Bi, que viveu de 226 a 249, e de Heshang Gong. Os ensinamentos de Laozi, de Zhuangzi e de outros só foram classificados juntos como uma escola daoísta na época Han, quando se viu que partilhavam o conceito de Dao.

O nome Lao-Tsé designa, portanto, ao mesmo tempo um personagem de lenda, o suposto autor de um livro e, para o daoísmo religioso, uma divindade.

Para conferir

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy: Século VI a.C. segundo fontes chinesas; opinião de que Laozi é inteiramente lendário; Sima Qian (c. 145-86 a.C.): Li Er ou Dan, arquivista em Zhou, encontro com Confúcio, Yin Xi e o livro de cerca de cinco mil caracteres; Daodejing em 81 capítulos, Daojing (1-37) e Dejing (38-81); manuscritos de Mawangdui (tumba selada em 168 a.C.) e de Guodian (cerca de 300 a.C., cerca de 2.000 caracteres correspondentes); Dao, de, ziran e wuwei; comentários de Wang Bi e Heshang Gong; classificação daoísta na época Han.