A ultima nau novo
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Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Imperio,
Foi-se a ultima nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ancia e de presago
Mysterio.
Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a fórma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlantica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.
Não sei a hora, mas sei que ha a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mysterio.
Surges ao sol em mim, e a nevoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Imperio.
Para conferir
- Fernando Pessoa, Mensagem (Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1934), primeira edição, Segunda parte, Mar Portuguez; XI, p. 65: o texto do poema na página impressa digitalizada (página 69 do arquivo), com a grafia da edição preservada.
- Fernando Pessoa, Mensagem (Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1934), primeira edição, Segunda parte, Mar Portuguez; XI, p. 66: o texto do poema na página impressa digitalizada (página 70 do arquivo), com a grafia da edição preservada.
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