Acervo › Material Poético › Mestres da Poesia
Deixa-me ouvir o que não ouço
Deixa-me ouvir o que não ouço
Não é a brisa ou arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada...
Deixa-me ouvir... não fales alto!
Um momento!... Depois o amor
Se quiseres... agora cala!
Tênue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor
Que inquieta e embala...
Oque? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez... só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois
Sim, torna a mim, e a paisagem...
E a verdadeira brisa, ruído...
Vejo-me, somos dois...
De onde veio esta página. Do arquivo index__url_material_poetico_mestres_da_poesia_fernando_pessoa_007.html.html, recuperado das capturas do Internet Archive. O texto acima é o mesmo, palavra por palavra: só a tipografia mudou.