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Zoroastrismo e judaísmo: de onde podem vir alguns traços dos anjos

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Será que a ideia de anjos, como a conhecemos, tem raízes fora do mundo hebraico? Os estudiosos discutem isso, e um bom ponto de partida é o livro de Daniel.

No livro de Daniel, os anjos ganham nomes, como Gabriel e Miguel, e aparecem como patronos de povos, entre eles a Pérsia e a Grécia. O biblista Coogan interpreta a mudança assim: depois do exílio, com um monoteísmo mais explícito, os "filhos de Deus" da corte divina foram rebaixados ao que hoje chamamos de anjos, criaturas de Deus, imortais e superiores aos humanos. A ideia de anjos como forças do bem, em oposição aos demônios, é muitas vezes considerada influenciada pelo zoroastrismo persa, que via o mundo como campo de batalha entre o bem e o mal. Trata-se de uma hipótese de estudiosos, não de um fato estabelecido.

O que o zoroastrismo tem de parecido? Seus Amesha Spenta, que a tradição descreve como um grupo de sete (a contagem varia conforme a forma de enumerar), emanam de Ahura Mazda, a divindade suprema. Foram muitas vezes comparados a anjos, embora sejam mais emanações do que mensageiros. Vohu Manah, o "Bom Pensamento", é, segundo a tradição, quem revela a Zoroastro a natureza de Deus. A descrição sistemática dos sete aparece em textos persas médios tardios.

Outros seres zoroastristas também são comparados a anjos. Os Fravashi são muitas vezes comparados a anjos da guarda, ainda que a comparação seja parcial, e, segundo a fonte consultada, zoroastristas a adotam desde o século XIX. Sob o califado islâmico, os Yazata foram muitas vezes apresentados como "anjos", diante da acusação de politeísmo.

Já no judaísmo medieval, Maimônides, no Mishné Torá, contou dez ordens de anjos. O Zohar, em Êxodo 43a, também lista dez, e na lista de Maimônides os "mal'akim", a palavra hebraica para mensageiros, ocupam a sexta. Além disso, manuais de invocação de anjos circularam também na Idade Média, e fragmentos deles foram achados na Genizá do Cairo.

Cada tradição elabora a seu modo. Comparar não prova que uma copiou a outra, e comparar também não diz se os anjos existem. Mostra que a pergunta sobre mensageiros divinos aparece em muitas culturas.

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