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Platão (c. 428-348 a.C.)

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451 palavras

Platão nasceu em Atenas por volta de 428 a.C. (as fontes variam entre 429 e 423 a.C.), numa família aristocrática e influente. Segundo a tradição, a mãe, Perictione, descendia de Sólon, o estadista a quem se atribui a base da democracia ateniense.

Quando jovem, pensava em seguir a política. O processo contra seu mestre, Sócrates, condenado à morte em 399 a.C., o afastou da carreira política em Atenas, e Platão voltou-se para a filosofia, sem abandonar o interesse pela política, como mostram suas viagens à Sicília.

Por volta dos quarenta anos, visitou Siracusa, na Sicília, então governada por Dionísio. Dião, cunhado do governante, tornou-se seu discípulo, mas o próprio Dionísio se voltou contra Platão. De volta a Atenas, ele fundou a Academia, escola filosófica nos arredores da cidade. Aristóteles chegou lá em 367 a.C. e estudou com ele. Platão ainda voltou a Siracusa, por volta de 366 a.C., a pedido de Dião, para orientar o jovem Dionísio II e formá-lo como governante filósofo. Morreu em Atenas, por volta de 348 ou 347 a.C., com cerca de oitenta anos.

A maior parte de seus escritos são diálogos, conversas inventadas em que Sócrates costuma ser a figura principal e o próprio Platão não fala em seu nome. Restam também cartas, de autenticidade discutida. Por isso é difícil saber onde termina o mestre e começa o discípulo. Entre os diálogos mais lidos estão a Apologia, o Críton, o Fédon, o Banquete, o Mênon, o Górgias, a República, o Teeteto, o Timeu e as Leis. A ordem em que foram escritos é discutida, e este perfil não tenta fixá-la.

A ideia mais associada a ele é a das Formas, também chamadas Ideias. Para ele, o mundo que os sentidos mostram é imperfeito e sujeito a erro, mas existiria um domínio mais real, de entidades eternas e imutáveis que servem de modelo ao que vemos. Na República, a mais importante é a Forma do Bem, descrita como algo de natureza misteriosa; a formulação dessa teoria muda de um diálogo para outro. No mesmo livro, Sócrates sustenta que a justiça na alma consiste em cada uma de suas partes cumprir a própria função.

Os próprios diálogos levantam dificuldades, como a de saber como as Formas podem ser conhecidas. Platão propõe caminhos, entre eles a dialética e a ideia de que aprender é, em certo sentido, recordar, mas a interpretação desses caminhos é discutida. Ler Platão é acompanhar uma investigação mais do que receber um sistema pronto.

A distinção entre aparência e realidade, e entre opinião e conhecimento, aparece sempre que alguém pergunta como saber se uma notícia, uma imagem ou um discurso é verdadeiro. Foi Platão quem deu a essa pergunta uma de suas formas mais duradouras.

Para conferir

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy: Datas aproximadas (a SEP dá 429?-347 a.C.; a Wikipédia (en), c. 428-348/347 a.C., com nascimento entre 428 e 423); família aristocrática, mãe Perictione descendente de Sólon; processo de Sócrates em 399 a.C.; Siracusa por volta de 385 a.C.; Aristóteles na Academia a partir de 367 a.C.; segunda viagem a Siracusa em 366 a.C.; Formas, Forma do Bem e justiça na alma na República (SEP). Datas de composição dos diálogos não fixadas.