Deixa-me ouvir o que não ouço
- Tamanho
- 20 versos
Deixa-me ouvir o que não ouço
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada...
Deixa-me ouvir... não fales alto!
Um momento!... Depois o amor
Se quiseres... agora cala!
Tênue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor
Que inquieta e embala...
O quê? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez... só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois
Sim, torna a mim, e a paisagem...
E a verdadeira brisa, ruído...
Que pena sermos dois!
Meu amor, somos dois.
Vejo-te, somos dois...

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