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Michel de Montaigne (1533-1592)

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458 palavras

Michel de Montaigne viveu de 1533 a 1592. Veio de uma rica família burguesa que ganhou nobreza depois que o pai lutou na Itália, no exército do rei Francisco I. O pai decorou o castelo no Périgord como uma antiga villa romana e decidiu que o filho não aprenderia latim na escola: um preceptor alemão e toda a casa falavam com ele só em latim. Montaigne cresceu falando latim e lendo Virgílio, Ovídio e Horácio. Aos seis anos, foi interno no Colégio de Guyenne, em Bordeaux.

Não se sabe ao certo onde estudou direito, nem se estudou. O que se sabe é que o pai comprou para ele um cargo na Corte de Périgueux. Conheceu Étienne de La Boétie, com quem teve uma amizade íntima, e a morte dele, em 1563, o deixou muito abalado. Cansado da vida ativa, retirou-se em 1571, aos 37 anos, para o castelo do pai. No mesmo ano, foi nomeado gentil-homem da Câmara do rei Carlos IX e, depois, da de Henrique de Navarra.

Na biblioteca, mandou gravar nas vigas máximas de sabedoria tiradas de autores como o Eclesiastes, Sexto Empírico e Lucrécio. Para escapar de crises de melancolia, começou a pôr seus pensamentos no papel. Em 1580, viajou à Itália, sobretudo para tratar de pedras nos rins em estâncias termais, e o diário da viagem só foi descoberto no século XVIII. Perto de Pisa, soube que fora eleito prefeito de Bordeaux. Hesitou, mas aceitou, e foi reeleito. No segundo mandato, foi criticado por ter deixado a cidade durante a grande peste. Nas guerras de religião, vários parentes dele se converteram ao protestantismo, mas ele continuou católico.

Os Ensaios têm três livros e três edições principais: a de 1580, com só os dois primeiros livros, a de 1588 e a de 1595, esta última preparada depois da morte dele por sua filha adotiva, Marie de Gournay. Montaigne enriquecia o texto sem parar, preferindo acrescentar a corrigir. A ordem dos capítulos segue sendo um problema, porque não há ligação óbvia de um para o outro, e o próprio autor reconhecia o aspecto aleatório da obra.

Numa medalha pessoal, mandou gravar a idade, a palavra grega Epecho, que quer dizer eu me abstenho, ou seja, suspendo o juízo, e um lema cético em francês, Que sais-je, ou seja, o que sei eu. Estudiosos discutem se ele passou por uma crise cética, tese defendida por Pierre Villey e que já aparece em Pascal. Num ensaio sobre os canibais, denunciou o fanatismo e a crueldade dos cristãos entre si nas guerras civis da França, por comparação com o canibalismo. A obra é tão rica e flexível que acomoda quase qualquer corrente acadêmica e, ao mesmo tempo, resiste tanto à interpretação que mostra os limites de cada uma.

Para conferir

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy: Datas 1533-1592; família burguesa enobrecida; latim como primeira língua; Colégio de Guyenne; cargo em Périgueux; amizade com La Boétie e morte dele em 1563; retiro em 1571; viagem à Itália em 1580 e eleição para prefeito de Bordeaux; guerras de religião; Ensaios (edições de 1580, 1588 e 1595, Marie de Gournay); medalha com Epecho e o lema Que sais-je; crise cética de Villey; comparação com o canibalismo; resistência do texto a uma interpretação única.