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A lenda da Matinta Perera

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Noite alta, no Norte do Brasil, alguém acorda com um assobio. Vem do telhado ou do muro, agudo, insistente. É a Matinta Perera.

Conta a tradição que ela é uma velha que, de noite, vira uma ave agourenta. O assobio só para quando o morador, irritado, promete alguma coisa. Quase sempre é tabaco, mas pode ser café, cachaça ou peixe. No dia seguinte, ela aparece em figura de gente para cobrar o prometido. Quem não cumpre, dizem, vê a desgraça entrar em casa.

A aparência da ave muda de lugar para lugar: coruja rasga-mortalha, corvo, ou uma figura vestida de preto com asas nos braços. Em certas versões, a maldição passa de mãe para filha, e, quando não há filha, a Matinta espera uma moça na floresta e pergunta: quem quer? Se a moça responde que quer, naquela noite ela vira Matinta.

Existe uma ave de verdade, de nome científico Tapera naevia, chamada de saci e também de matinta-pereira. A grafia Matinta-Pereira aparece nos escritos do paraense F. J. de Sant-Anna Nery, de 1889.

Veja também: A lenda do uirapuru; Saci, o de uma perna só.

Para conferir

  • Wikipédia em português, verbete Matinta Perera: a velha que vira ave e assobia, a promessa de tabaco, café, cachaça ou peixe, a cobrança no dia seguinte, as aparências (coruja rasga-mortalha, corvo, figura de preto com asas nos braços), a maldição de mãe para filha, a ave Tapera naevia e a grafia Matinta-Pereira nos escritos de Sant-Anna Nery, de 1889. O verbete é marcado como carente de fontes em vários trechos; entrou só o que é geral na tradição.