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Pandora e o jarro

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Pandora é a primeira mulher da tradição grega, e é Hesíodo quem a apresenta pelo nome, no poema Trabalhos e Dias (na narrativa, é Hermes quem lhe dá o nome). Prometeu tinha roubado o fogo, e Zeus decide dar aos homens um presente que é também um castigo. Manda moldar uma donzela de terra e água. Atena a veste e a enfeita, e Hermes põe nela mentiras, palavras astutas e uma natureza enganadora.

Hesíodo explica o nome pelas dádivas: cada deus do Olimpo lhe deu uma. Zeus a envia a Epimeteu, irmão de Prometeu. Prometeu o tinha avisado para nunca aceitar presente de Zeus. Epimeteu aceitou, e só entendeu depois.

Até então, diz Hesíodo, os homens viviam livres de males, de trabalho duro e de doenças pesadas. A mulher tirou a grande tampa de um jarro e espalhou tudo isso pelo mundo. Só a Esperança ficou lá dentro, sob a borda, porque a tampa a deteve, por vontade de Zeus. Hesíodo não explica se isso é consolo ou castigo, e os leitores discordam há muito tempo.

Há versões. Na Teogonia, do mesmo Hesíodo, a primeira mulher também é feita por ordem de Zeus como um mal em troca do fogo, mas ali não há jarro nem o nome Pandora. E a famosa caixa de Pandora foi difundida por Erasmo no século XVI: ele empregou em latim a palavra para caixa, onde o relato de Hesíodo traz pithos, um jarro grande. Na Ilíada, aliás, Zeus tem dois jarros no chão do palácio, um de bens e outro de males, e é de lá que tira a sorte de cada pessoa.

Veja também: Atena, a que nasceu pensada; Hermes, o que atravessa.

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