Baruch Spinoza (1632-1677)
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Um dos pensadores mais ousados do século XVII, Baruch Spinoza nasceu em 1632 em Amsterdã e morreu em 1677 em Haia. Baruch, em hebraico, Bento, em português, e Benedictus, em latim, são três formas do mesmo nome, que significa abençoado. Era filho do meio de uma família de posses moderadas da comunidade judaico-portuguesa da cidade.
Menino brilhante na escola Talmud Torá, interrompeu os estudos aos dezessete anos para ajudar no negócio de importação da família. Em 27 de julho de 1656, recebeu da comunidade sefardita de Amsterdã o herem, decreto de banimento, mais duro já pronunciado por ela e nunca revogado. Não se sabe ao certo do que foi acusado. É provável que fossem ideias que depois apareceriam em seus tratados: ele negava a imortalidade da alma, rejeitava um Deus transcendente e providencial e afirmava que a Lei judaica não fora dada literalmente por Deus nem obrigava mais.
Em poucos anos, deixou Amsterdã. A correspondência que resta começa em 1661, quando morava em Rijnsburg, perto de Leiden. Em 1663, já em Voorburg, perto de Haia, concluiu a exposição crítica dos Princípios de Filosofia de Descartes, único livro que publicou em vida com o próprio nome. Trabalhava na Ética quando, vendo ameaçada a tolerância na Holanda, interrompeu o trabalho para escrever o Tratado Teológico-Político, publicado de forma anônima em 1670 e recebido com grande alarme. Um crítico o chamou de livro forjado no inferno pelo próprio diabo. Spinoza morreu escrevendo o Tratado Político, e os amigos publicaram logo depois seus escritos inéditos.
Na Ética, expõe uma ideia que ficou conhecida como Deus ou Natureza. Seu Deus não é um criador separado do mundo, que o produz por um ato livre de vontade. Tudo decorre necessariamente da natureza divina, como decorrem de um triângulo as propriedades de seus ângulos. Por isso não há acaso: nada poderia ter sido diferente. Chamá-lo de panteísta é discutível, porque ele não pede, diante da Natureza, a atitude de reverência religiosa.
Cada ser, afirma ele, se esforça por perseverar no que é, e esse esforço, o conatus, constitui sua essência. Para Spinoza, a felicidade não está numa vida escrava das paixões e dos bens passageiros, nem na superstição que se passa por religião, mas na vida da razão. No Tratado Teológico-Político, defende a liberdade intelectual e religiosa e procura mostrar que ela é compatível com o bem-estar da sociedade e até essencial a ele.
Para conferir
- Stanford Encyclopedia of Philosophy: Nascimento em 1632 em Amsterdã; nomes Baruch, Bento e Benedictus; escola Talmud Torá e saída aos 17 anos para a empresa da família; herem de 27/07/1656; Rijnsburg (correspondência desde 1661), Voorburg e Princípios de Filosofia de Descartes (1663); Tratado Teológico-Político anônimo (1670); morte em 1677 em Haia com o Tratado Político inacabado; Deus ou Natureza, necessidade, conatus, vida da razão, liberdade de pensamento; ressalva sobre chamá-lo de panteísta.







