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Monte Gargano e Mont-Saint-Michel, dois santuários de São Miguel

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Uma gruta no alto de um monte no sul da Itália. Um rochedo cercado pelo mar na Normandia. Dois lugares muito distantes um do outro guardam lendas parecidas, com o arcanjo Miguel pedindo que se construísse ali um lugar de culto.

A primeira lenda é a do Monte Gargano. Segundo ela, Miguel apareceu por volta do ano 490, numa gruta no alto do monte. Outras datas citadas são 492 e 493. A lenda ganhou seguidores entre os lombardos e, no século VIII, já atraía peregrinos vindos até da Inglaterra. O calendário romano de Trento incluía uma festa da aparição em 8 de maio, data que, segundo a tradição, lembra uma vitória dos lombardos de Manfredônia em 663, atribuída por eles a Miguel. A festa permaneceu no calendário até a revisão feita sob o papa João XXIII. O santuário de Monte Sant'Angelo continua a receber peregrinos, e o papa João Paulo II o visitou em 1987.

A segunda lenda é a de Mont-Saint-Michel. O lugar, uma ilha de maré, chamava-se Mont Tombe antes de ali se construir o primeiro mosteiro, no século VIII. Segundo a lenda normanda, Miguel apareceu em 708 a Aubert, bispo de Avranches, e mandou erguer uma igreja no rochedo. No século X, o duque da Normandia mandou fundar ali uma abadia beneditina.

A diferença entre a maré mais alta e a mais baixa chega a cerca de 14 metros. Os peregrinos medievais que atravessavam os bancos de areia o chamavam de "São Miguel em perigo no mar". O monte inglês St Michael's Mount, na Cornualha, teria sido dado por Eduardo, o Confessor, aos beneditinos de Mont-Saint-Michel, no século XI.

A história do monte não foi só de peregrinação. Depois da Revolução Francesa, a abadia foi fechada e virou prisão. Por volta de 1836, figuras influentes, entre elas Victor Hugo, haviam lançado uma campanha para restaurá-la, e a prisão fechou em 1863. Hoje, Mont-Saint-Michel e o santuário do Gargano são Patrimônio Mundial.

Em ambos os casos, o que existe como fato histórico são os santuários, os peregrinos e os documentos. As aparições são lenda, narrada como tal pela tradição de cada lugar.

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