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Querubins em Gênesis e Ezequiel

Quem imagina um querubim como um bebê com asinhas pode se surpreender ao abrir a Bíblia. A primeira ocorrência da palavra está em Gênesis, capítulo 3, versículo 24. Depois da expulsão de Adão, o relato apresenta querubins diante do jardim do Éden e uma espada de fogo que se move em todas as direções. Sua função é guardar o caminho da árvore da vida.

Nessa passagem, os querubins aparecem como guardiões, sem uma descrição física detalhada. O texto não informa quantas asas possuem nem apresenta seus rostos. Por isso, não convém colocar nessa cena características que serão descritas em outros livros. O ponto central é a guarda do caminho para a árvore da vida após a saída do jardim.

Muito mais adiante na sequência bíblica, surge uma imagem complexa. Em Ezequiel, capítulo 1, versículos 5 e 6, o profeta descreve quatro seres viventes numa visão junto ao rio Cobar. Cada um tem quatro rostos e quatro asas. Em Ezequiel, capítulo 1, versículo 10, aparecem os rostos humano, de leão à direita, de boi à esquerda e de águia. Nesse primeiro capítulo, eles ainda são chamados de seres viventes.

Em Ezequiel, capítulo 10, versículo 1, o texto já chama os seres dessa visão de querubins. A ligação com a visão anterior aparece em Ezequiel, capítulo 10, versículo 15, que os relaciona aos seres vistos junto ao rio Cobar. Depois, em Ezequiel, capítulo 10, versículo 20, o profeta repete e deixa ainda mais claro esse reconhecimento. Assim, o livro conecta os querubins dessa cena aos seres viventes do capítulo 1.

Entre essas cenas bíblicas e as imagens que conhecemos, há diferenças que ajudam a leitura. Na arte renascentista, figuras infantis aladas, ligadas aos chamados putti, passaram também a representar seres celestes. Essa convenção artística não reproduz a visão de Ezequiel nem constitui um ensinamento da Igreja. Segundo a tradição católica, os querubins integram os coros angélicos. A doutrina católica, por sua vez, ensina que os anjos são criaturas espirituais, uma afirmação de fé. Cada visão bíblica conserva suas próprias figuras e ações, sem servir de modelo para toda representação de anjo.

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