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Hermes, o que atravessa

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O caduceu e a sandália alada de Hermes

Hermes é o mensageiro, mas mensageiro é pouco: ele é o deus de tudo o que atravessa fronteira. Leva recados entre os deuses e os homens, conduz as almas até o reino de Hades, protege o viajante, o comerciante e, com a mesma naturalidade, o ladrão.

No primeiro dia de vida saiu do berço, roubou o gado de Apolo, disfarçou os rastros invertendo as pegadas dos bois e amarrando ramos nos próprios pés, e voltou ao berço fingindo inocência. Quando foi descoberto, ofereceu ao irmão, como pagamento, a lira que já tinha feito com um casco de tartaruga. Saiu do episódio com um aliado em vez de um inimigo.

As sandálias aladas e o caduceu, o bastão com duas serpentes, são dele. O caduceu às vezes aparece, por engano, como símbolo da medicina: o bastão da medicina é outro, o de Asclépio, que tem uma serpente só.

Do nome dele vem hermético: místicos e alquimistas juntaram o deus ao egípcio Tot na figura de Hermes Trismegisto, e hermético passou a designar o que se ligava às ciências ocultas e à alquimia. Hermenêutica, a arte de interpretar um texto, vem de uma palavra grega de origem incerta; já se pensou que viesse de Hermes, e Platão, no Crátilo, liga o nome do deus ao intérprete.

Veja também: Pandora e o jarro; Perseu e a Medusa; Pigmalião e a estátua de marfim; Baucis e Filêmon.

Para conferir

Na coleção Os deuses gregos, leitura 9 de 12
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