Paulo Freire (1921-1997)
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Paulo Freire nasceu em Recife, em 19 de setembro de 1921, e viveu na infância a pobreza e a fome que a crise dos anos 1930 trouxe a muitas famílias nordestinas. Cursou direito, mas dedicou a vida à educação. Morreu em São Paulo, em 2 de maio de 1997.
Seu nome ficou ligado a uma experiência de 1963 em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde um projeto de alfabetização de adultos tinha como meta ensinar trabalhadores a ler e escrever em cerca de 40 horas de aula. Participaram algumas centenas de pessoas, número que varia conforme a fonte. O método partia de palavras do cotidiano dos alunos, como as do trabalho e da moradia, e não de cartilhas prontas.
Com o golpe militar de 1964, Freire foi preso e depois exilado. Passou um breve período na Bolívia, trabalhou cerca de cinco anos no Chile, foi professor visitante em Harvard em 1969, atuou em Genebra e aconselhou reformas educacionais em ex-colônias portuguesas da África, como a Guiné-Bissau. Voltou ao Brasil em 1980, depois da anistia de 1979. Entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo.
No exílio, concluiu em 1968 a Pedagogia do Oprimido, traduzida para vários idiomas (a edição em inglês saiu em 1970), livro muito lido e discutido no campo da educação. Nela, critica o que chama de educação bancária, em que o professor deposita conteúdo e o aluno apenas guarda. Contra isso, propõe uma educação em que professor e aluno aprendem juntos, pelo diálogo, a partir de problemas reais da vida de quem estuda.
Outra ideia central, desenvolvida em Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra (1990, com Donaldo Macedo), é que o conhecimento do mundo precede o da palavra escrita: quem aprende a ler já traz um saber sobre o lugar onde vive, e a escola deve partir dele. Em 1996, a Pedagogia da Autonomia reuniu reflexões sobre o ofício de ensinar, com ênfase no respeito ao aluno e na pesquisa como parte da prática docente.
Em 2012, uma lei federal o declarou patrono da educação brasileira. Suas perguntas continuam na sala de aula: como ensinar sem humilhar, como ligar o conteúdo à vida do aluno, como formar quem pense por conta própria. Tem admiradores e críticos, e a discussão sobre o alcance de suas propostas segue aberta. O melhor caminho é ler a obra e formar opinião própria.
Para conferir
- Lei nº 12.612, de 13 de abril de 2012 (Presidência da República): Declara Paulo Freire patrono da educação brasileira. Demais datas e fatos conferidos em pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire e /Angicos: nascimento em Recife em 19/09/1921, morte em São Paulo em 02/05/1997, Angicos (RN) em 1963 com meta de 40 horas, prisão de 1964, Bolívia, Chile, Harvard 1969, retorno em 1980, secretário 1989-1991, Pedagogia do Oprimido (concluída em 1968, inglês em 1970), Pedagogia da Autonomia (1996).







