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Aspiração suprema

Cruz e Sousa

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14 versos

Como os cegos e os nus pede um abrigo 

A alma que vive a tiritar de frio. 

Lembra um arbusto frágil e sombrio 

Que necessita do bom sol amigo. 

Tem ais de dor de trêmulo mendigo 

Oscilante, sonâmbulo, erradio. 

É como um tênue, cristalino fio 

D'estrelas, como etéreo e louro trigo. 

E a alma aspira o celestial orvalho, 

Aspira o céu, o límpido agasalho, 

sonha, deseja e anseia a luz do Oriente... 

Tudo ela inflama de um estranho beijo. 

E este Anseio, este Sonho, este Desejo 

Enche as Esferas soluçantemente. 

O Leitor, Édouard Manet
O Leitor, Édouard ManetArte escolhida pelo tema poesia. CC0, sem direitos reservados. Ver no Wikimedia Commons